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7 de out. de 2015 | By: @igorpensar

Confessionalmente Católico

Como ser um cristão evangélico confessionalmente reformado, e ainda, ser católico? Ser católico (universal) é manter-se consciente que se pertence ao que une toda cristandade (claro que não preciso explicar que católico aí não é sinônimo de católico romano). Ou, reconhecer, que cada tradição tem seus tesouros e riquezas que lhe são peculiares, são apropriações do tesouro da grande cristandade. Daí, a necessidade de uma abertura. A melhor forma de fazê-la é localizar-se confessionalmente em uma tradição nuclear de onde é possível navegar entre outras, enriquecendo sua própria confessionalidade. 

Adotando-se tal paradigma, quase uma metodologia, é possível localizar-se na tradição reformada e evitar a idolatria denominacional. Subscrever os símbolos e a tradição, mas resistindo ao sectarismo. Permitir-se dialogar com o anglicanismo, o luteranismo, o metodismo, a ortodoxia oriental, o pentecostalismo clássico e até mesmo com algumas correntes teológicas do catolicismo romano, e perceber-se mais cristão, mais pertencente. Deveríamos aprender a fazer este exercício de enriquecer nossa confessionalidade com a catolicidade.

Eu, como cristão evangélico e reformado, me sinto relativamente confortável em minha tradição, nesta ortodoxia, porém admito: Deus não entregou todas as cores da verdade e do Cristo à tradição que me localizo. E, possivelmente, a nenhuma outra tradição, mas todas desfrutam de aspectos da revelação encarnada que gostaria muito de apreciar.
20 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Evangélicos, mas Católicos




A fé protestante não é um projeto que procurou revolucionar o cristianismo histórico, como se poderia imaginar.  A reforma não é uma quebra de paradigmas necessariamente.  A intenção dos reformadores era retomar exatamente aqueles elementos mais católicos, dos quais o cristianismo medieval, em geral, havia se afastado.

Evangélicos, em geral, tem dificuldades com o termo "católico" como se ele significasse o "catolicismo romano", mas a expressão grega é traduzida simplesmente como "universal".  Ser um cristão católico é ser alguém que crê numa fé universal, acumulada historicamente, comum a toda cristandade.  Entretanto, é fundamental reconhecer que não somos inventores de nada, mas cristãos que se firmam naquilo que há de mais "católico" (universal) em nossa fé: Jesus Cristo.  Claro, que existem outros elementos aí presentes, como a Trindade, o Evangelho da graça, o sola scriptura, a tradição e a confessionalidade, que são também, desdobramentos de nossa catolicidade.
Não é suficiente sermos cristãos reformados e evangélicos, temos que ser mais católicos (universais), no sentido literal do termo.

Esta é uma ministração em áudio com 58 minutos de duração, gravada nas instalações da Igreja Esperança em Belo Horizonte, por ocasião do Dia da Reforma Protestante em outubro de 2012.  Seu tema é:  Evangelicidade e Catolicidade.

Escute, medite e compartilhe com outros irmãos que anseiam por esta fé cristã universal.
27 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Protestante e Católico (Universal)

"Se o protesto da reforma significa alguma coisa, então, certamente há uma dicotomia, ou no mínimo, uma diferença entre ser reformado e ser uma católico romano. Sobre isto, eu concordo plenamente. Porém, eu não acho que Roma é detentora da catolicidade. Nossa fé "católica" é a fé histórica da Igreja, enraizada nas Escrituras, recebida dos apóstolos, elucidada e articulada em credos e concílios ecumênicos, reformada em nossas confissões, com a convicção que o Espírito de Deus tem guiado a Igreja através da história. A reforma protestante não é uma "mudança de paradigma", a "emergência" de uma "nova fé". Ao invés, deveríamos ver a reforma protestante como um movimento de renovação agostiniana na Igreja Católica."* (James K.A. Smith**)

Quando Smith se refere ao termo "católico", não faz referência ao "catolicismo romano", mas ao sentido literal do termo grego katolikós (universal). A catolicidade se constitui naqueles princípios comuns que unem e definem os cristãos universalmente. O que obviamente, transcende o catolicismo romano.


A tese de Smith é que a fé protestante reformada não é um movimento "novo", mas um esforço para retomar o que há de mais universal na fé cristã clássica e histórica. A menção a Agostinho de Hipona no texto, refere-se ao esforço deste grande teólogo da Igreja, em afirmar a suficiência da graça em Cristo para salvar o pecador e sua oposição à heresia pelagiana, que insistia em uma "capacidade inata" nos homens para obedecer a Deus, e assim, serem aceitos por Ele. Tal heresia comprometia a doutrina apostólica e paulina que concebe o homem como "morto em seus delitos e pecados" (Ef 2), incapaz de se voltar para Deus, o que explicita o fato de que a salvação dependeria de uma ação soberana, procedente graciosa e exclusivamente de Deus. 

A ênfase em Cristo e na graça foi retomada por Agostinho e renovada pelo movimento protestante (lembrando que Lutero foi um monge agostiniano). Neste sentido, a catolicidade é o solus Christus (somente Cristo) e sola gratia (só a graça), como revelado nas Escrituras (sola scriptura). Exatamente, os princípios afirmados pela fé protestante. Estes seriam os elementos "católicos" da Igreja.  Desta forma, a fé reformada é católica em seu sentido mais profundo.

* Citação do texto John Calvin’s Catholic Faith.
**James K.A. Smith é uma filósofo americano, atualmente é professor de filosofia no Calvin College. Escritor profícuo, escreve sobre ortodoxia radical, cristianismo e pós-modernidade, liturgia e adoração e ética.
23 de abr. de 2012 | By: @igorpensar

Chamado! Futuro-Evangélico Antigo


Assine o chamado!

Fonte e tradução para o português
http://danieldliver.blogspot.com.br/2012/04/um-chamado-para-um-evangelico-futuro.html por Daniel dLIVEr.

Pouco antes de sua morte, em 2007, Robert E. Webber passou boa parte de seu último ano trabalhando em colaboração com mais de 300 teólogos e outros líderes para criar um chamado para um Futuro Evangélico Antigo. O chamado continua alguns temas e amplia os "Call Chicago" de 1977, e estabelece uma visão de uma fé Antiga-Futura em um mundo pós-moderno. Que Webber ajudasse a criar um tal apelo não é incomum, pois ele passou toda a sua vida profissional chamando a igreja para reforma contínua e, sobretudo, incentivando os líderes e leigos a beber do poço refrescante da verdade antiga. Que a Chamada viesse, como ele fez, em um momento de grande mudança no mundo e na igreja, e que também aconteceu um pouco antes de sua morte, dá-lhe uma espécie de peso que o torna especialmente atraente para examinar.


Os teólogos que participaram representavam uma ampla diversidade de filiação denominacional e a listagem de editores do Chamado e membros do conselho de referência foi marcante em sua abrangência e profundidade. Mais encorajador foi que centenas de pastores, teólogos e leigos em todos os EUA, Canadá e no mundo assinaram a chamada antes da organização que originalmente publicou o documento cessasse as suas operações.

Agora, a Rede Fé Antiga-Futura tem o orgulho de hospedar e defender a Chamada e incentiva os visitantes aqui a afirmá-lo mediante a assinatura de seus nomes, acrescentando-os à lista crescente de pessoas afins de todo o mundo.



PRÓLOGO

Em cada época o Espírito Santo chama a Igreja a examinar a sua fidelidade à revelação de Deus em Jesus Cristo, com autoridade registrada nas Escrituras e transmitida através da Igreja. Assim, enquanto nós afirmamos a força global e a vitalidade do evangelicalismo mundial em nossos dias, acreditamos que a expressão norte-americana do Evangelicalismo precisa ser especialmente sensível aos novos desafios externos e internos enfrentados pelo povo de Deus.

Estes desafios externos incluem o ambiente cultural atual e o ressurgimento de ideologias políticas e religiosas. Os desafios internos incluem a acomodação Evangélica à religião civil, o racionalismo, privatismo, e pragmatismo. À luz desses desafios, nós chamamos os evangélicos para fortalecer o seu testemunho através de uma recuperação da fé articulada pelo consenso da Igreja antiga e seus guardiões nas tradições da Ortodoxia Oriental, Catolicismo Romano, Reforma Protestante e os despertamentos evangélicos. Os cristãos antigos enfrentaram um mundo de paganismo, gnosticismo e dominação política. Em face da heresia e da perseguição, eles compreenderam a história através da história de Israel, que culminou com a morte e ressurreição de Jesus e a vinda do Reino de Deus.

Hoje, como na era antiga, a Igreja é confrontada por uma série de narrativas mestras que contradizem e competem com o evangelho. A questão premente é: quem pode narrar o mundo? O Chamado para um Futuro Evangélico Antigo desafia os cristãos evangélicos a restaurar a prioridade da história bíblica divinamente inspirada dos atos de Deus na história. A narrativa do Reino de Deus traz implicações eternas para a missão da Igreja, sua reflexão teológica, seus ministérios públicos de culto e espiritualidade e sua vida no mundo. Ao envolvermo-nos nestes temas, acreditamos que a Igreja será fortalecida para abordar as questões de nossos dias.

1. Da Primazia da Narrativa Bíblica

Fazemos um apelo a um retorno à prioridade da história canônica divinamente autorizada do Deus Triúno. Esta história -- Criação, Encarnação e Recriação -- foi efetuada pela recapitulação de Cristo da história humana e resumidas pela Igreja primitiva em suas Regras de fé. O conteúdo formado no evangelho dessas Regras serviram de chave para a interpretação das Escrituras e sua crítica da cultura contemporânea e, assim, moldou o ministério pastoral da Igreja. Hoje, nós chamamos os evangélicos a se afastar dos modernos métodos teológicos que reduzem o evangelho a meras proposições, e de ministérios pastorais contemporâneos tão compatíveis com a cultura que camuflam a história de Deus ou a esvaziam do seu significado cósmico e redentor. Em um mundo de histórias rivais, nós chamamos os evangélicos a recuperar a verdade da palavra de Deus como a história do mundo, e torná-la o centro da vida evangélica.

2. Da Igreja, a Continuação da Narrativa de Deus

Chamamos os evangélicos a tomar seriamente o caráter visível da Igreja. Fazemos um apelo por um compromisso com sua missão no mundo em fidelidade à missão de Deus (Missio Dei), e por uma exploração das implicações ecumênicas que isso tem para a unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade da Igreja. Dessa forma, chamamos os evangélicos a afastar-se de um individualismo que faz da Igreja um mero adendo ao plano redentor de Deus. O evangelicalismo individualista tem contribuído para os atuais problemas do cristianismo sem igreja (churchless Christianity), redefinições da Igreja de acordo com modelos de negócios, eclesiologias separatistas e atitudes condenatórias em relação à Igreja. Por isso, chamamos os evangélicos para recuperar seu lugar na comunidade da Igreja católica.


3. Da Reflexão Teológica da Igreja na Narrativa de Deus

Chamamos pela reflexão da Igreja para permanecermos ancorados nas Escrituras em continuidade com a interpretação teológica aprendida com os primeiros Pais. Dessa forma, chamamos os evangélicos a afastar-se de métodos que separam a reflexão teológica das tradições comuns da Igreja. Esses métodos modernos compartimentalizam a história de Deus, analisando suas partes separadas, enquanto ignoram a obra inteira de Deus como redentor recapitulada em Cristo. As atitudes anti-históricas também desconsideram o legado bíblico e teológico comum da Igreja antiga. Esse descaso ignora o valor hermenêutico dos credos ecumênicos da Igreja. Isso reduz a história de Deus do mundo a uma das muitas teologias concorrentes e prejudica o testemunho unificado da Igreja para o plano de Deus para a história do mundo. Por isso, chamamos os evangélicos à unidade na "tradição que tem sido crida por toda parte, sempre e por todos", bem como à humildade e à caridade em suas várias tradições protestantes.


4. Do Culto da Igreja como Dito e Promulgação da Narrativa de Deus

Chamamos por um culto público que canta, prega e promulga a história de Deus. Apelamos por uma consideração renovada de como Deus ministra a nós por meio do batismo, da Eucaristia, da confissão, da imposição de mãos, do matrimônio, da cura e através dos dons (carism) do Espírito, pois essas ações moldam nossas vidas e indicam o sentido do mundo. Assim, chamamos os evangélicos a afastar-se de formas de culto que se concentram em Deus como um mero objeto do intelecto ou que afirmam o "eu" como a fonte da adoração. Tal culto tem resultado em modelos  orientados para preleções, a orientados pela música, centrados em peformance, e controlados por programa que não proclamam adequadamente a redenção cósmica de Deus. Por conseguinte, chamamos os evangélicos a recuperar a substância histórica da adoração da Palavra e da Mesa e para atender ao ano cristão, que marca o tempo de acordo com atos salvíficos de Deus.


5. Da Formação Espiritual na Igreja como a Encarnação da Narrativa de Deus

Clamamos por uma formação catequética espiritual do povo de Deus que se baseie firmemente em uma narrativa bíblica Trinitariana. Estamos preocupados quando a espiritualidade é separada da história de Deus e do batismo na vida de Cristo e no seu Corpo. Espiritualidade, feita independente da história de Deus, é muitas vezes caracterizada pelo legalismo, conhecimento meramente intelectual, uma cultura excessivamente terapêutica, o gnosticismo da Nova Era, uma rejeição dualista deste mundo e uma preocupação narcisista com a própria experiência. Estas falsas espiritualidades são inadequados para os desafios que enfrentamos no mundo de hoje. Por isso, apelamos aos evangélicos a retornar a uma espiritualidade histórica como aquela ensinada e praticada no catecumenato antigo (regras e instruções para novos convertidos).


6. Da Vida Encarnada da Igreja no Mundo

Clamamos por uma santidade cruciforme e compromisso com a missão de Deus no mundo. Esta santidade encarnada afirma a vida, a moralidade bíblica e a auto-negação apropriada. Ela nos chama a sermos fiéis mordomos da ordem criada e profetas ousados à nossa cultura contemporânea. Dessa forma, chamamos os evangélicos à intensificar a sua voz profética contra as formas de indiferença para com o dom divino da vida, a injustiça econômica e política, a insensibilidade ecológica e o fracasso em defender os pobres e marginalizados. Muitas vezes falhamos em permanecer profeticamente contra o cativeiro da cultura ao racismo, o consumismo, a correção política, a religião civil, o sexismo, o relativismo ético, a violência e a cultura da morte. Esses fracassos têm silenciado a voz de Cristo para o mundo através da sua Igreja e prejudica a história de Deus do mundo, a qual a Igreja deve coletivamente  encarnar. Portanto, chamamos a Igreja para recuperar a sua missão contra-cultural ao mundo.


EPÍLOGO

Em suma, nós chamamos os evangélicos a recuperar a convicção de que a história de Deus molda a missão da Igreja para dar testemunho do Reino de Deus e para informar os fundamentos espirituais da civilização. Nós apresentamos este Chamado como um contínua conversa aberta. Estamos conscientes de que temos nossos pontos cegos e frquezas. Portanto, encorajamos os evangélicos a se engajar nesteChamado dentro dos centros educativos, denominações e igrejas locais, através de publicações e conferências.

Oramos para que possamos avançar com a intenção de proclamar um Deus amoroso, transcendente, triúno, que tem se envolvido em nossa história. Em conformidade com as Escrituras, o credo e a tradição, é o nosso mais profundo desejo de encarnar os propósitos de Deus na missão da Igreja através de nossa reflexão teológica, o nosso  culto, nossa espiritualidade e nossa vida no mundo, o tempo todo proclamando que Jesus é Senhor sobre toda a criação.

© Northern Seminary 2006 Robert Webber and Phil Kenyon

Este Chamado é emitido no espírito de sic et non, portanto aqueles que afixarem seus nomes a esta chamada não precisam concordar com todo o seu conteúdo. Em vez disso, seu consenso é que essas são questões a serem discutidas na tradição de semper reformanda enquanto a igreja enfrenta os novos desafios do nosso tempo. Durante um período de sete meses, mais de 300 pessoas participaram via e-mail para escrever o Chamado. Estes homens e mulheres representam uma ampla diversidade étnica e de afiliação denominacional. Os quatro teólogos que mais consistentemente interagiram com o desenvolvimento do Chamado foram nomeados como Editores Teológicos. Ao Conselho de Referência foi dada a tarefa especial de aprovação geral.


Editores Teológicos
2006
  • Hans Boersma, James I. Packer Professor of Theology, Regent College, Vancouver, BC, Canada
  • Howard Snyder, Professor of the History and Theology of Mission, E. Stanley Jones School of World Mission and Evangelism, Asbury Theological Seminary, Orlando, FL
  • Kevin Vanhoozer, Research Professor of Systematic Theology at Trinity Evangelical Divinity School, Deerfield, IL
  • Rev. Dr. D. H. Williams, Professor of Religion in Patristics and Historical Theology, Baylor University, Waco, TX

Conselho de Referência 2006


  • Jamie Arpin-Ricci, Co-director, Youth with a Mission Urban Ministries, Winnipeg, Canada
  • Bruce Ellis Benson, Associate Professor of Philosophy, Wheaton College, Wheaton, IL
  • Ryan K. Bolger, Asst. Professor of Church in Contemporary Culture, Fuller Theological Seminary, CA
  • Alfloyd Butler, Affiliate Professor of African American Religious Studies, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Rodney Clapp, Editorial Director, Brazos Press, Grand Rapids, MI
  • Charles H. Cosgrove, Professor of New Testament Studies and Christian Ethics, Northern Seminary, IL
  • David Fitch, Lindner Professor of Evangelical Theology, Northern Seminary, Lombard IL
  • John Franke, Professor of Theology, Biblical Seminary, Hatfield, PA
  • Dinelle Frankland, Assoc. Professor of Worship, Lincoln Christian Seminary, Lincoln, IL
  • Chris Hall, Provost of Eastern University and Dean of the Templeton Honors College, St. Davids, PA
  • Charles Hambrick-Stowe, Dean of the Seminary and Professor of Christian History, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Roland G. Kuhl, Executive Director, Institute for Missional Initiatives, Round Lake Beach, IL
  • Bryan M. Litfin, Associate Professor of Theology, Moody Bible Institute, Chicago, IL
  • Danut Manastireanu, Ph.D., Director for Faith & Development, Middle East & Eastern Europe Region of World Vision International, Iasi, Romania
  • Claude Mariottini, Professor of Old Testament, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Brian McLaren, author, Laurel, MD
  • Bradley Nassif, Associate Professor of Biblical and Theological Studies, North Park University, Chicago, IL
  • David Neff, Editor and Vice-President, Christianity Today, Carol Stream, IL
  • Dennis Okholm, Professor of Theology, Azusa Pacific University, Azusa, CA
  • Bob Price, Assoc. Professor of Evangelism and Urban Ministry, Northern Seminary, Lombard, IL
  • Michael Quicke, Charles W. Koller Professor of Preaching and Communication, Northern Seminary, Lombard, IL
  • R. R. Reno, Professor of Theology, Creighton University, Omaha, NE
  • Edmund Rybarczyk, Assistant Professor of Systematic Theology, Vanguard University, Costa Mesa, CA
  • Joel Scandrett, Associate Editor Academic & Reference Books, InterVarsity Press, Downers Grove, IL
  • Douglas R. Sharp, Professor of Christian Theology, Northern Seminary, Lombard, IL
  • P.L. Sinitiere, Ph.D. candidate (history), University of Houston, Houston, TX
  • Laura Smit, Dean of Chapel, Calvin College, Grand Rapids, MI
  • James K.A. Smith, Assoc. Professor of Philosophy, Calvin College, Grand Rapids, MI
  • Jennifer Trafton, Managing Editor, Christian History & Biography, Carol Stream, IL

Patrocinadores:
Northern Seminary (www.seminary.edu)
Baker Books (www.bakerbooks.com)
Institute for Worship Studies (www.iwsfla.org)
InterVarsity Press (www.ivpress.com)

“La Llamada” en Español
      
28 de mar. de 2012 | By: @igorpensar

Restauração? O que é isto?


Por Igor Miguel

A proposta deste texto é explicar o uso bíblico do termo “restauração”, afinal, ele vem sendo usado de forma indiscriminada e irresponsável, o que acaba comprometendo seu sentido bíblico e original.  Sem mencionar que diversas "seitas" e "denominações" emergem da distorção deste conceito.

Começaremos este texto fazendo a seguinte afirmação: 

Biblicamente, o termo “restauração” não tem nenhuma relação com:

  • restaurar a Igreja como ela era no I século;
  • restaurar a Igreja apostólica ou primitiva;
  • restaurar as raízes bíblicas ou judaicas (hebraicas) do cristianismo;
  • avivar a Igreja; 
  • conduzir a Igreja a sua condição original;
  • voltar para a Igreja de Atos;
  • deixar “Roma” e voltar para “Jerusalém”;
  • o cristianismo abandonar o paganismo;
  • “voltar ao primeiro amor”.

Comumente, a palavra “restauração” se conecta a ideia de “restauração da Igreja”, alega-se que este seria um “chamado bíblico” ou “profético” o que é um equívoco, que pode ser constatado simplesmente analisando a principal ocorrência do termo na Bíblia:
Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados,  a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus,  ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade. (Atos 3:19-21).
No Brasil o termo “restauração” é comumente contraposto à “reforma”, valendo-se quase de forma infantil da analogia da “construção”, alegando-se que “restaurar” é melhor que “reformar”, pois um “traz a coisa ao original” e a outra dá “outra forma”.  Claro que a fraqueza deste argumento faz muito sentido para mentes ingênuas, mas precisamente por isto dispensa maiores refutações.

A questão é que há uma apropriação indevida de um termo que nada tem a ver com “restaurar a Igreja”, mas com a “restauração de todas as coisas”, ou seja, Pedro anuncia uma mensagem contida nos vários textos proféticos do Antigo Testamento, em que Deus promete “renovar” e “restaurar” sua criação, dignificando-a.   

O texto de Pedro não tem qualquer implicação eclesiológica, em outras palavras, “restauração” no texto de Pedro não envolve a “restauração” ou o "retorno" da Igreja à sua “originalidade” ou “primitividade”, como se supõe.  Pedro não anuncia a “restauração da Igreja”, o que seria uma contradição histórica, afinal, o apóstolo fala de dentro da primeira comunidade messiânica, ou seja, que tinha Cristo como centro, logo cristã.  Não havia o que “restaurar” em termos de Igreja na mensagem de Pedro, pois ele é a Igreja primitiva, ou do I século.

Como dito, o termo “restauração” vem sendo deturpado e descontextualizado de seu sentido original.  A palavra grega aí traduzida por “restauração” é apokatastaseos [αποκαταστασεως], que além deste sentido, evoca algumas possibilidades tradutórias, como será demonstrado a seguir.   

O uso do radical grego apokatastasis é usado na Bíblia (Novo Testamento Grego e na Septuaginta – Antigo Testamento Grego) com os seguintes sentidos:
A “cura” ou “restauração” da pele de Moisés quando do sinal, em que Deus lhe feriu com lepra e imediatamente ficou curado (Ex 4:7).   Nos profetas aparece associado à restauração dos exilados de Israel, o retorno à terra, a restituição dos territórios e o restabelecimento da justiça (Jr 16:15; Os 11:11; Am 5:15).  Já no Novo Testamento, o verbo “restaurar” ocorre nas palavras de Jesus associando o ministério de João Batista ao de Elias como aquele que primeiro vem para “restaurar todas as coisas”  (Mc 9:12).  E finalmente, no monte das oliveiras, os discípulos perguntam, às vésperas da ascensão de Jesus, se  naquele momento ele “restauraria” o Reino a Israel (At 1:6).
Se reunidas as poucas ocorrências do termo, como substantivo ou verbo, na maioria dos casos ele aparece associado à “restauração” da nação de Israel ou da retomada da ordem na criação.  Pedro evoca esta expectativa judaica, derivada de outros textos dos profetas, onde  o termo "restauração" não aparece diretamente citado, mas o tema é diretamente tratado.

Ao menos, pelo contexto de Atos 3:19-21 Pedro conecta sua ideia de “restauração” ao que fora “dito pela boca dos profetas”.  Ao ouvido de seus ouvintes judeus, a conexão do termo “restauração” com “retorno do exílio” e “restauração da criação” seria inevitável.  

Enfim, o uso do termo “restauração” como se fosse uma expressão bíblica associada à restauração da Igreja a seu formato original é puramente especulativa ou uma apropriação desonesta.   "Restauração" biblicamente envolve a “renovação da criação” e a “restauração das promessas abraâmicas” dirigidas ao retorno dos filhos de Israel do exílio.  

Movimentos “restauracionistas” em geral, desde seus primórdios no movimento de Thomas Campbell (1763-1854) que deu origem a várias seitas e denominações “primitivistas”, até aos atuais movimentos restauracionistas, como “Igreja Local”, “Igreja de Cristo” (Church of Christ), “Israelitas da Nova Aliança”, “Igreja de Deus”, “Testemunhas de Jeová”, movimentos apostólicos e o “Ministério Internacional da Restauração” do pseudo-apóstolo René Terra Nova, as doutrinas da "apóstola" Valnice Milhomens e os menos expressivos, como o “Ensinando de Sião” e similares, valem-se desta apropriação desonesta do termo “restauração”, dirigindo-o à Igreja, como se este fosse um “mandato profético”.   Sem mencionar obras como “Cristianismo Pagão” de Frank Viola e similares, que retomam a velha falácia primitivista.

Não há qualquer texto no Novo Testamento que afirme que deveríamos permanecer ou retornar à “Igreja Primitiva” ou do “I Século”.  Simplesmente as orientações apostólicas orbitam em geral ao redor de permanecer em Cristo, na graça, na fé, na Palavra, no amor, nas boas obras (ações de graça) e no Espírito Santo.  Pois estes são princípios atemporais e universais, não sendo uma exclusividade da comunidade cristã do I século, ao contrário, são virtudes universalmente encontradas em verdadeiros cristãos em diversos lugares do mundo.  Estes elementos “universais” da fé cristã podem ser encontrados em forma de credos, como aquele conhecido como “Credo Apostólico” (~ II séc. d.C.), que seria um resumo da fé cristã:

1. Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;
2. e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor,
3. que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria;
4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
5. desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
6. subiu aos Céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,
7. de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
8. Creio no Espírito Santo,
9. na Santa Igreja Católica (Igreja Universal), na comunhão dos Santos,
10. na remissão dos pecados,
11. na ressurreição da carne,
12. na vida eterna.
 Amém.

A questão não é se inspirar no que os discípulos fizeram na Igreja Primitiva, simplesmente por ser ela “primitiva”, mas por ser ela “Igreja”, em sua expressividade apostólica e cristocêntrica.  Expressividade encontrada não só no I século, mas em comunidades cristãs entre os II-VI séculos, na igreja medieval, durante a reforma no século XVI e ao longo dos avivamentos do século XVIII e XIX.    

O problema de restauracionistas e primitivistas é que criam, cada um, sua versão “pessoal” e “subjetiva” de “igreja primitiva” ou do “I século”.  Algumas até se apropriam de expressões litúrgicas judaicas medievais e tardias, batizando-as como se fossem do “I século” e todos embarcam ingenuamente.  Todo tipo de esquisitices emergem de tais práticas, como poderia ser constatado em casos extremos em países da América Latina.

Por analogia, pode-se dizer que a proposta de Cristo nunca foi que a Igreja permanecesse na condição de “semente” ou “broto”, mas que crescesse e tornasse uma grande árvore, sendo enriquecida com a “glória das nações”, mas sempre se renovando internamente (reforma) tendo em vista retomar a doutrina apostólica e os valores universais da fé.

Por outro lado, claro que a reforma não deu todas as respostas.  Glória a Deus por não ter confiado todos os tesouros da fé apenas a uma confissão cristã.  Coerente e honesto seria se localizar  comunitariamente a uma confissão de fé, sem cair no denominacionalismo, considerando a catolicidade (a fé universal e comum de todos os cristão) da Igreja. 

Não se duvida que os tesouros do Reino estão por aí na visão sacramental anglicana, na dedicação metodista, no fervor carismático-pentecostal e na doutrina da salvação reformada.  Quanto a exaltar a primeira Igreja, reafirmo, o faça por ser Igreja, mas não por ser a primeira. Que seja celebrada por ser primícias, mas não por ser o propósito último da Igreja, pois sua vocação é tornar-se maior e mais complexa ao longo do tempo.

Obviamente, a Igreja Primitiva precisa ser imitada e admirada não porque simplesmente é “primitiva”, mas porque é “Igreja”, o que torna a(s) Igreja(s) em outros tempos e lugares igualmente digna(s) de admiração.   A questão não é apenas imitar o que os apóstolos viveram naquela época, mas pensar como viveriam ante os desafios do presente tempo.  E penso, que neste aspecto, se precisa da Bíblia como ela é, mas lida comunitariamente, junto com a Igreja de Cristo que está além do tempo e do espaço.  Assim, evita-se o subjetivismo teológico travestido de primitivismo, típico de todas as seitas, em todos os tempos.

Logo, que Deus toque corações em crise e os livre da rebeldia de se opor à vocação da Igreja, afinal, como foi dito: 

“Tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia  e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,  e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel.” (Hb 12:22-24)

Soli Deo Gloria
8 de abr. de 2011 | By: @igorpensar

Minha religião é o cristianismo

Por Igor Miguel

Sei que os moderninhos de plantão vão gritar. Mas, não estou preocupado. Apenas me preocupo em afirmar que a energia que dedico é mais por Cristo do que por qualquer outra coisa. Entretanto, dedico energia também para defender os que defenderam meu Senhor com suas próprias vidas, energia e capacidade. Defendo não somente Cristo, mas também seus dons, suas dádivas, e naturalmente, sua Igreja.

Tenho ouvido com frequência as pessoas usarem a frase de Ghandi (um não-cristão) de que "querem Cristo"  mas "não o cristianismo", afirmam que não querem uma "religião".

Claro que temos uma religião, a vida religiosa é inescapável. Religião é um sistema de vida, uma visão de mundo afetada por nossas convicções a respeito do que Deus é e do que somos a partir desta crença nEle. Ora, neste sentido, todos temos uma religião e ela é inescapável.

Eu entendo que muitos se valem do termo 'religião' para se referirem ao legalismo e a práticas religiosas que acabam se tornando um tipo de sistema de auto-salvação operada pelas obras. Eu compreendo, mas não me sinto confortável com a simples descartabilidade do termo.

A questão é que alguns preferem se ligar a uma comunidade histórica, situada no tempo, complexa, mas presente e persistente entre as nações, para se posicionarem religiosamente. Outros, preferem o individualismo iluminista, preferem a afirmação pagã de que se é "dono do próprio nariz", alegando sutilmente, que a religião cristã é apóstata ou pagã, invertendo a alegação. Tenho ouvido isso recorrentemente por aí, infelizmente, tenho ouvido homens como Caio Fábio, Ricardo Gondim e outros, falando coisas do gênero. Tenho ouvido isso de emergentes, pessoas envolvidas em movimentos proféticos, igreja orgânica, anti-institucionalistas e primitivistas. Ora, o problema é que ao afirmarem que não querem nenhum vínculo com o cristianismo, no fundo, demonstram puro orgulho. Preferem seus próprios créditos do que a credibilidade daqueles que nos antecederam.

Mas, o que é o cristianismo? Pergunta difícil, porém, reduzi-lo a seu formato clássico institucional não seria justo. Afinal, o cristianismo transcende os muros do catolicismo romano, coisa que o próprio catolicismo admite. Não são poucos os teólogos católico romanos que leem teólogos protestantes, reconhecendo-os como parte da grande cristandade.

Mas pode-se afirmar certa unanimidade quanto aos traços gerais do cristianismo e aquilo que lhe é comum, o que venho chamando de "núcleo duro" do cristianismo:
Que nosso Deus é único, é criador de todas as coisas, eternas e temporais. Que este Deus se dirige aos homens para salvá-los. Que esta salvação envolveu a própria revelação de seu amor, por meio da encarnação de seu Filho - Jesus Cristo. Que é Ele mesmo Deus, e é Ele mesmo o rosto do Pai e reflete quem Ele é. Que este Jesus, é a provisão de Deus para o perdido. Que em seu drama de nascimento, ministério, morte, ressurreição, ascensão e retorno, efetua eficazmente os planos de salvação e redenção dos homens e da criação. O cristianismo em unanimidade crê na atuação presente do Espírito Santo nos discípulos de Cristo, selando-os até o dia do resgate da herança (Ef 1). Que este Espírito guia, consola e inspira os santos, para que vivam a realidade da ressurreição e a realidade de Cristo, mesmo após 2 milênios após sua ressurreição. Sem qualquer evidência concreta, homens de todos os povos, línguas e nações curvam-se à persuasiva ação do Espírito, que convence o homem do pecado, justiça e do juízo. Todo cristão sabe, que o cristianismo sempre pregou, que por um ato de graça, nos unimos misteriosamente com Jesus e que esta união inaugura uma vida nova, uma vida de fervor, missão, santidade e boas obras que glorificam a Deus. E mais do que isso, esta união nos eleva como criaturas, justificando-nos, suspendo a ira, a cédula da dívida, a condenação.
Isto é cristianismo básico, e se isso é o que o cristianismo pregou e prega, eu sou cristão e minha religião é o cristianismo. Claro que existiram péssimos cristãos, mas o foram não por falta de aviso, pois estava tudo lá. Se na última ceia tinha um discípulo que o traiu (Judas), outro que negou (Pedro) e o amado (João), por que o cristianismo seria diferente? Lugar de joio e de trigo, por isso, digno de minha atenção, minha comunidade.

O falso-cristão não anula o testemunho histórico do que bons cristãos fizeram (e a lista é enorme desses santos). Eles eram no final, bons discípulos de Cristo, bons exemplares e testemunhas dessa salvação. Assim, negar o cristianismo é negar toda esta estrutura de fé, confissão e paixão que orbita ao redor da suficiência de Jesus Cristo. Afirmar o cristianismo é fazer parte de uma comunidade com uma fé central, basilar e cristocêntrica, mas ainda uma comunidade longe de ser perfeita, ela é inacabada, eclesia casta et meretrix*. 

Não bate nela não, pois o cristianismo é o abrigo, a interface cultural entre o Corpo Invisível de Cristo e a história.

Sem frescuras: Meu Deus é Jesus Cristo, mas minha religião é o cristianismo.
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*Igreja Santa e Pecadora (prostituta)
17 de dez. de 2010 | By: @igorpensar

Riqueza das Nações

As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória. As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações. (Apocalipse 21:24-26).

As nações e seus reis subirão à Nova Jerusalém trazendo suas riquezas, seus tesouros, sua cultura e suas conquistas. O Reino de Deus consegue reunir o ritmo árabe, a melodia europeia, a percussão africana, o poema latino, os gostos asiáticos e por ai vai. O Reino de Deus acolhe povos, línguas e nações, aí reside sua catolicidade (termo grego que significa - universal), sua hospitalidade a tudo que a graça de Deus pode outorgar aos homens, e por isso precisam ser devolvidas para sua glória.

O vídeo abaixo é uma demonstração de como a Igreja consegue antecipar o Reino de Deus, trazer a realidade escatológica de Apocalipse, neste vídeo, um afro-americano se alegra em suas raízes, se alegra a respeito do legado de seu povo ao Reino de Cristo. Que seja um convite para que todas as línguas, povos, raças, criaturas, louvem ao Senhor e tragam suas riquezas, seus carismas a Nova Jerusalém.

Por hoje, que possamos sentir o cheiro de terra africana, enriquecendo a Cidade Santa: