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6 de abr. de 2016 | By: @igorpensar

Amargo Cristianismo

Por que escolhi o caminho do cristianismo? Apesar de que a pergunta já tem um problema em si, pois, penso que o cristianismo, ou ainda melhor, Cristo é quem nos escolheu.  Não há explicações proposicionais, Cristo convoca e chama. Cristo é magnético e irrefutável. Cristo e o cristianismo ensinam de maneira descarada e sem pudor que não somos confiáveis. Respeitosamente acho difícil que alguma filosofia ou outra expressão religiosa seja mais explícita em relação ao orgulho humano e nossa fragilidade moral do que o cristianismo.


Desconfio de qualquer visão de mundo que alegue que sou "bacana" ou que tenho recursos "inatos" para me tornar melhor. Qualquer pessoa minimamente experimentada em suas próprias fragilidades morais sabe do que estou "falando". Eu duvido que uma pessoa, por simples vontade e disposição moral, acorde uma manhã qualquer e consiga observar de maneira irrestrita todo o Sermão do Monte e viva os termos que estão ali de maneira irrepreensível. O que está no Sermão do Monte não é uma tabela de regras morais é um currículo de um longo programa de discipulado que exige constante reconhecimento de nossa fragilidade (pobreza de espírito) e dependência da graça de Deus.

Eu precisava de uma resposta honesta quanto ao orgulho e a altivez, estes dois demônios que ficam sempre à espreita prontos para assaltar qualquer transeunte que perambula distraído pelos caminhos da vida. Uma vez me disseram: "Igor, você vive dizendo que tem problemas com orgulho." Eu tive que responder: "E... você não?".

O cristianismo é um remédio amargo, pouco conveniente, não é um religião que está disposta a retroalimentar seu ego, sua autoestima, ou trazer algum tipo de alívio moral. O cristianismo é letal justamente por ser libertador. O cristianismo contradiz de maneira radical nossas narrativas previsíveis de sucesso e felicidade. Pense bem, nosso maior emblema é um homem aparentemente derrotado e humilhado em uma cruz. Que absurdo! Que escândalo! A mensagem de triunfo é esta: "quem perder a sua vida ganha-la-á."

Por isso sou cristão: pois o cristianismo diz tudo que eu não gostaria de ouvir, me convida a crer em quem eu jamais creria e me ensina a viver de uma maneira que eu jamais viveria. Cristianismo é morte, por isso, é ressurreição.  Não seria exagero dizer, que no final, Cristo está nos salvando de nós mesmos.
25 de set. de 2012 | By: @igorpensar

John Piper - Ele te acordou!

Se Ele não me acordasse, eu não acordaria sozinho. Se Deus não me tirasse do grande sono do pecado, eu jamais despertaria.  Sim, Ele nos chamou, como Lázaro do sepulcro.  Sem o chamado, jamais iríamos a ele.  Se fossemos entregues a nosso "livre arbítrio", permaneceríamos dormindo em um profundo sono iníquo, como a maioria permanece.  Mas, ele foi misericordioso e acordou pecadores sonolentos.

25 de set. de 2010 | By: @igorpensar

Sobre Quando Nasci

Por Igor Miguel

Deixe-me dar um pequeno testemunho. Aos meus 17 anos fui surpreendido com Cristo, mesmo tendo crescido em um lar relativamente cristão, eu era uma fanfarrão, como já me chamaram por aqui. Eu era como os da minha idade, um jovem perdido e achando que a vida não passava de superficialidade, imediatismo e inconsequência. E pior, já estava parando de pensar no hoje, o que dirá no amanhã.

Por uma articulação misteriosa, por uma ação divina sem proporções, acima de toda lógica, cálculo, ou racionalizações, fui conduzido a perceber uma música tão harmônica e tão feliz, que não seria possível ater-se muito tempo nela, sem cair-se em prantos em um misto de profundo arrependimento e alegria. O mais assustador, é que aquela música sempre esteve ali. Como um código oculto que depois de descriptografado trás uma mensagem capaz de estourar uma outra guerra mundial.

Imagine, eu jovem, aos meus 17 anos, sob o impacto de uma verdade absurdamente real, mas igualmente absurdamente supra-racional, acima de qualquer lógica humana, tentar traduzir o intraduzível para as pessoas.

Na ocasião, como hoje, sentia-me aquecido e tomado pela vontade de apenas anunciar a supremacia, a riqueza, a grandeza e a extensão daquela música misteriosa.

Foi lá, em uma oração, em um montanha em Cabo Frio, que descobri a diferença entre um homem que olha pra cruz e diz: "-- Coitado daquele cara. Que pena, bateram tanto nele..." e o outro homem "-- Quem deveria estar lá era eu, mas foi em meu lugar. Seguirei e viverei tudo que este homem significa".

Pois é, meu caso é o segundo, e surpreenda-se, não quis segui-lo da forma que a maioria dos cristãos fazia em minha época, quis conhecê-lo, quis entender sua língua, sua cultura, seu jeito, seu povo, sua gente, experimentei isto, até quase me perder nesta compreensão e de repente fui emergido, erguido.

Surgi dentre os cacos de minha autonomia religiosa, sob prantos e gritos de alegria, ao descobrir o misterioso amor, intraduzível amor, que um dia me chamou pelo nome e disse: " -- Você é meu."

Soli Deo Glória.