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25 de mai. de 2015 | By: @igorpensar

Pentecostes: Deus presente!

De acordo com o calendário cristão, neste domingo, rememora-se o Dia de Pentecostes. Para os metodistas, também é o Dia da Experiência do Coração Aquecido de John Wesley. Então, quero lembrar aos caros leitores que Pentecostes é de extrema importância para um mundo que experimenta uma espécie de "ausência do sagrado" (secularização ou desencanto).

A falta da presença física de Cristo, sua ascensão, poderia causar certo desconforto aos discípulos. A expectativa do eminente estabelecimento do Reino de Deus ainda era bem presente enquanto os galileus observavam seu Messias subindo aos céus. Entre a Ascensão e Pentecostes, os discípulos poderiam experimentar uma espécie de "secularismo", por isso, deveriam permanecer em oração aguardando o Consolador, o Espírito Santo. Porém, o Deus que se oculta na glória (Jo 16:16), que tornou-se presente na encarnação, agora se reapresenta no Consolador -- o Espírito Santo .

O Espírito Santo, o mesmo que 'pairava sob a face das águas' quando a terra ainda era caótica, mas prestes a assumir sentido, agora repousa sob os eleitos da Nova Criação. Deus repete o ato criativo: a matéria prima, não é mais o pó, agora é o Cristo Ressuscitado; as águas, agora do batismo; a palavra e a luz, são o próprio Verbo. Por esta razão, cristãos agora vivem em novidade de vida, pela esperança da aparição de um novo mundo. Aguardam com gemidos que seus corpos sejam transformados, não temem a transitoriedade e a deterioração.

O que queimava no coração de Wesley no século XVIII, arde no coração de todo cristão que renasceu pelo Espírito mediante Cristo, e agora, experimenta os sinais e o antegosto da eternidade. Apesar da aparente ausência, Deus continua profundamente presente pelo seu Espírito, preparando as coisas para a eminente estreia de um Novo Mundo.
10 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Verdade & Tempo

Durante alguns anos de minha vida, me aventurei em uma espécie de sub-espiritualidade, onde pensava ter um conhecimento exclusivo, raro sobre quem Cristo é. Neste ambiente, tudo que não fosse judaico, era descartado como de menor valor, ou uma espécie de desvio teológico da verdade "original" (adorava esta palavra). Criticava conquistas históricas da cristandade, debochava dos pais da igreja, subestimada a longa sabedoria, e pior, de alguma forma, ignorava a ação histórica do Espírito Santo. Caía no "esnobismo cronológico" (C.S. Lewis).

Jesus garantiu que guiaria sua Igreja a toda verdade. Claro que isto não significaria que as coisas seriam fáceis, foi e tem sido um processo também conturbado, mas a Igreja vem caminhando, vislumbrando a unidade da fé. Não acredito que Deus tenha agido meramente no I século (na era apostólica), isto seria cair em uma espécie de deísmo. Acredito que seu Espírito veio para isso, para guiar a Igreja. Todos os processos históricos, concílios, reformas, renovações e despertamentos, e mesmo, alguns desvios, fazem parte de um processo cauteloso de Deus para dirigir sua igreja no tempo. Ignorar ou rejeitar esta ação providencial, e achar que a pureza doutrinária reside apenas no I século do cristianismo, é ingenuidade a respeito do passado, e ingenuidade em relação ao tempo. As Escrituras continuam sendo a regra de fé e prática da cristandade, sempre será a regula fidei (regra de fé) que julga nossas elucubrações e empreendimentos teológicos. Mas, querer reinventar a roda a cada movimento novo que surge, é virar as costas para a obra do Espírito Santo.

Foi chocante o dia que descobri a voz da tradição, aprendi a arte da modéstia, neste sentido. Antes de criar qualquer "doutrina" ou "percepção inovadora" sobre o que já fora produzido, eu deveria me arriscar a ler e a me debruçar sobre o que já fora dito. Isto foi libertador em muito sentido. Assim, descobri um mundo de riquezas, qualquer pessoa que já tenha lido Irineu, Atanásio e Agostinho sabe do que estou falando.

Me localizo em uma tradição, aquela de confissão reformada, subscrevo Heildelberg, Confissão Belga e TULIP, mas, me encontro principalmente diante de um patrimônio maior, antes dos reformadores: confesso que creio na igreja católica (universal) como diria o Credo Apostólico.