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20 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Graça não é de graça... como é?

No século XVI, o reformador Martinho Lutero se levantou contra um ensino corrente que havia em sua época que promovia a noção que: uma vez que uma pessoa era iniciada na salvação pela graça de Cristo, a manutenção desta salvação dependia de uma cooperação humana com a graça de Deus para  se obter êxito final.  Ninguém podia alegar certeza de salvação no tempo presente, pois tal coisa só poderia ser informada na ressurreição.

O Evangelho é claríssimo: a salvação é toda pela graça, do início ao fim.  A obediência humana também é fruto desta dádiva.  Um cristão quando vence o pecado, o faz por causa da obra justificadora, mas também santificadora de Deus em Cristo.  Ninguém, nenhum cristão, pode ser santo sem que Deus opere por sua graça o "querer e o realizar" (Fp 2:13).

Porém, observe o que está aí abaixo neste trecho de uma pregação do "rabino" Marcelo Miranda Guimarães do Ensinando de Sião.  Lugar que frequentei durante 10 anos e que tem atraído muitos evangélicos deseducados nos fundamentos da fé cristã.  Observe que ele alega em vários momentos que a "graça não é de graça", caindo em uma fatal ambiguidade lógica.  Negando inclusive, o sentido do termo "graça".   Ele alega várias vezes que o cristão tem que pagar um preço para ser salvo. Ele tem que fazer sua contribuição a tal obra.  Observe como ele combina obras humanas com a obra da cruz, dizendo inclusive, que esta é a parcela do cristão, separado da obra de Cristo, na salvação.  

Caros leitores, pensem por vocês mesmos: se eu tenho que cooperar com algo que a cruz já realizou, isto significa que Cristo não salva totalmente, mas que eu preciso contribuir com esta obra.  Isto, obviamente, coloca a cruz menor do que é, e assim ela se torna uma obra incompleta, carecendo de uma contribuição humana.  Honestamente, isto não é Evangelho, mas um falso evangelho.  Considere as seguintes afirmações no vídeo e compare-as com os textos de Paulo logo a seguir:




Réplica Bíblica:

"Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça." (Rm 11:5-6)

"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:23-24).

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus não de obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8-9).

"Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado." (Ef 1:5-6).

"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado." (Rm 4:4-8)

"Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo." (I Cl 15:10).

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." (Rm 5:1-2).

"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,  que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos." (II Tm 1:8-9).

"Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." (Jo 1:16-17).
24 de set. de 2014 | By: @igorpensar

Religião de Cima pra Baixo

Não acho que religiões são caminhos alternativos para um mesmo fim. Acredito que existem diferentes religiões, diferentes concepções sobre a divindade e diferentes éticas religiosas. Logo, como cristão, sou obrigado a destacar a singularidade do cristianismo diante de outras expressões religiosas. Considerei seriamente durante parte de minha vida outras possibilidades de espiritualidade. Cheguei a pensar seriamente, em um determinado tempo de minha vida, a seguir um caminho pelo misticismo ou me converter formalmente ao judaísmo e coisas semelhantes. Ponderei, mas cheguei a conclusão que a maioria das religiões propõem uma espécie de espiritualidade "debaixo pra cima". 

As religiões em geral propõem uma espécie de ascensão a partir de determinadas performances. Ou seja, a elevação e a comunhão com o sagrado exige alguma coisa que você tem que "fazer" para chegar a Deus. Então, percebi, que salvo alguns formatos desinformados de espiritualidade cristã, o cristianismo é a única espiritualidade que afirma exatamente o contrário. 

A fé cristã é uma espiritualidade "de cima para baixo", isto é, o sagrado que vem na direção dos homens para salvá-los. O cristianismo afirma que não há nada que o homem possa fazer para se tornar aceito diante de Deus. Deus mesmo é quem faz e realiza a salvação. Por isso, Jesus Cristo é tão estimado pelo cristianismo. Pois Ele é a própria expressão de Deus indo em direção aos homens. O Deus encarnado, humanizado e vindo em resgate de suas "ovelhas perdidas". 

Não há nenhuma religião, além do cristianismo, que diga que Deus está em busca dos homens e que não há nada que eles possam fazer para se chegar a Deus. Esta iniciativa é uma exclusividade de Deus. Paulo, Agostinho e os reformadores identificavam este atributo divino de vir em direção aos homens para salvá-los com palavras como "graça" e "amor". 

Então, o cristianismo não é uma religião como as outras que propõem caminhos alternativos para chegar ao Deus que está no topo da montanha. A fé cristã é a única espiritualidade que diz que Deus desceu da montanha para resgatar homens que o ignoravam. Este é o escândalo do cristianismo e sua maior virtude.
25 de ago. de 2012 | By: @igorpensar

O que é legalismo?

Por Igor Miguel

Para muita gente, legalista é aquela pessoa que pretende ser salva por suas obras ou sua obediência às leis e aos mandamentos de Deus.   Em outras palavras, esta pessoa para ser aceita por Deus, deveria andar em plena obediência.

Mas, o que tenho visto é um outro formato de legalismo, tão danoso quanto o mencionado acima.  Me refiro, a um legalismo "soft", se é que existe tal coisa.  Há um legalismo baseado na seguinte hipótese:
Deus me salva pela graça mediante a fé no que Cristo realizou na cruz.  Mas, para permanecer nesta graça, tenho que obedecer.  
Pessoas alegam, a partir da lógica acima, que não são legalistas, pois reconhecem a graça como um fator importante para o "início" da vida cristã.  A graça seria o meio de acesso à trajetória, mas depois, depende delas a manutenção desta "obra salvadora".  Quando se esforçam, quando se dedicam em oração, jejum e obediência.

Não tenho dúvida, se a graça é entendida como uma dádiva que opera somente no início, e depois, torna-se um tipo de "remédio" só para sermos perdoados em eventuais "pecados" (que não são tão eventuais assim), novamente há um entendimento legalista do evangelho.

Eu até entendo que pessoas que formulam uma doutrina da salvação nestes termos, o fazem sob uma preocupação ou ansiedade, como se a doutrina da graça produzisse um tipo de "libertinagem".  E há anos, os grandes pregadores da graça, dentre eles os reformadores, sempre insistiram em afirmar que não há qualquer relação entre "graça"  e "libertinagem".  

O que todos eles defendiam era que a "obediência do cristão" não tem qualquer relação de causa quanto ao ser "justificado" ou "aceito" perante Deus.  A obediência não é o que salva o homem, não se pode colocar a tensão sobre o "homem", pois ele mesmo, por si só, não tem qualquer condição de se salvar ou se santificar.

Logo, a graça não é algo que opera unicamente no início da jornada, como observei em um texto por aqui, mas age permanentemente sobre a vida do cristão.  Inclusive, o cristão só faz "obras" por causa deste amor dadivoso.  Mas, observe, não são estas obras a causa ou o fator condicionador para a redenção dos homens e sua salvação eterna.  A causa sempre será e deve ser os méritos de Cristo em seu magnífico sacrifício.

Então, legalismo é toda tentativa de se tornar aceito por Deus fora dos méritos de Cristo e da ação da graça de Deus.  Se alguém alega que para permanecer na graça deve obedecer a Deus, tal pessoa é legalista.  Pois não reconhece que um cristão só permanece na graça por causa da graça mesmo.   Uma pessoa que "caiu da graça" é uma pessoa que afinal, nunca foi alcançada por ela. 

Por isso, é tão comum perceber entre pessoas que baseiam sua espiritualidade neste legalismo "soft" um tipo descentralização de Cristo.  Jesus é colocado apenas como um modelo a ser imitado, mas não como o agente mesmo para uma vida santa.  A vida santa acontece por causa de Jesus, dele emana toda graça para uma obediência grata.

Jesus afirmou claramente: "sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5).  Então, deve-se deixar claro, que a ausência de frutos é um indício sério de que alguém não foi alcançado pela graça.  E a presença de frutos pode ser o indício de que fomos introduzidos na presença do Pai e que Ele agora opera em nós "o querer e o realizar".  Porém, dizer que é pelos "bons feitos" que os homens serão aceitos e obterão graça para continuarem na "aliança" ou "permanecerem salvos", é novamente, obscurecer o motivo central pelo qual nos mantemos de pé: Jesus Cristo.

O problema do legalismo, seja em qual formato, é que ele sempre coloca uma tensão sobre os homens, desfocando Cristo como o agente (autor e consumador) da fé.  Se um dia estivermos perante Deus, e se hoje, sou aceito perante o Pai em oração é por causa de Jesus, não por causa de alguma coisa que faço ou deixo de fazer.   Deus não me ama mais do que meu irmão, por causa de uma piedade pessoal mais elevada.  Deus nos ama igualmente por causa da piedade e intercessão de um só que é Jesus Cristo.

Se obedecemos, o fazemos por causa do Espírito de Cristo (I Pe 1:11), logo, é Cristo o agente desta obediência.  Foi para boas obras que fomos criados (Ef 2:10).  Entretanto, obras pautadas nos méritos de Jesus e não em um esforço autônomo.  Obras que galardoam, por terem sido feitas por e em Cristo.  Mas, quando estivermos perante Ele, será porque o que Jesus fez foi bom o suficiente para nos colocar lá. 

Enfim, por que Deus fez as coisas assim?  A resposta de Paulo é categórica:  "para que ninguém se glorie!" (Ef 2:8 e 9).  O problema do legalismo é que ele desvia a glória de Deus.  O antídoto?  Reconhecer que tudo é por graça.  

Se há alguma parcela de feitos humanos aí envolvidos na justificação, santificação ou glorificação dos santos.  Ou mesmo, uma combinação de ambos (sinergismo).  A glória não é toda Cristo, mas dividida entre Cristo e os homens.  Uma contradição interna à natureza do evangelho.  Um cristão, por isso, é movido por fé e confiança obstinada e graciosa, que Cristo é poderoso para o transformar, no Espírito Santo, no que ele é (de glória em glória).  Transformação operada a partir da clara e eficaz obra salvadora que foi realizada em nós por meio de seu perfeito sacrifício.

Soli Deo Gloria!
22 de jul. de 2012 | By: @igorpensar

Cristo é a fonte da santificação

Por Igor Miguel

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,  nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graçasCuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;  porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade. (Cl 2:6-9)
Uma das inquietações mais comuns entre cristãos que querem viver Cristo é sobre como desfrutar de uma vida santa.  Um cristão realmente regenerado e justificado pela fé se interessa por respostas reais e recursos para viver a liberdade de uma vida dedicada a Deus.  Enquanto para muitos, os mandamentos de Deus podem parecer penosos, para um cristão verdadeiro há um interesse profundo em desfrutar de uma vida plena sob a "lei da liberdade" (Tg 1:25 e 2:12), que é a "lei de Cristo" (I Co 9:12).

Porém, devemos localizar a santificação dentro do que chamamos de doutrina da salvação.  Gosto do conceito cristão clássico-reformado de ordo salutis (ordem da salvação).  Um recurso didático-teológico que nos ajuda a entender como a salvação opera, e como ela envolve vários processos internos, que basicamente são:

1. Eleição/Chamamento
2. Regeneração ou novo-nascimento;
3. Conversão: arrependimento e fé;
4. Justificação (imputação da justiça de Cristo no pecador);
5. Santificação;
6. Glorificação.

Tais aspectos não devem ser entendidos, necessariamente, em ordem cronológica ou períodos estanques isolados uns dos outros, mas como um movimento complexo e interdependente entre suas partes.  Tendo isto em mente, é importante mencionar que uma peculiaridade da doutrina reformada é que ela coloca a regeneração como um aspecto básico (pré-requisito) para a conversão.  Este é um detalhe importante, pois outras correntes cristãs consideram a regeneração (novo nascimento) como resultado da fé e do arrependimento, enquanto a perspectiva reformada propõe exatamente o contrário.

A tradição reformada parece ser a mais compatível com a doutrina apostólica na compreensão da regeneração.  Afinal, não é possível se arrepender e ter fé enquanto se está espiritualmente morto.  Como é possível algum tipo de consciência sobre o pecado e a justiça de Deus sem que primeiro o indivíduo liberte-se da inconsciência causada por sua alienação de Deus?  Por isso, Paulo, em Efésios 2:1, atesta que 'Deus primeiro nos deu vida quando estávamos mortos em nossos pecados'.  Sem esta "nova vida" (a regeneração) não é possível se "arrepender" ou "crer".  Só se tem consciência de que se estava "morto em delitos e pecados" quando se sai da "tumba".  Sem esta consciência do pecado e da morte não é possível arrependimento e fé no sacrifício substitutivo de Cristo.  Logo, a regeneração é um pré-requisito para o arrependimento pelos pecados e consequentemente a fé em Cristo.

Com a regeneração (nascer da vontade de Deus - João 1:1 e seg.), que é quando nos tornamos filhos de Deus (adoção), nos arrependemos conscientemente  e recebemos o dom da fé para lançarmos nossa irrestrita confiança na perfeita obra de Cristo.   Uma vez que confiamos e abraçamos tudo que Jesus fez e assumimos que a obra na cruz foi suficiente e é verdadeira, Deus o Pai, nos atribui a justiça de Cristo, ou na linguagem bíblica, nos "imputa" a justiça dele.  
Nós, judeus por natureza e não pecadores dentre os gentios,  sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.  (Gl 2:15-16).
Uma vez justificados e unidos com Jesus pela fé, desfrutamos de sua graça de forma constante.   O Espírito Santo que nos é comunicado por meio desta relação, desta união com Cristo, é o grande despenseiro desta graça.  Os teólogos chamariam esta unidade entre o cristão e Cristo de "união mística".   Seu significado é que ao se crer em Jesus, pelo Espírito Santo, a retidão e santidade dele é comunicada ao pecador, que tem, em contrapartida, sua condição pecaminosa, agora, atribuída a Cristo, no seu sacrifício substitutivo (propiciação).

Da união com Cristo, além da obra justificadora, dá-se início o processo de santificaçãoA santificação é a obra do Espírito Santo que progressivamente, de "glória em glória" (II Co 3:18), conforma o homem justificado à semelhança de Jesus. Aqui chegamos a um ponto central:
Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.  (I Co 6:11)
Há cristãos que vivem em constante tensão, pois acabam sendo tentados a achar que conseguem se santificar como se tivessem força ou recursos próprios para isto.  Mas, na verdade, esta dedicação a Deus de uma vida cada vez mais livre do pecado, que é a santificação, depende de uma única fonte: Jesus Cristo.

A proposta desta reflexão é reafirmar de forma clara que não existe santificação fora de Jesus e sua suficiência.  Não existe poder para uma vida indissolúvel e íntegra fora da constante união com Cristo.  Ele é a fonte inesgotável (I Co 10:4), ele é o pão que desceu do céu (Jo 6:51), ele tem a água que mata a sede (Jo 4:10), ele é a videira verdadeira (Jo 15) e assim por diante. 

Não há autêntica santificação sem renovada fé em Cristo (At 26:18).  Já dizia o apóstolo: é de "fé em fé" (Rm 1:17).  Por este motivo, cristãos devem frequentemente renovar sua fé em Jesus, eles devem reavivar sua lembrança e refrescar sua existência (renovação da mente - Rm 1:1-2) a respeito do que Jesus fez, quem Ele é, e o motivo de se ligar a ele.  A fé em Jesus é uma constante afirmação, uma renovação credal, de que estamos ligados, radicados e edificados nele (Cl 2:7).  Só há santidade, se Cristo mesmo for a causa e o combustível para tal santificação.
"Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim" (Jo 15:16)
Temos recursos na graça que de Jesus procede pelo Espírito para que sejamos santificados.   Cristo por meio do Espírito Santo opera e testemunha em nós.  "Cristo em vós",  já dizia Paulo, a "esperança da glória" (Cl 1:27).  A fé em Cristo é correspondida com recursos e dádivas para darmos prosseguimento.  Para este fim, devemos nos expor mediante a fé aos meios de graça pelos quais desfrutamos mais de Cristo, eles são: a Palavra, o sacramento da ceia, a vida comunitária, a oração, a adoração e tantos outro recursos disponíveis pelo Espírito Santo.

Finalmente, receba este convite de ser como uma "árvore plantada junto a ribeiros" (Sl 1:3; Jr 17:8).  Cristo é fonte de nossa constante nutrição.  Distanciar-se dele, deixar de pensar e viver nele, é cair em uma rotina mórbida, de secura e aridez espirituais.  Você pode falar muitas coisas sobre a Bíblia e religião, mas não passará de um tagarela hipócrita, sem nunca desfrutar da vitalidade e da nova vida que Jesus oferece.
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.  Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.  E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. (Jo 17:17-19)
13 de jul. de 2012 | By: @igorpensar

A Mulher Sírio-Fenícia


Jesus vai ao território estrangeiro da Fenícia.  Nesta região, uma mulher estrangeira, de origem sírio-fenícia, cananeia, solicita de Jesus a libertação de sua filha possessa de um espírito imundo.  Jesus deixa claro que ele veio para os israelitas, mesmo sob tal impedimento, a mulher solicita de Cristo que ela não precisa do "pão", mas apenas das "migalhas".  Jesus comove-se com a fé da mulher e neste evento emerge um tema importante em todo Novo Testamento: a participação de não-judeus na Nova Aliança que Cristo inaugurou em seu sangue.  Uma nova comunidade emerge de Jesus, uma nova cidade, onde não há qualquer distinção étnica, social ou sexual, todos, formam uma família de filhos de Abraão mediante a "semente" da promessa, que é Jesus.

10 de jan. de 2012 | By: @igorpensar

Graça do início ao fim

Por Igor Miguel

Paulo foi categórico: há o Evangelho e "evangelhos".   Uso "evangelhos" associado àquelas falsas versões do verdadeiro Evangelho, as quais Paulo classificou de "anátema", ou seja, maldição.  Paulo era tão zeloso pelo Evangelho, que chegou a afirmar que mesmo um "anjo" vindo do céu pregasse outro evangelho, que não fosse o que ele anunciava, que ele deveria ser tratado como algo espúrio e desclassificado.
Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo.  Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.  Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. (Gl 1:6-9)
Agora, gostaria de mencionar como exemplo, um outro evangelho que vem sendo pregado.  Destaco um caso isolado, que esporadicamente aparece nos púlpitos das mais diversas comunidades cristãs, e que tem afetado a espiritualidade de milhares de pessoas.  O evangelho da compensação, o evangelho do "preço" e do fardo religioso.

Tente detectar o problema das sentenças abaixo, afirmadas por um determinado pregador que escutei recentemente:
"A verdadeira graça se paga um alto preço. [...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação." 
Antes de darmos um tratamento bíblico e apostólico a esta afirmação, seria importante deixar claro que o termo "salvação" é uma referência a toda obra redentora que Deus realiza no pecador, do início ao fim, tendo em vista o resgate do homem caído até conduzi-lo à vida eterna e inclui:  o novo-nascimento (regeneração), a conversão, a fé para justificação, a santificação e a glorificação final.  Então, seria errado, concentrar a doutrina da "salvação pela graça", como se esta graça operasse apenas no início da obra salvadora (conversão) e depois, fosse como se Deus entregasse o resto aos cuidados do homem ou em cooperação com as obras humanas autônomas.  Façamos uma fórmula:
  • Salvação = regeneração + conversão + justificação + santificação + glorificação
Com esta definição em mente, voltemos à afirmação do pregador.  Em primeiro lugar, há um problema de linguagem por trás da afirmação do pregador.  Ele desrespeita um princípio básico da interpretação bíblica: o significado da própria expressão "graça".  Graça tem o sentido (tanto no grego como no hebraico) de "favor", "dom", "dádiva" ou "presente".  Precisamente, por ser "algo imerecido" e "sem preço", tal palavra é frequentemente traduzida para o português com o sentido de "graça", ou seja, um "dom imerecido".   O problema com a afirmação do pregador é que tal "dádiva" está associada a um "preço" ou "custo".

Claro que a ação redentora de Deus em Jesus Cristo, em algum sentido, envolveu um preço: o preço do sacrifício de Cristo.  O problema é que para o pregador, além do preço de Cristo, uma pessoa precisaria também pagar um preço para ter acesso à graça salvadora.

Observe a incoerência: se é "graça" como se pode "pagar um preço"?  Vejamos o que o evangelho apostólico tem a dizer sobre isso:
Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como graça, e sim como dívida.  Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4:4-5)  E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. (Rm 11:6)
Paulo está refutando precisamente o falso evangelho da recompensa.   O que trabalha, ou seja, o que quer ser justificado (importante aspecto da salvação) por "esforço", não pode receber a "graça", pois aos que "trabalham", recebem salário, não graça.  Mais tarde, ainda em sua carta aos romanos, Paulo afirmaria que "graça" é "graça" em sentido absoluto, negar isto, seria cair em um contradição lógica.

Os pregadores do evangelho da recompensa esquecem que "obra alguma" ou "preço algum" podem dar conta da condição vulgar e da condenação que repousa sobre os homens indistintamente (Rm 3:1 e seg.).  Por isso, a única e absoluta forma de ser "salvo" ou "justificado" é pela graça, mediante a fé em Cristo, sem qualquer cooperação das obras humanas.  Somente quando se "crê naquele que justifica o ímpio" pode alguém ser agraciado pela salvação.  Precisamente por esta razão que Paulo ainda diz mais:
Sendo, pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem obtivemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes.  (Rm 5:1-2).
Ninguém pode ser salvo, ou se "mantém firme" em Cristo, se não for pela graça que se tem acesso pela fé.  O texto de Paulo é claríssimo, não há preço a pagar, não há esforço pessoal, apenas graça mediante a fé.  Esta sim, deveria ser a origem e causa da firmeza do cristão e não o contrário.

O problema é que sem a graça, não há obra humana justa.  "Não há um justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus... não há quem faça o bem, não há nem um só." (Rm 3:10-13).   As obras humanas estão comprometidas pela injustiça e o pecado.  Se assim, o é, qual o salário (resultado) de obras manchadas pelo pecado? 
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor.  (Rm 6:23).
Observe que o texto diz "dom gratuito".  Se é gratuito, não é pelo "preço" que se acessa a graça.  Façamos agora, uma comparação direta entre o texto paulino e o que disse o pregador:

Falso Evangelho
[...] E você que quer a graça tem que pagar um preço: a sua renúncia, carregar a sua cruz. [...] Você tem que pagar um preço pela sua salvação.
Evangelho Apostólico
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie.  Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.  (Ef 2:8-10).
Mesmo dispensando maiores explicações, é importante mencionar que, enquanto no falso evangelho claramente foi dito "Você tem que pagar um preço pela salvação", em Paulo é dito, que tal salvação é um dom, e que ele não procede de nada que os homens possam fazer (obras).

Claro que a Bíblia fala sobre a "tomar a cruz" e "boas obras", porém, elas nunca são colocadas como "causa" ou "fatores condicionantes" da salvação.  Ao contrário, as obras ou a obediência são sempre respostas ou efeitos, de vidas na graça.  Só alguém na graça de Cristo pode ter uma salvação que é frutífera:
Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. (Fp 2:12-13).
Preservação e Perseverança dos Santos

O evangelho da graça não é o evangelho da frouxidão moral ou da desobediência, ao contrário, ela transforma "escravos do pecado" em "servos da justiça" (Rm 6).  Como foi dito, para muita gente, a graça e a fé, operam apenas no "início" da obra salvadora.  Como se depois, o homem, de forma autônoma, ou seja, independente da graça de Deus, pudesse obedecer ou se santificar.  Para evitar tal confusão, Paulo afirmava claramente que o mesmo Deus que começou a "boa obra", tem poder para levá-la até sua consumação:
Estou plenamente certo de que aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. (Fp 1:6)
Um das maiores ensinos apostólicos é o que se refere à perseverança e segurança da salvação.  Um cristão que nasceu de novo (regenerado) e foi justificado mediante a fé e salvo pela graça, nunca se perderá ou cairá desta condição (não me refiro aqui a falsos cristãos e a falsas conversões).  Ao contrário, ele terá recursos da graça de Deus para viver uma vida santa e frutífera até a consumação, ou seja, até que toda obra salvadora tenha se consumado na glorificação final dos santos.  Existem diversos textos bíblicos que asseguram que uma pessoa realmente alcançada pela graça, será levada a uma vida santa e alcançará a eternidade.  Jesus afirmou claramente que suas ovelhas jamais se perderiam:
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.  Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. (Jo 10:27-29)
O apóstolo Paulo jubilava diante da segurança da salvação, quando disse: "... porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia." (II Tm 1:12).

Claro que os apóstolos insistiam na exortação a boas obras, a uma vida frutífera e na confirmação da eleição. E deveriam fazê-lo, pois às ovelhas de Cristo, aqueles alcançados por sua graça, não só devem, mas certamente buscariam ardentemente uma vida de feitos que glorifiquem a Deus.  Mas, tais obras, jamais podem ser colocadas associadas ou condicionadoras da salvação.

Algumas pessoas admitem que a obra inicial da salvação é absolutamente por graça, mas durante o processo de santificação, afirmam uma "combinação de graça e obras", para que a pessoa seja mantida no caminho.  Entretanto, o ensino de Jesus e dos apóstolos é que não há como se santificar ou obedecer sem que a graça de Deus também conceda recursos para isto.  Ou seja, há graça no novo nascimento, na conversão, justificação, santificação e glorificação dos santos.  Não há boas obras nos santos que não sejam causadas pela graça.

Por outro lado, é óbvio que a simples confissão verbal não significa regeneração automática, a confissão deve ser acompanhada de fé autêntica.  Por esta razão, pessoas que confessaram Jesus e vivem uma vida embaraçada e escravizada pelo pecado, deveriam questionar se um dia foram regeneradas de fato.  Mas, jamais, deve-se colocar tensão em suas obras como "causa" ou o elemento que o manterá na condição de graça.

Se somos exortados à obediência e não queremos obedecer, ou se vivemos embaraçados na escravidão do pecado, deveríamos questionar se fomos salvos, e não ficar condicionando a salvação a nosso desempenho.  Afinal, se uma pessoa realmente bebeu da água que Jesus oferece é guiada incrivelmente por sua graça a viver uma vida crescentemente consagrada e frutífera.

Um cristão na graça é um cristão que ancorou sua existência na Nova Aliança, que os profetas reconheceram (Jr 31:31 e seg.), que envolvia a regeneração e a inscrição da Lei do Senhor nos corações.  Aliança em que o próprio Deus por seu Espírito faria com que seus filhos vivessem uma vida de crescente obediência a Deus:
Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne.  Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis. (Ez 36:26-27)
Quem não se encheu de alegria ao se ver livre de um determinado vício ou pratica pecaminosa, ainda não sabe o que é a "alegria da salvação", ainda não desfrutou da dádiva do Espírito de obediência e santidade outorgado por Deus em Cristo na Nova Aliança.

Graça envolve a Glória de Deus

Por que tudo é por graça?  A resposta de Paulo seria: "para que ninguém se glorie" (Ef. 2:9).  Deus não divide sua glória com ninguém, se a salvação for uma combinação entre a "obra de Deus" (graça) e "obra dos homens" (obediência sem graça), ninguém pode dar toda glória a Deus pela obra da salvação.  Pois por mais incrível que tenha sido a misericórdia e a obra de Deus no Cristo crucificado, esta obra o tempo inteiro, fica dependendo do desempenho e das obras daquele que quer salvo.  Isto seria exatamente o erro romanista combatido pelos reformadores e o legalismo combatido por Paulo entre os judaizantes do I século.

Se a obra de Cristo para salvação estiver condicionada aos feitos dos homens, a obra de Cristo é menor do que se imagina e Deus é incompetente, contrariando a revelação das Escrituras que o descreve como o Todo Poderoso.  Agora, se podermos olhar para Jesus como o "autor" e "consumador" da fé (Hb 12:1 e seg.), saberemos que a obra de Jesus foi magnífica o suficiente, para "começar" e "terminar" a obra que ele deu início.

Temos recursos na graça de Deus, e somente nela, 100% nela, para vivermos uma vida santa, obediente e frutífera.  Se não temos obtido tal recurso, devemos recorrer ao evangelho e "provarmos nossa eleição no Senhor" (I Pe 1:10 e 11).  Mas, certamente, uma vez que a graça de Deus tocou um homem morto em seus delitos e pecados, e o levantou de seu cativeiro, e se esta foi uma obra de Cristo, e se ele é "ovelha" de Jesus, ninguém poderá arrebatá-la.  Nada poderá separar este salvo do amor de Deus, como foi dito:
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.  Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.  (Rm 8:37-39)
Porque o fardo?

Muitas pessoas por causa de uma compreensão errada da salvação, vivem em permanente estado de tensão espiritual, pois não sabem lidar com sua condição diante de Deus.  Por causa do evangelho da compensação e da insegurança, veem-se frequentemente em uma condição de "medo" ou de "bipolaridade", como se estivesse simultaneamente no "céu" e no "inferno".  A única forma de escapar deste medo é crer, confiar, de forma plena, na suficiente e grandiosa obra de Cristo.  Renunciar a pretensão e o orgulho de que se pode "cooperar" para a obra perfeita que Deus realizou em Jesus.   Somente assim, o Senhor abrirá o túmulo deste "morto" (Ef 2:1 e seg.), removerá a condenação, justificando-o e lhe será derramado o Espírito Santo, auxiliador e sinal de nossa filiação divina.

Considerações Finais

Assim, fica claro que qualquer outro evangelho pregado, distinto deste deve ser absolutamente descartado. O evangelho apostólico assevera a absoluta ação de Deus, do início ao fim, e que toda obra salvadora é obra da graça.  E, se você, leitor, sente-se sob tal pressão legalista e compensatória,  e vive em permanente luta interna, cheio de dúvidas sobre sua condição, esta é a obra de Cristo, o selo do Espírito Santo, creia simplesmente na obra realizada por Cristo.  Esta é a única obra que pode te introduzir definitivamente no Reino de Deus em plena segurança e que inscreve os preceitos de Deus em seu coração, desfrutando da Lei da Liberdade (Tg 1:25).  Guarde bem as palavras de Paulo a Tito quando disse:
Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.  Fiel é esta palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação, confiadamente, para que os que têm crido em Deus sejam solícitos na prática de boas obras. Estas coisas são excelentes e proveitosas aos homens. Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não têm utilidade e são fúteis. (Tito 3:4-9).
Soli Deo Gloria!

1 de dez. de 2011 | By: @igorpensar

Eleição Incondicional

John Piper explica em uma aula leve, objetiva, explicativa, inspirativa e claríssima sobre a magnífica forma com que Deus nos elegeu em Jesus Cristo antes da fundação do mundo por graça irresistível.  E nos chamou para vivermos uma vida santa e irrepreensível em gratidão.  

18 de nov. de 2011 | By: @igorpensar

Onde estás?

Por Igor Miguel


"E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?"  (Gn 3:9).


Eu sei, você é igual a mim.  Se te achas melhor, ainda não chegastes ao conhecimento real de si mesmo.  Sabe quem é você?   Você é fundamentalmente aquilo que tua alma se revelou nos dias de teus pecados mais sombrios, daqueles erros que te causam vertigem só de pensar.  Sim, naquele dia experimentastes o limite da maldade que está em teu coração.  Tocastes os lugares mais sombrios da queda do homem e quase em uma reapresentação, sentistes a mesma vergonha de Adão e Eva, em fuga, te escondestes por entre as folhas do jardim.

Agora, em exílio, ainda sob um olhar saudosista, vês o jardim de leveza, liberdade e realização ficando pra trás.  E o que tens pela frente?  Uma vida de fuga, apenas permanente fuga.  Daí para frente, no exílio, no cativeiro de tua vergonha, viverias cada dia de sua vida, criando meios para se esconder.  De folhas de figueiras, farias cercas.  De cercas, tu farias muros.  De muros, fortalezas.  Desta forma, usarias de toda habilidade que lhe fora concedida por graça, um meio de elaborar estratagemas cada vez mais sofisticados para esconder tua nudez.  Sim, esta que te envergonhas, e com tua moda e teu orgulho persistes em se esconder.

Se temes em continuar este texto, tenhas certeza, é seu "eu" real, seus sentimentos mais primitivos, que foram treinados por gerações a se esconder, querendo reagir de novo à insuportável presença da verdade.  Ele não quer ser pego de surpresa e não quer ter sua vergonha exposta.  Sim, este é o teu lado mais sombrio, resistindo.  Mas, arisque-se em se conhecer.

Para mostrar o quão perverso tu és, ainda que insistes em se orgulhar de sua própria caridade, seu status, sua vaidade e seu desejo por poder, sua aparência religiosa ou de bom pai, ou bom marido, não preciso ir muito longe para denunciar sua vergonha, que é vergonha de todo homem.  E inescapavelmente todos, sem exceção, possuem bem registrado em sua caixola, emblemáticos encontros com o mal.  Momentos de extrema maldade, as vezes em proporções tão subjetivas e tão privadas, que não podem ser denunciadas como uma "mal público" como o que acontecera com o genocídio nazi-fascista.  Não é necessário ir tão fundo, basta buscar reminiscências de sua infância, adolescência ou mesmo no dia de ontem, para trazer à consciência sua condição original.

Para ilustrar, permita-me citar uma cena do filme Árvore da Vida de Terrence Malick de dar calafrios.  Refiro-me, ao menino Jack, o mais velho, quando segura um bocal de um abajur, sem lâmpada, e pede que seu irmão encoste um arame desencapado na parte interna do bocal.  O irmão mira-lhe os olhos, querendo ter fé suficiente para aceitar o desafio.  O irmão mais velho persiste desafiando-o.  Até que ele tem coragem e encosta o arame no fundo do bocal.  E para surpresa e ansiedade de quem assiste o filme, nada acontece.  Nenhum choque.  O que era previsto, simplesmente não acontece.   Entretanto, em outra cena, Jack desafia novamente seu irmão, agora com uma espingarda de ar-comprimido.  Solicita-o que coloque um dos dedos sobre o cano da arma, e que confie.  Ele olha para seu irmão mais velho, com o mesmo olhar do desafio anterior.  Teme, mas hesita por menos tempo, até que coloca o dedo sobre o cano.  Só que desta vez, o irmão mais velho aperta o gatilho.

Não precisamos mostrar um campo de extermínio para chegarmos a conclusão honesta que temos algum problema.  Que ao mesmo tempo que somos geniais, somos genialmente perversos.  Que todas as vezes que articulamos nossas habilidades, viciosamente o fazemos para algum fim que ainda não é bom.  Talvez alcancemos algum fim "socialmente bom", mas não há coisa que façamos, cujas intensões não estejam manchadas por algum auto-interesse, egoísmo, orgulho, moralismo, afeição própria e este é o fardo da vergonha.  O fardo do exílio de nossa desobediência.

O grande erro é que insistes em terceirizar teus erros.  Precisamente como fez Adão, quando transferiu sua responsabilidade expondo sua parceira.  Mas, o movimento é sempre fugir da luz divina.  Sempre se esconder da exposição.  Sempre esta manobra barata e quase inconsciente, que viciosamente fazes.  

O único tratamento honesto a ser dado neste caso é admitir-se cativo, assumir o fardo de sua limitação, é sair das folhas de figueira e do mundo escuro que vives.  Podes te assustar com a quantidade de chagas sobre seu corpo, de úlceras e escaries, mas sem exposição, não serás curado.  Sem te colocares diante da luz e acertares com teu Criador, nunca terás a leveza do único que pode expor tua condição e assim te dar a dimensão de sua necessidade.

Sempre me perguntei: para o Filho de Deus vir ao mundo e morrer vergonhosamente na cruz, isto só pode significar que a queda foi muito maior do que se imaginava.  A encarnação teve implicações cósmicas absurdas.  De fato, se a operação de resgate do homem foi desta proporção, daí dá para se ter uma ideia do buraco que cada indivíduo caiu.

Acho que está suficientemente claro que o ser humano se encurvou em si mesmo e que se tornou cativo de seus próprios artefatos e artimanhas.  Não há tecnologia, auto-ajuda, espiritualidade, fervor religioso ou performance moral, que possa dar conta de sua condição.

Tu és, como todos nós somos, teimoso, insistentemente teimoso.  Você não dá conta, te enrolas em teu esforço próprio, em seu próprio desempenho. Amas mais tua imagem própria e reputação, do que a Deus.  Teu Cristo é tua imagem pública.  Esquecestes que o Filho de Deus sacrificou-se para mostrar sua vergonha e curá-la.  Mas, ainda tens muita justiça própria, por isso ainda não conseguiu abraçar a justiça de Deus.   

Talvez, seu vício em fuga, a esta altura, insista em dizer, que isto é para "não-religiosos" ou "não-cristãos".  Não! Insisto, isto é para pessoas pecadoras como você, eu e nós.  Que sempre renovamos nossa esperança naquela obra redentora, sempre lembrando que sem Cristo, somos pessoas "vendidas para o pecado".

Tuas obras são manchadas pelo pecado, renuncie-as, e abrace a magnífica e suficiente obra que Cristo realizou.  Por isso é de graça, pois você não teria dinheiro, capacidade e recursos para pagar sua culpa.  Por isso é pela fé, pois não se baseia em suas habilidades e desempenho.  A cura está em abraçar o mistério da cruz e receber a graça da salvação em Jesus Cristo.  Que se expôs em um drama tosco, puro absurdo!   Não tinha outro jeito, sem a absurdidade de sua morte, você nunca seria tirado da obviedade de sua vergonha.

Em Cristo, 3 coisas ficam claras:

1) Não há privilégios pessoais, todos pecaram, indistintamente.  
2) Ninguém tem recursos para buscar a Deus, sem que Deus se volte pra ele.  
3) Que uma vez em Cristo, nossos feitos, se forem bons, não são nossos, são de Cristo.  

Pois como ele mesmo disse:
"Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5)
Sim, pelo fruto conhecereis a árvore, e a árvore a ser conhecida é Cristo, nossa videira verdadeira.  Do esconderijo entre as folhas, agora ramos bem enxertados na videira que é Jesus.  Unidos nele, em sua suficiência e centralidade, sem se esconder, confessando sempre dependência de sua graça e amor.  Estar em Cristo é não ser perturbado com a pergunta: "onde estás?".  Pois, estar em Cristo, é estar no lugar certo, é antecipar o retorno pra casa.  O retorno do exílio de volta ao jardim de paz.
20 de set. de 2011 | By: @igorpensar

Crianças diante do Criador

Por Igor Miguel


Não quero que meus filhos brinquem que Deus é um ser imaginário, fruto do acaso e da decepção com o tempo.   Quero que brinquem com Deus mesmo, que rolem no chão ao rirem de suas proezas, chorem desnudados diante de sua absoluta pureza e se emocionem com sua habilidade em confundir as probabilidades.

Quero vê-los correndo sobre grama verde e sentirem o vento como um hálito soprado por Deus.  Que sejam tomados de assombro quando os relâmpagos rasgarem os céus em estrondoso e tardio trovão.   Quero que sejam visitados por sua presença em noites silenciosas, sintam as letras do Livro Sagrado cuja sacralidade procede de seu admirável conteúdo.  

Gostaria de me ver em meus filhos rompendo em olhar curioso o rumo das gaivotas, e cheios de senso de sentido, perguntarem o destino da revoada.  Que eles lancem os olhos em noite escura para um céu infestado de estrelas exibidas, brincando de ligação de pontos, procurando por ordem ao que parece arbitrário e aleatório.

Que meus filhos se deixem encantar.  Que sejam cheios de gratidão por verem um mundo tão excitante e tão cheio de vida.  Mesmo no drama da dor e da perda, que saibam dar graças, pois mesmo a perda e a morte não podem dar cabo da vida que ainda floresce.

Que juntem mãozinhas em sinal de gratidão e digam com toda doçura: "papai do céu."  Que vejam no "papai deles", este sujeito trôpego e vacilante, o olhar que o Senhor do Tempo lhes dirige, mesmo quando ele - o pai deles -  não pode mais vigiá-los.

E que finalmente, se descubram maculados e percebam, o mais cedo possível, que nasceram com defeito.  Que não podem muitas coisas, que são egoístas, iracundos, ressentidos e ambiciosos.  Que descubram rápido que o vaso é belo, mas está trincado.   E finalmente, ao serem tomados pela vergonha de sua própria condição... que possam correr para a cruz.  E lá, ao abraçarem o Filho com fé inabalável, que se encontrem com o verdadeiro Pai, com Aquele que verdadeiramente os amou.  E assim, quando já estiverem jovens e independentes, que corram sob grama verde, como no início, e voltem a ser crianças recém chegadas ao mundo... ao novo mundo que Deus inaugurou.
E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.   E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. (Mt 18:2-3).
4 de jan. de 2011 | By: @igorpensar

O Diabo está certo, mas...

O Diabo está certo, mas sempre se esquece do refrão...
Ouça e assista isso! Cuidado! Isto pode mudar sua vida pra sempre.

13 de out. de 2010 | By: @igorpensar

A salvação pertence ao Senhor

Por Igor Miguel
Escrevi um texto teológico sobre a revolução que aconteceu em minha mente e coração a respeito do que é o evangelho e como ele se opera. Nenhuma novidade que os teólogos clássicos e os cristãos já afirmavam desde a reforma protestante. Este texto é uma tentativa de apresentar o evangelho de Jesus Cristo de forma mais simples, porém, com toques em pontos fundamentais para que possamos prosseguir à plena compreensão de Deus em Jesus. Peço perdão se não fui claro no primeiro texto, ele está em uma linguagem excessivamente teológica, talvez necessária. Mas, este tem um tom de “discipulado”, uma linguagem mais catequética, espero conseguir compensar meu egoísmo em não trazer tão grande evangelho em termo mais compreensível.
O objetivo modesto desta exposição é apresentar o evangelho à luz da Carta de Paulo aos Efésios capítulo 2 do verso 1 ao verso 10. Sei que muitos fariam esta apresentação de forma muito mais competente. Mas, proponho uma abordagem simples e didática, tendo em vista que o evangelho, como é descrito nas Escrituras, alcance o maior número possível de pessoas. Estou convencido de que a crise da Igreja Evangélica no Brasil se deve principalmente a falta de compreensão do que é o evangelho. Este pequeno texto tem este propósito, comunicar a suficiência do evangelho e da graça em Jesus Cristo para que o homem seja salvo e colocado em uma nova realidade e vida.
ou
Escute também em áudio na íntegra






3 de out. de 2010 | By: @igorpensar

Salvos por Sua Determinação

"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho." (II Tm 1:8-10).

É Ele quem faz a obra, não você...
25 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Sobre Quando Nasci

Por Igor Miguel

Deixe-me dar um pequeno testemunho. Aos meus 17 anos fui surpreendido com Cristo, mesmo tendo crescido em um lar relativamente cristão, eu era uma fanfarrão, como já me chamaram por aqui. Eu era como os da minha idade, um jovem perdido e achando que a vida não passava de superficialidade, imediatismo e inconsequência. E pior, já estava parando de pensar no hoje, o que dirá no amanhã.

Por uma articulação misteriosa, por uma ação divina sem proporções, acima de toda lógica, cálculo, ou racionalizações, fui conduzido a perceber uma música tão harmônica e tão feliz, que não seria possível ater-se muito tempo nela, sem cair-se em prantos em um misto de profundo arrependimento e alegria. O mais assustador, é que aquela música sempre esteve ali. Como um código oculto que depois de descriptografado trás uma mensagem capaz de estourar uma outra guerra mundial.

Imagine, eu jovem, aos meus 17 anos, sob o impacto de uma verdade absurdamente real, mas igualmente absurdamente supra-racional, acima de qualquer lógica humana, tentar traduzir o intraduzível para as pessoas.

Na ocasião, como hoje, sentia-me aquecido e tomado pela vontade de apenas anunciar a supremacia, a riqueza, a grandeza e a extensão daquela música misteriosa.

Foi lá, em uma oração, em um montanha em Cabo Frio, que descobri a diferença entre um homem que olha pra cruz e diz: "-- Coitado daquele cara. Que pena, bateram tanto nele..." e o outro homem "-- Quem deveria estar lá era eu, mas foi em meu lugar. Seguirei e viverei tudo que este homem significa".

Pois é, meu caso é o segundo, e surpreenda-se, não quis segui-lo da forma que a maioria dos cristãos fazia em minha época, quis conhecê-lo, quis entender sua língua, sua cultura, seu jeito, seu povo, sua gente, experimentei isto, até quase me perder nesta compreensão e de repente fui emergido, erguido.

Surgi dentre os cacos de minha autonomia religiosa, sob prantos e gritos de alegria, ao descobrir o misterioso amor, intraduzível amor, que um dia me chamou pelo nome e disse: " -- Você é meu."

Soli Deo Glória.
6 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Mano Véio

Por Igor Miguel

Legenda:
E: Evangelista
J: Jovem Pós-Moderno


E: - Qual é maluco? Tudo bem?
J: - Qual é! Só...
E: - Mano. Tenho uma coisa punk pra te falar. Cê tá ligado?
J: - Só véio. Pode mandar ver!
E: - Véi. Você já se ligou sobre o sentido de sua vida cara? Por que você faz o que faz?
J: - Ah... sei lá! Porque é uma curtição... É bom curtir a galera. Pegar umas menininhas. Sacou?
E: - Saquei. Mas... "é bom" em que sentido? Como assim, "bom".
J: - Cara, é bom véio. Fala que você não acha bom?
E: - Mas e aí? Você se sente realmente legal com isso? Você não acha que tem um lance além disso?
J: - Cara, sei lá. Só sei que é bom curtir.
E: - Beleza cara. Você já imaginou perguntar para um canário em uma gaiola o que ele acha de sua vida? Vamos chutar. O que você acha que ele responderia se pudesse?
J: - Sei lá. Tipo... Me tira daqui!!!
E: - Cara, eu acho que não. Acho que o canário diria algo como: - Cara isto aqui é a maior curtição. É muito bom ficar aqui. Tem comida toda hora, água fresca, tem até uns poleirinhos que fico pulando de um lado e pro outro. Eu canto, sinto o vento as vezes, vejo outros caras cantando lá fora. Mas, eu curto. Tá bom aqui. É legal.
J: - Pô véio! Que canário burro! Tem mó ar livre lá fora, ele pode curtir a vida, voar pelo mundo todo. Achar comida por aí numa boa.
E: - Pois é meu véio. O que achamos que é liberdade, nem sempre é liberdade. Ficamos tão distraídos com "poleiros", "comida" e "água", que esquecemos que estamos em uma gaiola, e achamos isto é a maior curtição. Estamos tão distraídos com a galera, a balada e a mulherada, que esquecemos que há liberdade lá fora. Que há vida além das grades da gaiola.
J: - Como assim?! Me fala mais sobre isso!
E: - Mano. Nós homens somos avacalhados por completo. Somos idiotas e vivemos o tempo inteiro arrumando um jeito de nos distrair e não tratarmos com a sujeira que escondemos debaixo do tapete. Tá ligado? E o tapete é a distração, a curtição. Todos os dias arrumamos um monte de distrações para não encararmos nosso fedor. E ficamos como micos amestrados, canários na gaiola, hamsters na rodinha, achando que aquilo é a maior liberdade, quando é a maior estupidez. E ainda por cima, nos achamos descolados. Isto é muito tosco véio, muito tosco.
J: - Mas, o que a galera maloca [esconde]?
E: - Cara. Geral esconde o pecado, a sem-vergonhice e a sujeira. E isso tem uma raiz. Se a gente não encara esta parada malocada da forma que ela é, vamos viver o resto da vida nesta ilusão, achando que é malandro, mas é uma pilantragem geral.
J: - Eu não tenho nada disso não mano véio, aqui, to de boa, to limpo!
E: - Tá de boa nada! Você é igual a mim, você não é melhor do que eu, somos todos um bando de vacilão. Tá ligado? E só tem um jeito de resolver esta parada. Você fraga?
J: - Não. Qual é desta parada?
E: - Cara. Jesus Cristo foi um judeu dá pesada. Ele é diferente da turma de sua época. Ele era um cara que sabia viver de uma forma, que a galera o cercava para saber quem era aquele filho de carpinteiro. Ele sempre dizia o que ninguém esperava. Sempre vivia fora do sistema, fora do que os alemão queriam. Jesus era tão brother, tão brother. Mano, ele amava tanto a galera, que Ele morreu pelo homem, sem culpa alguma, só pra denunciar, eliminar, tudo aquilo que caras como eu e você fazemos.
J: - To chocado!
E: - Pois é cara. Se liga só. E a parada é que Ele morreu na cruz e surpreendeu todo mundo com sua ressurreição. Mano, Jesus apareceu pra uma turma da pesada, os caras se arrependeram, por terem deixado ele na mão, e ainda falou com o dedo-duro de um de seus brother, um mano véio chamado Pedro, geral se arrependeu. Cara, a turma vibrou tanto com sua ressurreição, aquilo foi tão forte, que a galera quis viver aquele estilo de vida. Descobriram que eram "canarinhos distraídos" e saíram pelo mundo vivendo aquele barato para além da gaiola, ensinando mais gente a respeito disso.
J: - Que doideira esta lenda!
E: - Pois é. Muita gente diz que é lenda. Geral tenta negar isto. Mas, se quer saber... Quando a gente entende esta história, parece que alguma coisa na gente diz que é verdade. Alguma coisa queima no coração e começa mostra nossa condição suja. Aí véio, a única opção é se arrepender de verdade. É admitir que pecamos mesmo, que somos fanfarrões mesmo, e que sem Jesus, sem o que ele fez por nós, sem o amor dele, nós estamos na lama! Do contrário, vamos viver na gaiola. Tá ligado?
J: - Então o que faço cara? Me ajuda aí!
E: - Arrepende véio! Arrepende! Admite que você tá perdido! Admite, que você quer ser livre. Que Jesus Cristo faz sentido e que você quer ajuda. Você quer o amor dEle, a graça dEle. E pula pra dentro! Deixa Ele cuidar de você.
J: - Cansei véio. Quero uma nova vida. Quero mudar cara! Quero mudar...

"Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus
o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo."

(Carta de São Paulo aos Romanos - Capítulo 10, verso 9).
3 de ago. de 2010 | By: @igorpensar

Salvação pela Graça

Por Igor Miguel

Espero que este texto seja o primeiro de uma série de impressões sobre os fundamentos do evangelho e as conexões existentes entre a fé cristã em sentido estrito e suas origens no judaísmo. Quando digo, "sentido estrito", afirmo que a fé cristã deve ser considerada como um movimento legítimo de acolhimento das nações não-judias em Cristo. Porém, devido a sua diversidade confessional e teológica durante a história e os diversos ambientes culturais em que se instalou, alguns ramos do cristianismo e algumas tradições inerentes a seu desenvolvimento, acabaram por absorver elementos não-cristãos e não-bíblicos em seu arcabouço. [clique aqui e baixe o artigo completo em PDF]