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21 de jul. de 2012 | By: @igorpensar

O Futuro Evangélico Reformado

A revista Times já havia identificado o novo-calvinismo como um despertamento na espiritualidade cristã americana e global que mudaria o perfil do cristianismo evangélico pelos próximos séculos.  Muitos evangélicos cansados do neo-pentecostalismo e dos abusos operados em nome de uma fé superficial e antropocêntrica, redescobriram sua fé em Cristo a partir da densa teologia, da afirmação da centralidade e do senhorio de Jesus a partir do evangelho.  Isto se deu, principalmente, pela longa e discreta tradição reformada.   Esta é uma matéria que prospecta o futuro do movimento e claro faz uma crítica interna (o que é uma virtude), a respeito de erros a serem evitados.

Clique no link abaixo para ler na íntegra:

22 de out. de 2011 | By: @igorpensar

Teologia Reformada e Cristianismo

O teólogo Franklin Ferreira faz uma excelente e sóbria explanação sobre o papel da teologia reformada no cristianismo global.   Uma introdução importante sobre como reformados pensam teologia.  Esta palestra foi realizada na 27a. Conferência Fiel para Pastores e Líderes recentemente realizada pela Editora Fiel.

Fonte: Editora Fiel on Vimeo.
10 de dez. de 2010 | By: @igorpensar

Novo Calvinismo?

Excelente artigo publicado pelo site da Revista Ultimato, indicação de minha amiga Dan de Valinhos-SP

Movimento quer trazer jovens às raízes


Três pastores reformados recentemente sentaram juntos nos Estados Unidos para conversar sobre o Novo Calvinismo que esteve varrendo a nova geração de Cristãos. É um movimento para jovens fiéis voltarem às raízes – ou seja, a Escritura e a soberania de Deus.

“Você tem uma geração de Cristãos que cresceram em uma cultura predominantemente secular e não são parte de uma cultura de Igreja,” disse o Dr. Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, em uma discussão informal realizado por The Gospel Coalition.

“Eles estão percebendo que alguma coisa tem de explicar como chegaram à fé no Senhor Jesus Cristo. Eles têm uma determinação absoluta, pode-se dizer, para deixar claro que o seu primeiro princípio é a soberania de Deus, não a soberania de si mesmo.”

O reverendo Kevin DeYoung, pastor sênior da Igreja University Reformed em East Lansing, Michigan, acredita que parte do apelo do Novo Calvinismo é que “tem algum músculo para isso” e é “robusto em doutrina.”

Há um sentido renovado de que “a soberania de Deus é bíblica e extraordinariamente importante, que Deus nos ama antes que o amássemos, que Ele é o único que faz o trabalho decisivo para a nossa salvação,” disse o jovem pastor.

Nos últimos anos, os pastores têm ponderado o aumento do interesse na teologia reformada – que inclui a manutenção da autoridade da Escritura, a soberania de Deus e a soberania da graça – com alguns propondo que se está saindo de uma inquietação e insatisfação com o evangelicalismo contemporâneo.

“Cansado de Igrejas que buscam entreter mais do que ensinar, sentindo falta depois da carne verdadeira da Palavra, estes jovens estão buscando doutrina e estão se tornando rapidamente novos Calvinistas,” afirma uma postagem no blog popular cristão Internet Monk.

Mohler foi identificado como um dos teólogos evangélicos contribuindo para o ressurgimento. Outros incluem o teólogo batista John Piper, CJ Mahaney das Igrejas da Sovereign Grace, e Mark Driscoll, Igreja Mars Hill.

“A novidade é que você tem gente nova em um novo tempo que estão redescobrindo os mesmos tipos de instintos teológicos e impulsos que levaram à Reforma e os encontra nas mesmas fontes – a Escritura,” explicou Mohler.

E o desejo por respostas carnais a perguntas como “como a graça de Deus vem a mim” emergem” de jovens que tentam nadar contra a maré do secularismo,” disse o conhecido evangélico.

O teólogo reformado Ligon Duncan explica o fenômeno desta maneira, “Eu acho que as antigas tradições confessionais abandonam sua fidelidade a algumas das grandes verdades que todos os protestantes têm valorizado porque nós os encontramos nas Escrituras, e os vemos no âmago do que a vida cristã e ministério são aproximadamente, você tem uma nova geração de pessoas que estão vasculhando a nossa lixeiras e dizendo ‘isso é ótimo, porque nunca ninguém me falou sobre isso?’”
Enquanto os jovens redescobrem as verdades bíblicas, DeYoung considera que pode “realmente revigorar evangélicos.”

Enquanto isso, para Mohler, o rótulo – se é o Novo Calvinismo – não importa.
Tudo se resume às Escrituras e “estar comprometido com o Evangelho, querendo ver a alegrar as nações em nome de Cristo, e querendo ver Igrejas evangélicas construídas e comprometidas,” indicou Mohler.

“Se você vai mergulhar profundamente as Escrituras, se você vai ter que explicar por que as Escrituras têm essa autoridade … [e] como isso se deu certo na vida, francamente, eu não ligo para como você rotula isso, você vai acabar em um bom lugar.”

Globalmente, os três teólogos estão animados.
“Eu acho que é uma coisa maravilhosa e puramente boa que esta nova geração esteja profundamente bíblica, profundamente apaixonada, profundamente convicta, cada vez mais confessional e pronto para fazer algo grande para o nome do Senhor Jesus Cristo,” disse Mohler.

Fonte: Christian Post/Creio
7 de dez. de 2010 | By: @igorpensar

Torah: citação de um pastor

Citação de um pastor reformado sobre a Lei:

"A graça não aboliu a lei nem dissolveu a criação. Mesmo após o princípio de nova criação em Cristo [...] Da mesma forma que a vida tem diversas cores, o cosmo criado tem diversas leis. Juntas, elas compõem a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, a sua Torah, a sabedoria por meio da qual ele criou o mundo."*

Autor: Pr. Guilherme de Carvalho.


Fiquei muito emocionado quando li isto pela primeira vez. Na ocasião quebraram-se meus preconceitos a respeito de um cristianismo que separava lei e graça. Aí encontrei finalmente, uma tradição dentro da fé cristã histórica que havia superado a heresia marcionista, e a insistente separação entre um Deus que cria e também redime. Sem legalismo e sem libertinagem.

Louvado seja o Senhor Jesus Cristo: Salvador, Legislador e Criador.
___________
* No livro Fé Cristã e Cultura - Ed. Ultimato.
26 de ago. de 2010 | By: @igorpensar

Arte e Ciência por Calvino

Por João Calvino, reformador, século XVI d.C.

Enquanto isso, não esqueçamos, porém, que estes são mui excelentes dons do Espírito Divino, os quais, para o bem comum do gênero humano, ele dispensa àqueles a quem quer. Ora, se a Bezalel e a Ooliabe foi indispensável que se instilassem neles, pelo Espírito de Deus, a inteligência e o conhecimento que se requeriam para a construção do tabernáculo [Ex 31.2-11; 35.30-35], não é de admirar caso se diga que nos é comunicado através do Espírito de Deus o conhecimento dessas coisas que são mui relevantes na vida humana.

Nem há por que alguém pergunte: Que os ímpios, que se alienaram totalmente de Deus, têm a ver com o Espírito? Ora, quando lemos que o Espírito de Deus habita somente nos fiéis [Rm 8.9], é preciso que se entenda isso como referência ao Espírito de santificação, através de quem somos consagrados por templos ao próprio Deus [1Co 3.16]. Entretanto, nem por isso menos preenche, aciona, vivifica a todas as coisas pelo poder do mesmo Espírito, e isso segundo a propriedade de cada espécie, a que a atribuiu pela lei da criação. Pois se o Senhor nos quis assim que fôssemos ajudados pela obra e ministério dos ímpios na e nas demais áreas do saber, física, na dialética, na matemática façamos uso delas, para que não soframos o justo castigo de nossa displicência, caso negligenciemos as dádivas de Deus nelas graciosamente oferecidas.

Mas, por outro lado, para que alguém não julgue ser o homem sumamente ditoso, quando se lhe concede tão grande poder de compreender a verdade sob os elementos deste mundo, deve-se, ao mesmo tempo, apreender que não só toda esta capacidade de compreensão, como também a compreensão que daí resulta, é coisa sem consistência e sem estabilidade diante de Deus, quando não subjaz nela o sólido fundamento da verdade. Pois, com muita procedência ensina Agostinho, a quem, como dissemos, o mestre das Sentenças e os escolásticos foram obrigados a subscrever: como, após a queda, foram subtraídos ao homem os dons graciosos, assim também foram corrompidos estes dons naturais que lhe restavam. Não que, até onde procedem de Deus, possam de si mesmos corromper-se, senão que ao homem corrompido deixaram de ser puros, de modo que daí não logre ele algum louvor.

Fonte: As Institutas, Livro II, Capítulo II, Cap. 16 (grifo nosso).

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Uma AnálisePor Igor Miguel

O que me impressiona neste texto de João Calvino é a forma responsável com que nega a percepção escolástica de que aquilo que é produzido por não-cristãos não tem graça, o que incluiria a cultura, o trabalho e a ciência humana em geral. Calvino refuta isto, asseverando que uma percepção apropriada da "lei da criação", aquilo que muito mais tarde Herman Dooyeweerd chamaria de cosmonomia, testemunha que há uma graça comum de Deus despejada na criação. O que significa que a habilidade humana em geral deve ser reconhecida como graça, dádiva divina, e não fruto de uma auto-dotação.

Entretanto, Calvino chama a atenção para o fato de que com a queda, o homem se corrompeu, por isso nem tudo que o homem produz consegue expressar a perfeição e santidade de Deus. Aquilo que estes homens produzem, mesmo que operados pela graça, podem estar comprometidos pelo pecado no homem.

Porém, no parágrafo anterior a este, o reformador genebrino assevera que o cristão não deve ser negligente, antes deve encarar as ciências e as artes, como dádivas, que devem ser desfrutadas, porém com a consciência do trecho posterior. Daí, a necessidade de discernimento do cristão ante ao que o mundo produz.

João Calvino no século XVI, à luz de sua habilidade hermenêutica, não concordaria com a abordagem pietista e legalista presente em alguns círculos evangélicos da atualidade, de que aquilo que é produzido por "mundanos" e "ímpios" não deve ser desfrutado, como a música, a arte, o conhecimento científico. Hoje, o reformador alertaria os cristãos a não serem relapsos, mas que aprendessem a desfrutar destas boas dádivas, sem esquecer porém, que há imperfeições, manchas, que precisam ser discernidas, julgadas e analisadas à luz da boa consciência cristã.

Enfim, a espiritualidade reformada neste sentido não isola o santo do mundo, mas também não permite que ele seja absorvido por ele. Antes o insere lá, porque há graça lá. Porém, o insere consciente de que deve discernir seu tempo, os conhecimentos, tornando-o sóbrio a respeito das consequências da queda.

Soli Deo Gloria
Kol HaKavod LaShem
3 de ago. de 2010 | By: @igorpensar

Salvação pela Graça

Por Igor Miguel

Espero que este texto seja o primeiro de uma série de impressões sobre os fundamentos do evangelho e as conexões existentes entre a fé cristã em sentido estrito e suas origens no judaísmo. Quando digo, "sentido estrito", afirmo que a fé cristã deve ser considerada como um movimento legítimo de acolhimento das nações não-judias em Cristo. Porém, devido a sua diversidade confessional e teológica durante a história e os diversos ambientes culturais em que se instalou, alguns ramos do cristianismo e algumas tradições inerentes a seu desenvolvimento, acabaram por absorver elementos não-cristãos e não-bíblicos em seu arcabouço. [clique aqui e baixe o artigo completo em PDF]

17 de nov. de 2009 | By: @igorpensar

Reformado? Emergente? Judaico?

Por Igor Miguel

Sei da pergunta inevitável, andam me mandando e-mails a respeito, sua pergunta é: que blog é esse? Reformado? Emergente? Judaico? Marxista? Liberal? Teológico? Educacional? O que você produz definitivamente neste blog?

Existem blogs que são explicitamente religiosos, pois assumem uma linguagem religiosa e um conteúdo de natureza explicitamente teológica. Porém, de forma alguma digo com isso que meu blog não seja de conteúdo teológico, ou que apresenta um conteúdo implícito, subliminar, neutro, ou coisa do gênero. De fato não! Não há um meta-discurso neste blog, há é um discurso claro, em linguagem clara, em termos que o mundo cultural compreenda.

Não há neutralidade religiosa, meu blog é explicitamente cultural, e religioso na medida em que pressupostos da minha visão de mundo iluminam ações reais em um mundo real.

Os conteúdos aqui são iluminados por uma filosofia judaico-cristã, cujos princípio filosóficos pré-modernos, iluminam minha atuação política, educacional, intelectual e cultural.

Onde localizo as fontes da minha cosmovisão? Primariamente nas Escrituras Sagradas, fonte de toda inspiração e revelação. Daí, derivam percepções e tradições interpretativas que iluminam sua prática. Recorro à tradição judaica, em específico, os ecos desta tradição na tradição talmúdica, midráshica e targumica. Para mim, ignorar os fundamentos judaicos do cristianismo é um anacronismo, o que não se traduz em "judeulatria" ou algum tipo de "etnocentrismo teológico", ao contrário, o cristianismo é enriquecido a partir desta perspectiva e há muita gente pensando sobre isso há alguns anos: James Parkes, Oscar Skarsaune, W.D. Davies e outros. Tradição que considero de fundamental importância.

Por outro lado, posso dizer que nos últimos 4 anos, tenho recebido boa influência da percepção de mundo neo-calvinista, sob os auspícios de Abraham Kuyper, Herman Dooyweerd, Nicholas Wolterstorff e outros. Esta é uma tradição que dialoga em muito com a ética judaica, principalmente aquelas traduzidas em termos modernos como Martin Buber, Franz Rosenzweing e Abraham Joschua Heschel, porém com um elemento importante, Jesus Cristo.

Não poderia deixar de mencionar, que há algo em específico, um tendência teológica latina que me apaixona toda vez que me aprofundo sobre o tema. Refiro-me a proposta exposta por Rene Padilla [excetuando sua dependência do materialismo-histórico] chamada: missão integral. Um conceito de que a evangelização está comprometida com um evangelho pleno, integral e expansivo, me apaixona, borbulha em meu coração. Qualquer tentativa de percepção do evangelho que o coloque na condição devida, no status que lhe cabe, me interessa.

Não acredito em revelação sem teologia e teologia sem tradição, lemos a Bíblia a partir do que já foi lido. E muita coisa dita "nova", brota de uma ação dialeticamente dirigida pelo Espírito a partir de determinada tradição. Estas são combinações que me interessam.

Enfim, todo conteúdo deste blog é orientado por uma tradição que se dividiu e deve se reconciliar. Por um lado a tradição cristã, que deve em muito a Agostinho, Calvino e Kuyper, por outro judaica, que deve em muito ao farisaísmo, hassidísmo, Buber, Rosenzweing and Heschel, e isto não é pós-moderno, é a delimitação devida a minha atuação como discípulo de Jesus Cristo, sabendo lidar com a tradição de forma dinâmica e aberta, até que cheguemos à unidade da fé. Até que a conversão do coração dos filhos aos pais e dos pais aos filhos, seja uma realidade.