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7 de out. de 2015 | By: @igorpensar

Confessionalmente Católico

Como ser um cristão evangélico confessionalmente reformado, e ainda, ser católico? Ser católico (universal) é manter-se consciente que se pertence ao que une toda cristandade (claro que não preciso explicar que católico aí não é sinônimo de católico romano). Ou, reconhecer, que cada tradição tem seus tesouros e riquezas que lhe são peculiares, são apropriações do tesouro da grande cristandade. Daí, a necessidade de uma abertura. A melhor forma de fazê-la é localizar-se confessionalmente em uma tradição nuclear de onde é possível navegar entre outras, enriquecendo sua própria confessionalidade. 

Adotando-se tal paradigma, quase uma metodologia, é possível localizar-se na tradição reformada e evitar a idolatria denominacional. Subscrever os símbolos e a tradição, mas resistindo ao sectarismo. Permitir-se dialogar com o anglicanismo, o luteranismo, o metodismo, a ortodoxia oriental, o pentecostalismo clássico e até mesmo com algumas correntes teológicas do catolicismo romano, e perceber-se mais cristão, mais pertencente. Deveríamos aprender a fazer este exercício de enriquecer nossa confessionalidade com a catolicidade.

Eu, como cristão evangélico e reformado, me sinto relativamente confortável em minha tradição, nesta ortodoxia, porém admito: Deus não entregou todas as cores da verdade e do Cristo à tradição que me localizo. E, possivelmente, a nenhuma outra tradição, mas todas desfrutam de aspectos da revelação encarnada que gostaria muito de apreciar.
20 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Evangélicos, mas Católicos




A fé protestante não é um projeto que procurou revolucionar o cristianismo histórico, como se poderia imaginar.  A reforma não é uma quebra de paradigmas necessariamente.  A intenção dos reformadores era retomar exatamente aqueles elementos mais católicos, dos quais o cristianismo medieval, em geral, havia se afastado.

Evangélicos, em geral, tem dificuldades com o termo "católico" como se ele significasse o "catolicismo romano", mas a expressão grega é traduzida simplesmente como "universal".  Ser um cristão católico é ser alguém que crê numa fé universal, acumulada historicamente, comum a toda cristandade.  Entretanto, é fundamental reconhecer que não somos inventores de nada, mas cristãos que se firmam naquilo que há de mais "católico" (universal) em nossa fé: Jesus Cristo.  Claro, que existem outros elementos aí presentes, como a Trindade, o Evangelho da graça, o sola scriptura, a tradição e a confessionalidade, que são também, desdobramentos de nossa catolicidade.
Não é suficiente sermos cristãos reformados e evangélicos, temos que ser mais católicos (universais), no sentido literal do termo.

Esta é uma ministração em áudio com 58 minutos de duração, gravada nas instalações da Igreja Esperança em Belo Horizonte, por ocasião do Dia da Reforma Protestante em outubro de 2012.  Seu tema é:  Evangelicidade e Catolicidade.

Escute, medite e compartilhe com outros irmãos que anseiam por esta fé cristã universal.
27 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Protestante e Católico (Universal)

"Se o protesto da reforma significa alguma coisa, então, certamente há uma dicotomia, ou no mínimo, uma diferença entre ser reformado e ser uma católico romano. Sobre isto, eu concordo plenamente. Porém, eu não acho que Roma é detentora da catolicidade. Nossa fé "católica" é a fé histórica da Igreja, enraizada nas Escrituras, recebida dos apóstolos, elucidada e articulada em credos e concílios ecumênicos, reformada em nossas confissões, com a convicção que o Espírito de Deus tem guiado a Igreja através da história. A reforma protestante não é uma "mudança de paradigma", a "emergência" de uma "nova fé". Ao invés, deveríamos ver a reforma protestante como um movimento de renovação agostiniana na Igreja Católica."* (James K.A. Smith**)

Quando Smith se refere ao termo "católico", não faz referência ao "catolicismo romano", mas ao sentido literal do termo grego katolikós (universal). A catolicidade se constitui naqueles princípios comuns que unem e definem os cristãos universalmente. O que obviamente, transcende o catolicismo romano.


A tese de Smith é que a fé protestante reformada não é um movimento "novo", mas um esforço para retomar o que há de mais universal na fé cristã clássica e histórica. A menção a Agostinho de Hipona no texto, refere-se ao esforço deste grande teólogo da Igreja, em afirmar a suficiência da graça em Cristo para salvar o pecador e sua oposição à heresia pelagiana, que insistia em uma "capacidade inata" nos homens para obedecer a Deus, e assim, serem aceitos por Ele. Tal heresia comprometia a doutrina apostólica e paulina que concebe o homem como "morto em seus delitos e pecados" (Ef 2), incapaz de se voltar para Deus, o que explicita o fato de que a salvação dependeria de uma ação soberana, procedente graciosa e exclusivamente de Deus. 

A ênfase em Cristo e na graça foi retomada por Agostinho e renovada pelo movimento protestante (lembrando que Lutero foi um monge agostiniano). Neste sentido, a catolicidade é o solus Christus (somente Cristo) e sola gratia (só a graça), como revelado nas Escrituras (sola scriptura). Exatamente, os princípios afirmados pela fé protestante. Estes seriam os elementos "católicos" da Igreja.  Desta forma, a fé reformada é católica em seu sentido mais profundo.

* Citação do texto John Calvin’s Catholic Faith.
**James K.A. Smith é uma filósofo americano, atualmente é professor de filosofia no Calvin College. Escritor profícuo, escreve sobre ortodoxia radical, cristianismo e pós-modernidade, liturgia e adoração e ética.