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17 de jun. de 2016 | By: @igorpensar

Resposta ao Frei Martin sobre Orlando

Uma resposta ao Frei James Martin
sobre o massacre em Orlando
Elliot Milco


Na última terça-feira, o jornalista jesuíta e editor-geral do America, Frei James Martin, publicou um vídeo no Facebook sobre o recente massacre em Orlando. Em seu vídeo, ele expressa seu desalento com as reações dos bispos católicos americanos não porque estes fracassaram em expressar tristeza, revolta e solidariedade para com os que estão sofrendo, mas porque não direcionaram (com exceção de Blaise Cupich, de Chicago) suas condolências explicitamente à Comunidade LGBT.

Preste bem atenção: a queixa de Martin não é por qualquer falta de empatia ou solidariedade, mas pela linguagem que os bispos escolheram para identificar o sofrimento. “A todos aqueles que foram afetados” (Arcebispo Kurtz) não é suficiente. “O povo de Orlando” também não é suficiente. Precisamos ficar com o grupo identitário cujos membros foram principalmente afetados, pois eles não foram alvos nem como habitantes de Orlando nem como transeuntes casuais, mas como membros desse grupo identitário.

O vídeo do Frei Martin é um ótimo exemplo de sua completa compaixão e cuidado com as palavras. Ele diz o que quer dizer e, como sempre, deixa claro que realmente quer dizer o que diz. Contudo, ele está errado, e acho que sua declaração é capciosa e desprovida de caridade para com os bispos em questão.

O que significa ser “gay” ou “LGBT”? Esta pergunta poderia ser respondida de muitas maneiras diferentes: de acordo com a preferência sexual, comportamento, orientação, identidade, psicologia, biologia, estilo de vida etc. Entretanto, não pode haver nenhuma dúvida de que, no momento, o rótulo “LGBT” e seus componentes representam mais do que simplesmente um dado sobre as disposições, estilos de vida ou constituições biológicas de indivíduos variados. Eles representam uma ideologia política e antropológica altamente desenvolvida, que faz fortes reivindicações sobre a natureza humana e o desejo, a moralidade, a estrutura familiar e o uso apropriado do corpo.

Só para esclarecer, todo e qualquer indivíduo que se identifique com qualquer um dos rótulos que se enquadram no “LGBT” é digno do nosso amor, empatia e solidariedade em sua busca (com todos os cristãos) por verdade, justiça e felicidade eterna. Mas o que compartilhamos com nossos irmãos, por causa da nossa humanidade comum, não invalida o que nos divide em termos de nossas escolhas e crenças sobre felicidade, justiça e verdade.

E assim, aqui está o problema: a Igreja Católica e a Comunidade LGBT possuem entendimentos divergentes acerca da natureza humana, da identidade pessoal, do uso apropriado do corpo e dos requisitos para a felicidade. Como Frei Martin corretamente observa, os católicos tratam a Comunidade LGBT como “diferente” – não porque a igreja deseja excluir os membros dessa Comunidade da misericórdia de Cristo, da admissão à igreja ou da consequente participação dos sacramentos (ao contrário, esta é uma das nossas grandes esperanças), mas porque as crenças, práticas, opiniões políticas e costumes propostos pela Comunidade LGBT são fundamentalmente hostis ao fim principal do homem.

Aqueles que estão no outro lado reconhecem a linha divisória perfeitamente bem. É por isso que os defensores da estrutura da família tradicional são, consequentemente, “intolerantes” aos seus olhos. É por isso que discordar das demandas políticas da Ideologia de Gênero e seus atuais usos linguísticos é punido com tanta severidade. O que é, portanto, que o Frei Martin está requerendo ao repreender os bispos por não expressarem solidariedade pela Comunidade LGBT, ou pelos “nossos irmãos e irmãs LGBT”, como fez o Arcebispo Cupich? Ele está requerendo, perceba isso ou não, que os bispos reconheçam e endossem tacitamente as identidades sexuais promovidas pela Comunidade LGBT – identidades associadas fundamentalmente à ideologia de gênero promovida pela Comunidade.

Isto, naturalmente, seria profundamente enganoso da parte dos bispos, uma vez que a Igreja não pode endossar tal ideologia. Seria também um fracasso evangelístico e um fracasso de caridade. A missão da Igreja, no que se refere à Comunidade LGBT, é opor-se à fetichização da identidade de gênero. O dever dos bispos é dizer à população LGBT que eles são conhecidos e amados como mais do que simplesmente o protótipo de um símbolo sexual.

Frei Martin diz que os gays são “invisíveis” na Igreja. Por um lado, ele está certo – a Igreja, como Cristo, recusa-se a confundir a ilusão do pecado e da ideologia com a realidade das pessoas que ela encontra. O que ela enxerga é simplesmente cada filho de Deus: sofrendo, esperando, ansiando por remissão, criado para a possibilidade da união eterna com Deus.

***
Fonte: First Things.
Tradução de Leonardo Bruno Galdino.

Elliot Milco é subeditor do First Things.  
11 de mar. de 2016 | By: @igorpensar

Cristãos em um Mundo Plural

Vivemos em uma era em que defender uma ideia em relação a outras é quase considerada uma arrogância, uma postura etnocêntrica.  Também é verdade que com relativa frequência, paixões ideológicas, nacionalistas ou religiosas podem ser pouco abertas ao diálogo.  Porém, em tempos de cultura líquida este tem sido um mal menor.  Considere que entramos de cabeça na era da incerteza, qualquer convicção poderá ser execrada facilmente.

Precisamos reconhecer que não vivemos mais à sombra da cristandade.  Agora, sob uma sociedade que se laicizou, temos que aprender a viver em uma cultura que é crescentemente pluralista.  A angústia e a incerteza se intensificam, talvez por este motivo, convicções ainda são importantes.  Não subestime a sede humana por segurança existencial e a necessidade de crenças absolutas.  Infelizmente, esta tem sido uma das razões da adesão ao islamismo radical em ambientes culturalmente secularizados como a Europa pós-cristã, por exemplo.



Então, como ter convicções em um ambiente pluralista? Na pós-modernidade, convicção em si não é um problema, mas é um escândalo quando afeta sua opinião sobre questões de interesse comum ou quando ela é publicizada. Por isso que tanta gente confunde laicidade com secularismo.  O secularismo não permite convicções públicas de origem religiosa, só as autoriza quando reclusas à vida privada ou ao "templo religioso".  O elemento mítico é evidente!  Obviamente que é impossível separar indivíduos de suas convicções ou visão de mundo.  Defender uma "neutralidade confessional" na esfera pública é cair na armadilha secularista.  Para o cristão, ao contrário, sua convicção deve ter o mesmo peso que tinha na pena de C.S. Lewis: "Eu acredito no cristianismo como acredito no sol, não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele vejo todo o resto."

A presença pública do cristão deve ser total.  O modo de ser do cristão é um grande testemunho da autenticidade da fé que ele professa.  Em tempos de ceticismo e pluralismo, a vida cristã deve ser encarada também como plataforma apologética.  A defesa verbal da plausibilidade e da veracidade do Evangelho deve ser acompanhada de uma vida autenticamente afetada por essa verdade.  Não estou me referindo apenas a uma vida moralmente correta, o cristianismo é muito mais do que moralismo, refiro-me a um lugar específico onde todo cristão deveria residir: Cristo, este crucificado e ressuscitado.  Situar-se em Cristo é se colocar em uma posição singular, é perceber e agir no mundo a partir do centro de gravidade da história.  Estar e crer em Cristo é imaginar a história e ser colocado no mundo sob a irrefutabilidade da pessoas de Jesus.

O cristianismo não é dono da verdade, ao contrário, a Verdade é que é sua dona.  Tim Keller proclama:  o cristianismo não tem 'um argumento irrefutável, mas uma pessoa irrefutável'.  Por esta razão, o cristão deve se lembrar que o maior interessado na evangelização é o próprio conteúdo da mensagem evangelizadora, Cristo.  Evangelizar é demonstrar que realmente estamos interessados nas dúvidas, angústias e o ceticismo das pessoas, e que temos uma boa nova para lhes contar: "Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo." (Apóstolo Paulo).

Enfim, consideremos que nosso mundo mudou drasticamente, é verdade, porém o cristianismo sempre foi desafiado a manter seu núcleo ortodoxo intacto na medida que demonstra a relevância de sua fé para as angústias e desafios de seu tempo.  Talvez, mais do que nunca, nós cristãos, somos desafiados a erguermos a verdade evangélica de maneira franca porém dialógica, comprometida e acolhedora, ortodoxa e engajada, e finalmente, relacional mas sempre intencional.  A ironia pode ser que o pluralismo que tantos temem acabe por se tornar uma grande oportunidade para que nosso cristianismo se mostre, mais uma vez, um luzeiro em um mundo onde utopias e grandes projetos civilizatórios fracassaram.
11 de dez. de 2015 | By: @igorpensar

Terrorismo Islâmico: uma tréplica

Raphael Freston levantou algumas objeções a meu texto "Cruzadas e terrorismo são equivalentes?".

Segundo ele, meu texto está "embebido de equívocos", apesar do óbvio exagero retórico, vamos aos "equívocos" que ele levantou:

Segundo Raphael: "A tese inicial do texto é de que o fenômeno histórico das cruzadas não pode ser comparada ao fenômeno jihadista atual. No entanto, ele não chega nem perto de fazer isso, os argumentos simplesmente são irrelevantes para a pergunta que o autor está levantando. Só se pode examinar se as cruzadas e o terrorismo islâmico são equivalentes a partir de uma análise histórica daquele e uma compreensão atual deste. Mas não foi demonstrado o que foram as cruzadas e tampouco explorou isso, destacando que as cruzadas só chega a ser mencionadas no sétimo e último ponto. Também o texto diz pouco sobre as razões dos atuais atos de terrorismo. É afirmado que igualar as cruzadas e o jihadismo atual é "evitar um honesto debate", mas na verdade quem está evitando é o próprio autor."

Realmente, talvez o título do texto em tom de problematização tende “a vender burro por cavalo”, é bem provável, mas explico: o uso do termo "cruzada" foi adotado no contexto dos atentados no Charlie Hedbo.  Por ocasião do evento, como sempre, dentro da efervescência dos debates nas redes sociais, um argumento recorrente era que "cristãos têm telhado de vidro pois também praticaram violência por razões religiosas em sua história".  Claro que nem sempre a coisa vem em tom argumentativo, a coisa vinha em forma de "meme" mesmo, exemplos: KKK=jihad, Cruzadas=jihad, ou ainda, massacre calvinista contra anabatistas=jihad.   Então, justifico, considere o termo "Cruzada" como um "string" (um termo coringa), que por ocasião da publicação do texto, é justificada.  Você pode substituir “cruzadas” aí por KKK ou Inquisição e verá que o argumento central ficará intacto.   Mas, acabou que o texto voltou a ter relevância ante os recentes atentados na França.  Neste caso, no máximo peço desculpa pela falta de contextualização do título, se é isto que objetas, admito, 'mea culpa!'.

Entretanto, vale esclarecer: minha intenção com o texto é confrontar a acusação histórica utilizada desde os iluministas, e atualmente, por progressistas, militantes de minorias, ateístas e neo-ateístas, de que atos de violência empregados por cristãos em nome de sua religião é equivalente ao 'jihadismo literalista' ou o 'terrorismo radical islâmico". 

Meu argumento é simples: toda religião pode cometer abusos, mas qual religião tem elementos ulteriores que podem disciplinar seus disparates?  Ou, ainda, na comparação cristianismo e islamismo, qual tem elementos em sua estrutura religiosa que possa encorajar ou desencorajar a violência?   Estou convencido de que se um cristão fizer o mesmo movimento que primitivistas muçulmanos radicais fazem para justificar a "shaaria" e a "jihad literalista", ele chegará em um lugar diferente destes.

A segunda objeção é a alegação de que caí em um tipo de "a-historicismo"quando recorri ao cristianismo primitivo para demonstrar a ausência de violência religiosa perpetrada por cristãos.  Acho que o Raphael não entendeu.  Explico.
Meu argumento parte ironicamente do seguinte: a interpretação de 'jihad' do ISIS, Al-Qaeda, Boko Haram e grupos similares é uma interpretação wahhabista, ou seja, uma interpretação primitivista.  Propus uma exercício imaginativo, e se, o cristianismo fizesse o mesmo movimento hermenêutico, e se fizesse um retorno 'ad fontes' para descobrir como a igreja na antiguidade lidava com os "inimigos do cristianismo", o que encontraríamos lá?  Com certeza nada equivalente ao islamismo em sua interpretação primitivista.  Ao contrário, o que veríamos certamente seria: Cristo crucificado e cristãos sendo martirizados. E, o islamismo, obviamente, encontrará outra coisa, que o diga o salafismo. 

O ISIS não tem gente ignorante por trás de seu movimento, mas grandes mentes em islamismo wahhabista de ideologia salafi (o próprio termo [salaf] سلف‎ quer diz 'ancestral', percebeu o tom primitivista?).  Eles estão em busca do "verdadeiro" islã, que implica na prática de mimetização de Mohamed, algo que já estava lá no primitivista: Muhammad ibn Abd al-Wahhab (pai do wahhabismo).

Concordo com você de que uma abordagem não-histórica e essencialista é um perigo, o ISIS faz exatamente isto, e não acho que o cristianismo deva fazê-lo.  A propósito, tenho repetido com frequência o erro do esnobismo cronológico e primitivismo anabatista.  Minha questão aqui é outra, como comentei acima, se fizermos a mesma experiência, teríamos resultados diferentes.  Por esta razão a violência em nome de Cristo e violência em nome de Allah não podem ser equalizadas.

Bem, a terceira objeção do Raphael basicamente é que que meu conhecimento de islamismo é precário, que ele acha que eu exagerei em dizer que não há nada equivalente a "amar o inimigo" de Jesus no Alcorão, e que meu texto é superficial.

1) Não tenho conhecimento precário só de islamismo não, tenho de quase tudo, só pra esclarecer.  Mas, já que seu conhecimento sobre o islamismo é melhor do que o meu, a ponto de mensurar a minha precariedade, por que você não fez nenhum objeção direta ao argumento principal que levantei?  Como você lida com intelectuais como Muhammad ibn Abd al-Wahhab?  Podemos chamá-lo de ignorante em islamismo?  Neste caso, temo que a superficialidade não foi só minha, não é verdade?

2) Se acha duvidosa a afirmação de que no Alcorão não tem nada de "amar os seus inimigos", então me mostre uma única "Sura" que trate isto de forma explícita.  Não há!  E, vários ex-muçulmanos se convertem ao cristianismo simplesmente ao ouvirem ou lerem o "ame o seu inimigo", como destaco, um exemplo bem conhecido no ocidente, Mosab Hassan Yousef, filho de um dos fundadores do Hamas que se converteu ao cristianismo.  Já leu o livro O Filho do Hamás?

3) "O texto simplesmente não consegue complexificar o fenômeno" (Raphael), sem dúvida, não é intenção dele, isto daria quase uma dissertação ou um artigo.   A proposta é simplesmente mostrar que a equalização entre terrorismo salafista/wahhabista com as Cruzadas, KKK ou outros "atos violentos em nome do cristianismo" (sem entrar no mérito) não é honesta, só isso.  Acho que neste ponto concordamos.  Estou certo?

Enfim, só levanto um problema: por que será que temos inúmeros testemunhos de gente muito familiarizada com islamismo, que se converteram ao cristianismo, ou que abandonaram o radicalismo, que alegam que muçulmano pacífico (a maioria esmagadora) é simplesmente muçulmano que não conhece islamismo?

Bem, para saciar sua sede sobre a relação cruzadas, cristianismo e islã, indico-lhe uma obra pequena, mas muito bem escrita por um excelente acadêmico em História das Cruzadas, Jonathan Riley-Smith, a obra intitula-se: The Crusades, Christianity and Islam.  Vale a pena ler.
23 de jun. de 2015 | By: @igorpensar

A Dúvida do Crente e a Fé do Cético

É verdade que crentes têm lá suas dúvidas de fé, mas também é verdade que ateístas têm lá suas dúvidas sobre seu ceticismo. 
 
Eu como crente, eventualmente, posso acordar com dúvidas inquietantes a respeito de minhas convicções religiosas. Mas não diminuirei a tensão tornando-me um cético ou ateu. Neste caso, posso acordar com sérias dúvidas a respeito de minha incredulidade. "Vai que o que crê esteja certo..." pensarei. 
 
Porém há uma diferença básica entre o crente e o cético: o primeiro crê, o segundo não quer crer, apesar da permanente inquietação para se crer em alguma coisa. No fundo, o cético vive torcendo para crer e encontrar algo digno de sua confiança. Por isso, testa e resiste a quase tudo, quase nos termos do empreendimento cartesiano de "dúvida sistemática". No fim das contas, ironicamente, é esta dúvida humana (presente no crente e no ateu) que mostra que a fé é radical e inescapável, seja em Deus, na razão, no estado, nas artes ou na ciência.

Não tem jeito gente, depois do naufrágio, todos querem se agarrar aos cacos do barco naufragado. Depois, podemos discutir se este é o jeito mais eficiente de sobreviver neste mar de desespero.

"Quem deseja fugir à incerteza da fé, há de experimentar a incerteza da descrença que, por sua vez, jamais conseguirá resolver sem sombra de dúvida a questão de se, por acaso, a fé não se cobre com a verdade. Somente na recusa revela-se a irrecusabilidade da fé." (Joseph Ratzinger em Introdução ao Cristianismo).
23 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Cruzadas e terrorismo são equivalentes?

Dizer que as cruzadas cristãs são o equivalente ao atual terrorismo islamista, equalizando forças religiosas a partir do critério "toda religião tem virtudes e vícios" é um argumento precário por algumas razões:

1) Olhe para os anos iniciais do islã e do cristianismo e veja como cada uma dessas religiões nasceram, e veja a relação de ambas com a violência no seu nascimento, são diametralmente diferentes. O jihadismo (não-progressista) do islã é sua face primitivista. Leia sobre o nascimento do cristianismo, o que você encontrará lá? Um judeu galileu crucificado. Leia sobre o nascimento do islamismo, o que você encontrará lá? A Hégira, Maomé organizando um exército em Medina para dominar a península arábica.

2) O cristianismo tem um conceito de martírio oposto ao conceito islamista (pode recorrer até a fontes progressistas), lá o martírio é passivo, aqui é ativo, lembrando que para a teologia islâmica conservadora, shahada (martírio) e jihad andam juntos, ou nas palavras de A. Ezzati da Universidade do Teerã "O conceito de martírio (shahada) no Islã apenas pode ser entendido a luz do conceito islâmico de Luta Santa (jihad).” (tradução nossa) fonte: http://www.al-islam.org/al-serat/vol-12-1986/concept-martyrdom-islam/concept-martyrdom-islam;

3) Equalizar cristianismo e islamismo a partir de possíveis crimes feitos por cada uma destas tradições é cair em um relativismo conveniente, ao invés de tratar as diferenças reais entre os dois fenômenos religiosos e suas respectivas matrizes religiosas. O cristianismo tem sua complexidade e o islamismo também, equalizá-las é evitar um honesto debate sobre a razão das cruzadas e do atual terrorismo jihadista;

4) Se alguma vez alguém em nome do cristianismo e até de Cristo cometeu algum tipo de violência, ele poderia ser disciplinado pelo "Sermão da Montanha" (por exemplo), enquanto no Alcorão não há nada equivalente a noção de "amar os inimigos" (lembra do filho do Hamás?). Em outras palavras, o cristianismo tem subsídio teológico e moral em sua matriz religiosa (a Nova Aliança) para disciplinar qualquer uso violento da mensagem de Cristo. Na matriz islâmica, o Alcorão, isto não é possível (apesar do esforço de alegorização do islã progressista). Ou seja, em caso de abusos uma "reforma" é possível a partir das fontes primárias do cristianismo, no caso do islã, uma reforma a partir do Alcorão levaria ao islamismo jihadista/wahhabista ou uma equivalência.

5) Islamofobia, no sentido de uma aversão violenta ou depreciativa ao muçulmano, não é algo cristão. Porém, rotular de islamofóbico todo tratamento teológico ou filosófico que discorde de aspectos da cosmovisão islâmica é desonestidade intelectual ou é se colocar em uma posição politicamente cômoda. Isto seria a mesma coisa que rotular Paulo de antissemita porque tinha sérias objeções sobre como o judaísmo rabínico funcionava. Não dá!

6) Jihad é uma obrigação religiosa para o islã, temo que o progressismo e o secularismo não terão forças para conter o jihadismo literalista, e o pior, temo que uma retórica cristã de não-crítica ao islã, só enfraquece o cristianismo que já sucumbe diante do crescimento islâmico e do secularismo em territórios pós-cristãos.

7) Enfim, comparar "cruzadas cristãs" com "terrorismo islâmico" é logicamente falacioso e fenomenologicamente inconsistente.   Um cristão pode alegar a partir de sua raiz histórica que as cruzadas são incompatíveis com o cristianismo, porém, infelizmente, o islã não pode relativizar a jihad a partir do mesmo critério, pelas razões supracitadas.

Nota: quanto à interpretação progressista de que jihad não implica em violência ou ação armada cito: "Depois do Alcorão, o hadith (registros sobre ditos e ações do profeta) é a segunda mais importante fonte da lei islâmica (shaaria).  Nas coleções do hadith, jihad significa ação armada; por exemplo, das 199 referências à jihad na mais padronizada coleção do hadith, Sahih al-Bukhari, todos assumem que jihad significa guerra.  Em um sentido mais amplo, Bernard Lewis afirma que "a maioria esmagadora dos teólogos clássicos, juristas, e tradicionalistas [i.e. especialistas em hadith].... entendiam a obrigação da jihad em um senso militar."  (tradução nossa) Fonte: http://www.meforum.org/357/what-does-jihad-mean
20 de fev. de 2015 | By: @igorpensar

Graça não é de graça... como é?

No século XVI, o reformador Martinho Lutero se levantou contra um ensino corrente que havia em sua época que promovia a noção que: uma vez que uma pessoa era iniciada na salvação pela graça de Cristo, a manutenção desta salvação dependia de uma cooperação humana com a graça de Deus para  se obter êxito final.  Ninguém podia alegar certeza de salvação no tempo presente, pois tal coisa só poderia ser informada na ressurreição.

O Evangelho é claríssimo: a salvação é toda pela graça, do início ao fim.  A obediência humana também é fruto desta dádiva.  Um cristão quando vence o pecado, o faz por causa da obra justificadora, mas também santificadora de Deus em Cristo.  Ninguém, nenhum cristão, pode ser santo sem que Deus opere por sua graça o "querer e o realizar" (Fp 2:13).

Porém, observe o que está aí abaixo neste trecho de uma pregação do "rabino" Marcelo Miranda Guimarães do Ensinando de Sião.  Lugar que frequentei durante 10 anos e que tem atraído muitos evangélicos deseducados nos fundamentos da fé cristã.  Observe que ele alega em vários momentos que a "graça não é de graça", caindo em uma fatal ambiguidade lógica.  Negando inclusive, o sentido do termo "graça".   Ele alega várias vezes que o cristão tem que pagar um preço para ser salvo. Ele tem que fazer sua contribuição a tal obra.  Observe como ele combina obras humanas com a obra da cruz, dizendo inclusive, que esta é a parcela do cristão, separado da obra de Cristo, na salvação.  

Caros leitores, pensem por vocês mesmos: se eu tenho que cooperar com algo que a cruz já realizou, isto significa que Cristo não salva totalmente, mas que eu preciso contribuir com esta obra.  Isto, obviamente, coloca a cruz menor do que é, e assim ela se torna uma obra incompleta, carecendo de uma contribuição humana.  Honestamente, isto não é Evangelho, mas um falso evangelho.  Considere as seguintes afirmações no vídeo e compare-as com os textos de Paulo logo a seguir:




Réplica Bíblica:

"Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça. E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça." (Rm 11:5-6)

"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus." (Rm 3:23-24).

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus não de obras, para que ninguém se glorie. (Ef 2:8-9).

"Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado." (Ef 1:5-6).

"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado." (Rm 4:4-8)

"Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo." (I Cl 15:10).

"Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus." (Rm 5:1-2).

"Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus,  que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos." (II Tm 1:8-9).

"Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." (Jo 1:16-17).
15 de dez. de 2014 | By: @igorpensar

Neo-Ateísmo sem Sentido

Uma realidade complexa resultante do puro caos e/ou aleatoriedade físico-química só poderia produzir uma "mentalidade" igualmente caótica e aleatória. Se nossa razão é inquieta em sua busca de sentido e coerência, parece plausível que a realidade não seja resultado de pura aleatoriedade, mas de intencionalidade criativa. Nestes termos, parece haver séria inconsistência lógica no neo-ateísmo evolucionista, principalmente, quando incoerentemente procura "explicar" algo a partir de uma razão, que parece ser a única coisa que se salvaguardou de um mundo desprovido de qualquer inteligibilidade, como se supõe. A "Razão", para esses empreendedores do "sem sentido", ocupa um lugar absoluto, sendo ela o fundamento e o critério de qualquer julgamento, a fonte de explicação de todas coisas. Assim, ironicamente, o neo-ateísmo acaba por atribuir um status religioso à Razão, quase, para não dizer, fatalmente, divinizando-a.
30 de out. de 2014 | By: @igorpensar

Vergonha Alheia

Conselhos teológicos para o sr. Matheus Z. Guimarães do Ensinando de Sião:

1) Faça um curso de teologia por favor, eu fico muito envergonhado quando me mandam seus textos teológicos, você precisa urgentemente fazer um curso de teologia decente.  Seu desconhecimento de história da Igreja não combina com sua postura em lidar com temas teológicos;

2) Você nunca ou pouco deve saber qual a diferença que existe entre pelagianismo, neo-pelagianismo e semi-pelagianismo.  Não deve saber que o antinomismo (vai ver na Wikipedia) foi ardentemente combatido pela reforma protestante, exigindo longas refutações por parte de Calvino e Lutero;

3) Você demonstra completa e irrestrita ignorância a respeito da tradição teológica do cristianismo. E fica neste "mimimi" de primeiro século querendo engabelar gente tão deseducada teologicamente quanto você;

4) Seja esperto, pare de ficar escrevendo asneiras teológicas sobre reformadores e pais da igreja, pois me mandam e-mails me perguntando o que acho.  E, inevitavelmente, responderei, e isso só piora a reputação de vossa já herética instituição religiosa;

5) E, se você ficar ofendido com o que escrevi aqui, usando falácias e argumentum ad hominem (não sabe o que é isso? Vai pra Wikipedia), isto só mostra, mais uma vez sua limitação argumentativa. Você vai achar arrogante, vai mostrar este texto para as pessoas, vai usar frases prontas "pelo fruto conhecereis e blá blá blá". Pode dizer que "não gosta de teologia", "pode bater nos teólogos", mas só faça isso se você nunca mais escrever textos teológicos, vamos combinar assim?  Aí, vou acreditar que você minimamente está tentando ser coerente com o que fala, OK?  Vocês são muito previsíveis.  Se o fizerem, isto só mostra a fraqueza teológica desproporcional que já vos acomete;

6) Honestamente, seus textos são sem métrica, falta retórica no que você escreve, falta cadência lógica e fontes teológicas com um mínimo de credibilidade histórica.  Pra ser um pouco mais honesto: falta beleza. Outra dica pra superar esta "pose teológica" que você adotou: vá ler Alister McGrath, Thomas Torrance, C.S. Lewis ou N.T. Wright, e você entenderá minimamente o que estou dizendo.   Faça um favor a seus leitores: debruce-se sobre as Institutas de João Calvino, leia pelo menos o Da Liberdade do Cristão do Lutero (é fininho).

7) Já ouviu falar de vergonha alheia? Eu tenho! Tenho muitos amigos versadíssimos em teologia, são educados, são portadores de uma espiritualidade há anos luz da que vi em vocês.  Então, quando eles olham para o que vocês escrevem.... eles coram de vergonha.  Pois, vocês fazem isso publicamente. Escrevem no site, colocam vídeos na web e isto fica tão feio.

8) Estou disponível para um debate teológico público com quem vocês quiserem.  Com você, com seu pai, pode ser gravado e sem cortes.  Sobre o tema que vocês quiserem.  Eu sugiro alguns dos seguintes temas: a Trindade, relação lei e graça, restauracionismo x cristianismo, Igreja & Israel, sobre a doutrina da salvação, e assim, deixaremos as pessoas julgarem.  O que acha?  Estou disponível.

9) Enquanto vocês vão brincando de construir uma nova religião, poderiam no mínimo, ouvir seus  supostos mestres lá de fora, que já defendem a legitimidade histórica do cristianismo, seu patrimônio que foi produzido de uma profunda devoção e entrega a Cristo.   Enquanto vocês batem no cristianismo, batem em uma grande nuvem de testemunhas, mártires e muita gente, que soube o que  é perder tudo por causa do conhecimento de Cristo. Tenham muito cuidado com o que escrevem. 
7 de ago. de 2014 | By: @igorpensar

Que inferno!

Seres humanos são obstinados por criar ou desejar um mundo ou uma realidade onde Deus não está lá. Um lugar onde não é preciso dizer "seja feita a tua vontade". Por enquanto, desfrutam de uma vida onde Deus ainda está presente, apesar do esforço coletivo em ignorá-lo. Porém um dia, salvo se não forem alcançados pela graça, terão o que sempre desejaram: uma realidade onde Deus está ausente. A este lugar damos o nome de inferno.
25 de mar. de 2014 | By: @igorpensar

Trindade: mitos de seus opositores

1) A Trindade é uma doutrina de homens.
R.: Não há doutrina divina que não passe pela interpretação humana. Deus quis que fosse assim, por isso, disse que o Espírito nos guiaria a toda verdade. A interpretação sempre esteve no cristianismo desde seu nascimento. Lembra de Atos 8? O etíope não sabia o que estava no profeta, Felipe interpretou.

2) Trindade é uma palavra que não está na Bíblia.
R.: A palavra "Bíblia" também não aparece na Bíblia, mas usamos o termo para nos referir ao conjunto de obras que consideramos infalíveis e divinamente inspiradas. Um termo não bíblico, para se referir à Bíblia. Trindade é o "apelido" para uma série de verdades bíblicas, que se harmonizam, nos revelando a natureza de Deus.

3) Trindade é idolatria, politeísmo ou triteísmo.
R.: Jamais. A Trindade foi elaborada justamente para proteger a fé cristã de uma interpretação não-monoteísta. O arianismo, a primeira heresia a respeito da natureza de Deus, sustentava que Cristo era a mais elevada das criaturas, e que ele era o que havia de mais próximo da divindade. Por isso, uma "criatura divina". O que o colocava na condição de um "outro" deus, e pior um "deus criado". O que implicaria em um golpe direto nas incontáveis afirmações bíblicas sobre a unidade de Deus. Idolatria é adorar a criatura ao invés do criador. Foi nisso que deu a primeira tentativa de oposição à Trindade.

4) A Trindade é de origem pagã, pois em várias culturas pagãs encontram-se tríades (trios de deuses).
R.: Em todas estas culturas não há nada equivalente à afirmação trinitária de que a natureza destas divindades é única e indivisível. Ao contrário, cada uma das divindades que formam a tríade divina pagã, possuem natureza ou "seres" distintos. São três divindades. Afirmar isso, na trindade, seria heresia. Quando se fala "três" na trindade, não tem o mesmo sentido de quando se diz "um". No paganismo, a unidade é mero "sinergismo", e as divindades são diversificadas. No cristianismo, a unidade é essencial, a natureza divina é una e indivisível. Enquanto que nesta unidade divina, há uma diversidade de "personas" (pessoas), cada qual cumprindo uma função ou papel distinto na divindade. Logo, dizemos "três" em referência às distinções entre Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, dizemos "um" quanto à divindade.

5) Mas, cristãos dizem "Deus Pai", "Deus Filho" e "Deus Espírito Santo", pra mim parece óbvio que são três deuses.
R.: Mais uma falha na compreensão da história e do desenvolvimento da doutrina cristã. Nenhum dos precursores na compreensão teológica da divindade na trindade, quando usavam a expressão "Deus" três vezes, pensavam em três divindades independentes. Pensavam, que os três compartilham de uma única natureza. Como disse Atanásio: "O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, mas não são três deuses." O uso triplo da expressão é apenas para expressar de forma didática que as pessoas da trindade compartilham de uma única natureza divina.

6) Vocês se isentam do debate sobre a Trindade, se escondendo atrás do argumento do "mistério".
R.: O argumento do mistério é uma questão de modéstia. A divindade em um sentido é inescrutável, mas quis se revelar por meio das Escrituras e por sua criação. Sendo estas as fontes que temos, podemos sim, vislumbrar e tirar algumas conclusões sobre o que Deus é e não é. Mas, não podemos tirar conclusões a ponto de esgotar a divindade. Em um sentido, Deus é mais do que a trindade pode explicar, mas em outro sentido, este Deus não pode ser menos do que isso.

7) A Trindade não é relevante para minha salvação.
R.: A Trindade não é meramente uma doutrina com implicações intelectuais. Ela é a narrativa ou história de como Deus se revelou e salvou os homens. Se Cristo não for plenamente divino, como Deus aplacaria o pecado? Se Cristo não for plenamente humano, que humanidade ele está salvando? Se o Espírito Santo não for plenamente divino, como podemos dizer que temos um relacionamento com Deus? Afinal, o Pai é exaltado, o Filho está a sua destra e tem a exclusividade da mediação com o Pai, e sendo nossa relação com Deus o Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Seria impossível pensar em um relação com Deus fora do Espírito. E pior, se o Espírito Santo é mera energia impessoal, estamos lascados, pois nosso acesso à Cristo dá-se pelo Espírito Santo. E é inadmissível que uma "energia" seja nossa interface de contato com Cristo. Uma leitura cuidadosa de Efésios 1, pode-se ver que Pai, Filho e Espírito Santo, cooperam em uma harmoniosa obra para "eleger" (Pai), "redimir" (Filho) e "selar" (Espírito Santo). Então, tenha cuidado ao dizer que a Trindade não é relevante para a salvação.

Bem, desculpem, mas escrevi este texto depois de um café do Sul de Minas, precisava dar explicações para perguntas que são absurdamente frequentes. Revisarei o texto depois, vão lendo aí.

Autor: Igor Miguel 
7 de jan. de 2014 | By: @igorpensar

Auto-vitimização

Auto-vitimização é quando uma pessoa ou instituição se coloca como vítima ou perseguida para desqualificar objeções contra as quais não pode contra-argumentar. Auto-vitimização é um tipo de manipulação emocionalista, acontece principalmente quando se esgotam os argumentos e o debate precisa ser suspenso por incompetência ou por falta de lógica nos posicionamentos que o criticado supostamente deveria defender. 

Geralmente, a suposta "vítima" confunde ideias com sentimentos, ideologias com pessoas, apologética com ofensa pessoal, e no fundo revela falta de modéstia em admitir que simplesmente pode estar errada. E o pior, a auto-vitimização é uma espécie de desonestidade intelectual; geralmente, o que defende suas ideias se torna o grande vilão, e o que se vitimiza consegue adeptos que são exatamente como ele: "vítimas" de um sofrimento virtual que só tem plausibilidade em sua teimosa imaginação. A auto-vitimização precisa de platéia para funcionar. 

Todos nós somos tentados a cair nesta armadilha em nossas relações humanas, principalmente em nossa sensível e epidérmica cultura latino-americana. Mais discernimento e sobriedade, pessoal.
23 de out. de 2013 | By: @igorpensar

Atenção Uberlândia!

Atenção comunidade evangélica de Uberlândia/MG,

Soube que recentemente foi realizado um evento do Ministério Ensinando de Sião em vossa cidade. Tenho irmãos de comunidades evangélicas e pastores nesta cidade que já estão tendo problemas com seus membros acerca da ênfase doutrinária dos ensinamentos propagados por esta instituição.  Desde já, informo que estou a vossa disposição para sanar quaisquer dúvidas teológicas ou doutrinárias que vossos membros tiverem.  Não estou disposto a fazer nenhum julgamento moral ou político quanto a esta instituição, pois lhes é garantido por lei esta ressalva.   Entretanto, objeções teológicas e ideológicas são amparadas e garantidas pela Constituição Federal Brasileira na lei de liberdade de expressão.  Participei desta comunidade por uma década e tenho motivos, que estão igualmente abertos à crítica pública, de que os ensinos por eles disponibilizados ferem os pilares clássicos da fé evangélica e do cristianismo historicamente constituído na centralidade de Cristo e na fé trinitária.

Indico inclusive alguns documentos já publicados neste site a respeito dos desvios doutrinários ensinados por eles.


Meu contato é: igor@teologo.org

Em Cristo,
Igor Miguel
20 de jul. de 2013 | By: @igorpensar

(Des)Qualificar o Cristianismo?

Quer desqualificar o cristianismo? Siga os seguintes passos: 1) sempre se lembre das cruzadas na idade média; 2) mencione a inquisição; 3) para atingir os protestantes, em específico, mencione a morte de Servetus; 4) e como último golpe, mencione que ao menos 60% da população alemã durante o holocausto era composta de luteranos.  

Gente, é assim que tem cristão virando judeu, tem gente montando comunidades primitivistas, tem gente se “desigrejando” e outros tornando-se ateus.  É assim, que o idealismo e o progressismo vai descredibilizando a comunidade cristã.  Claro que não vão mencionar a família Ten Boom, ou Dietrich Bonhoeffer o mártir cristão que se envolveu na resistência luterana contra o nazismo.  Não falarão de William Wilberforce, político cristão que se envolveu ardentemente contra o tráfico negreiro no Reino Unido.  Não mencionarão os infinitos benefícios sociais, o impacto sobre os direitos humanos e as diversas iniciativas cristãs em prol da justiça e da cultura.  Jamais mencionarão as inúmeras instituições de ensino  fundadas por comunidades católicas e protestantes.  Jamais mencionarão que a liberdade que desfrutam até mesmo para denegrir cristãos lhes fora dada por eles.  Nunca mencionarão, jamais dirão!

Quanto às fraquezas inerentes à reforma e ao cristianismo histórico, seria por demais ingênuo achar que poderíamos ser paraísos antecipados, seres angelicais e os reformadores empreendedores carregados de mítica perfeição. Somente um idealismo ingênuo, estranho à narrativa cristã da queda ou da afirmação reformada de que somos "santos mas ainda pecadores", poderia levar alguém a ter ideais tão rousseaunianos. Mas, enfim, retomo o fato de que este cristianismo, parafraseando Chesterton, vem cambaleando, é verdade, mas nunca caiu. Vem caminhando quase como um bêbado, mas manteve-se de pé em momentos decisivos. De qualquer forma, para superarmos o idealismo bizarro e cheio de aroma progressista, fica uma dica de Bonhoeffer: "Quem ama mais a igreja ideal do que a igreja real, nunca terá a primeira e destruirá a segunda". Ficamos com a igreja real, cheia de hipócritas e pecadores, alguns arrependidos, outros nem tanto. E, se você se enquadra na descrição anterior, então lá também tem lugar pra você.

“Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento.” (Mc 2:17)

Por Igor Miguel
15 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Rasguemos a Bíblia? Hã?

Prezados leitores,

Achei um texto no blog da Ana Clara Cabral, filha do Elienai Cabral Jr. brincando com fogo, ou melhor, com a Bíblia.  Refiro-me ao texto intitulado "Rasguemos a Bíblia!" da supracitada autora.

Pois é, pelo título, imagina-se as sandices escritas por causa de expressões cada vez mais "generosas" de cristianismo que encontramos por aí.  Sei que pessoas sofrem abusos, exclusões e julgamentos desproporcionais em nome de uma "fé" legalista e deseducada.  Mas, não é relativizando valores caros para a fé cristã que nos tornaremos mais tolerantes. 

Na verdade, o cristianismo é "intolerante" em algum sentido.  Não toleramos, por exemplo, o pecado.  Isso pode parecer meio hipócrita né?  Mas, não é não, pense direito!  Não toleramos o pecado que reside em nós, em primeira instância, e em nenhum outro ser-humano.  Não suportamos a antropologia de Jacques Rousseau que nascemos todos "bonzinhos", "legaizinhos" ou quase anjos.  Acreditamos na verdade de São Paulo, Agostinho, Lutero e Calvino, que somos todos pecadores, e somos por natureza filhos da ira, não obstante termos sido criados para sermos imagem de Deus. 

A questão é que a denúncia cristã a respeito do pecado não é um julgamento de fariseus hipócritas jogando pedras nos de fora, mas uma denúncia doméstica com fins universais.  Conhecer a Deus, envolve, concomitantemente conhecer a nós mesmo, já dizia o reformador genebrino.  Sendo assim, o que afirmamos é que a condição do gay não é diferente da nossa, eles não tem nenhum privilégio por serem "socialmente excluído".  Cristãos são contra a opressão e a injustiça, mas a opressão e a exclusão social de gays, lésbicas e transgêneros não os santifica, não os coloca de fora da denúncia cristã.  São pecadores, como nós cristãos.  A única exceção, neste caso, é que a "ficha caiu" pra nós, admitimos isto, e corremos pra cruz de Cristo por esta razão.  E convidamos a todos os homens a admitirem a mesma coisa: vocês não são bonzinhos!

Pois bem, fiz um comentário ao texto da Ana por lá, provavelmente será publicado, cito:

Ana Clara,

Li seu texto, teria muita coisa para escrever, dizer e me posicionar.  Mas, respeito seu direito de opinar publicamente, como espero, pelo bem da verdade que o cristianismo nos legou, que tenhamos um pouco de bom senso.  Acho muito cliché e sem bom gosto este lance de relativizar cristianismo para sermos "tolerantes" e “intelectualmente” relevantes.  O cristianismo sempre foi conhecido pelo amor ao pecador, e tinham como expressão máxima deste amor, a denúncia pública do pecado (Jesus não foi tolerante aos pecados de idolatria, corrupção moral, hipocrisia religiosa etc), e o anúncio da boa-nova que acolhe a todos.  Somos todos iguais, preste atenção nisso, somos todos iguais, mas iguais em nossa corrupção, em nossa insistência em sempre fazermos o que é errado.  Vivemos esta tensão de sermos “imagens de Deus”, porém, deformados pela trinca do pecado.  Somos inimigos de Deus, todos nós, gays, trans, héteros, homossexuais e nós cristãos.  A denúncia cristã não é que o homossexual é diferente de nós, exatamente o contrário, eles são exatamente como nós, dignos da mesma exortação que nos levou aos pés da cruz.  O convite cristão é para que se arrependam, como nós o fizemos ou fazemos.  Sinto muito, mas acho que seu texto está curvado diante das pressões culturais da pós-modernidade, você acha “cult” relativizar (rasgar) a Bíblia.  Acha fundamentalista a afirmação politicamente incorreta de uma Verdade.  Agora, sejamos minimamente honestos, e se a Bíblia estiver certa?  Sabe, o cristianismo não é uma religião de crédulos em qualquer besteira, mas céticos quanto a tudo que a cultura discursa.  Não acreditamos em tudo, acreditamos em Deus.  O mundo moderno acredita em tudo, menos em Deus.  Cristãos são céticos de mais, moderninhos são excessivamente crédulos.  E seu Deus nos fez como bonecos do barro? Qual é o problema?  Isto fere sua dignidade?  Desculpe, mas Rousseau estava errado, e Agostinho acertou, somos e nascemos pecadores, todos, indistintamente.  Poema ou história, somos, de fato, algo muito próximo do barro.

É isso aí...

Igor Miguel
4 de fev. de 2013 | By: @igorpensar

Les Misérables

Por Igor Miguel

Previsível.  Após grandes tragédias a questão do problema do mal é mais uma vez reerguida e  respondida.  Cristãos dos mais diversos seguimentos, espíritas, testemunhas de jeová, judeus e muçulmanos, emitem sua opinião sobre a questão.   Porém, não é esta minha previsível previsão.  Ela se dirige à seguinte equação:

desastres => explicações espiritualizantes => reação anti-religiosa

Pois é, houve uma enxurrada de evangélicos neo-pentecostais dando explicações de causa e efeito sobre o que aconteceu no fatídico evento em Santa Maria - RS.   Os comentários vão desde "julgamento divino", e como sempre, pseudo-relatos de que "satanás armou um laço de morte" e "mimimi".  Nada diferente de quando ocorreu o grande terremoto no Haiti:  um punhado de crente deseducado, dentre eles os "apóstolos" (e não-crentes também), afirmando ter sido o evento um tipo de julgamento por causa da prática de vudu entre haitianos.  Escrevi sobre isto na ocasião.

Diante da espiritualização de alguns, prevendo a reação não menos infantil de anti-religiosos que adoram este tipo de comentário, lancei a seguinte frase no Twitter para os crentes:


Claro que minha frase foi postada na esperança de ver alguns crentes despertarem de seu limbo espiritualizante, e assim, tomarem os devidos cuidados com a "falação".  Pensei: quem sabe alguns acabam se lembrando que a Bíblia fala de um Deus que é soberano sobre a vida e a morte.  E assim, esperava, largassem esse maniqueísmo de dois poderes equivalentes: Deus e o Diabo.  Pura ingenuidade minha.

Um mega-parênteses para ilustrar a concepção de alguns dos arautos destas sandices:

Após a matéria da Forbes sobre os "pastores/bispos/apóstolos" multimilionários, fiz questão de enviar um Twitter para alguns dos mencionados na matéria:


Não esperava nenhuma resposta, obviamente, mas não é que o Hernandes me respondeu?  Previsivelmente, a resposta dele foi bem dentro do esquema maniqueísta que me referi acima:



Cito este caso apenas para demonstrar como este pessoal faz: se fascinam pelo poder e o dinheiro, esquecem de erguer a cruz de Cristo, e depois me veem com estas chorumelas.   E ainda piram quando a mídia não-cristã abre a tumba e mostra como são "sepulcros caiados".  Claro que aí vale novamente o uso do inferno e do Diabo como dispositivos retóricos.  Ouvi que o Diabo é o Diabo de Deus, dizem ser esta frase de Lutero, pois é, mas para alguns, as coisas parecem uma grande partida de futebol, onde há onze jogadores de cada lado.  O que mostra mais uma vez a deseducação que acomete alguns dos que se identificam como cristãos evangélicos, e como alguns "pastores", como o autor da pérola aí cima, se valem da ignorância para se legitimarem.

Bem, agora que já tratei dos problemas domésticos.  Vou tratar um pouco dos problemas públicos.  Voltemos agora ao final da equação.

Pois é, a reação anti-religiosa foi imediata, também pudera, muitas abobrinhas circularam pela rede.    Foi publicada uma matéria de Cora Ronái no site O Globo no dia 31/01 com o título "Os Miseráveis", onde presumia este mero leitor, encontrar as impressões da autora sobre a atual produção para o cinema do clássico Les Misérables de Victor Hugo.  Entretanto, o que encontrei, foi um comentário deslocado quanto a proposta do artigo logo na introdução, quase em tom de desabafo.  Transcrevo:

Não aguento mais a estupidez e a ignorância dos fundamentalistas religiosos — de qualquer credo. Sou de um tempo em que religião era questão de foro íntimo: quem tinha tinha, mas não ficava exibindo em público, como medalha por bom comportamento. Não suporto mais ler caixas de comentários que, por qualquer motivo, viram latrinas imundas, cheias de brados louvaminheiros e palavras de acusação, transbordando um orgulho podre. Sim, porque é disso, afinal, que se trata: todos os que brandem a religião como se fosse a bandeira de um time se julgam superiores aos demais. Tenho horror dos que, em nome do “amor” entre aspas, semeiam o ódio mais visceral; me repugnam os que falam em nome de Deus — qualquer que seja ele — como se fossem seus legítimos porta-vozes. As notícias na internet sobre a tragédia de Santa Maria estão cheias de comentários absurdos, que condenam os jovens por se divertirem e lhes negam o Reino dos Céus. Que pessoas horrendas são essas que têm coragem de culpar as vítimas?! Que talibãs cristãos, que escória, que sarandalha desprezível.
_________
Pronto. Agora que desabafei, podemos ir em frente.

Sem comentar a indelicadeza com o leitor que espera ler uma coisa e encontra outra, tive que ler o texto em questão, pois o tema "religião" é de minha alçada.  Me senti um pouco incomodado com o tom generalizante e impreciso, mas há várias vozes reproduzidas aí, então vamos "brincar" com um pouco de apologética?

Primeiro, mandei o seguinte Twitter para ela:

Obtive a seguinte resposta:


Depois tentei um tréplica, e não obtive resposta (previsível também).  Mas, vamos lá.

Primeiro, acho que concordamos sobre a absurdidade desta turma que se aproveitou do evento de Santa Maria para expor sua concepção distorcida de cristianismo.  Concordo.  Mas, a moça deu algumas pisadas de bola que precisam ser tratadas.

Ela insinua que religião é de "foro íntimo", mas contraditoriamente, emite publicamente sua opinião sobre religião.  Uma prova que religião afeta publicamente a todos, mesmo os anti-religiosos (que não sei ser o caso da jornalista).

Religião NÃO é uma questão de foro íntimo, e a tentativa iluminista de segregar a vida religiosa à esfera privada fracassou, basta olhar para ver como a religião, política, psicologia, economia e por aí vai se intrincam.  Por esta razão, a religião é objeto de pesquisas acadêmicas, inclusive digna de uma "ciência da religião" para seu estudo.  Então, acho que a moça ficou emocionalmente afetada pela "opinião pública", e "publicamente" disse que religião não pode ser "pública".   Estranho não?

A resposta dela foi evasiva e não corresponde ao conteúdo do texto de O Globo onde critica diretamente as manifestações públicas idiotas, das quais também discordo, a respeito do evento em Santa Maria.  Penso que religião, cultura, futebol, política e questões de gênero, devem estar na arena pública, na ágora, nas praças, na web, e não devem ser privadas da crítica, nem pelos recursos legais, nem por nenhum discurso secularizante.

Talibãs cristãos... hum.  Veja bem, o uso do termo "talibã" aí refere-se a ideia geral de "fundamentalista", acho que fundamentalismo é um problema, apesar do uso indiscriminado do termo.  Entretanto, associar "fundamentalismo" com expressão pública de religiosidade é impreciso, se não foi esta a intenção, acabou ficando assim.

Todos os seres humanos operam a partir de tradições e visões de mundo diferentes.  E, obviamente, não dá para ser relativo, dá para ser dialógico, mas não relativista.  A agenda progressista não está disposta a abrir mão de sua agenda, mesmo amparada pelo mito do progresso, luta de classe e outros.  Ninguém acorda de manhã sem uma crença mínima sobre o sentido da vida, uma meta de realização, e se forem alienados, pode ter certeza, alguém com crenças bem firmes está pensando nisto e vendendo.  Nem que seja em forma de carro ou uma viagem para Punta Cana.

Finalmente, quero deixar claro que a falação "neopentecostalogospel" é pobre, espiritualizante, proselitista, anti-bíblica e alguns adjetivos a mais.  Mas não menos pobre e sentimentalista do que o "prefácio desconexo" dos miseráveis.  Não é só a neutralidade científica que é um mito, a neutralidade religiosa também.
1 de set. de 2012 | By: @igorpensar

Novo Estatuto do UMJC [denúncia]

Para quem não sabe, a Union of Messianic Jewish Congregations (União de Congregações Judaico-Messiânicas) internacional refez seu "estatuto de fé", melhorando e muito, afirmações que já eram explícitas no formato anterior, explicitando principalmente seus vínculos com a ortodoxia cristã.

O judaísmo-messiânico que chamo "kosher" é aquele composto por judeus de fato e autenticamente judeus que reconhecem em Jesus o Messias e Senhor, pleno de sua divindade, e efetivamente fonte donde procede toda salvação.  O que não pode ser confundido com movimentos compostos por gentios que se afirmam serem judeus por puro fascínio pela tradição judaica e o povo de Israel.

O problema é que existem congregações ligadas ao UMJC no Brasil que não concordariam com as afirmações da organização que supostamente as preside, como se observa abaixo.   Principalmente, depois do novo "ajuste", onde explicitamente, se reconhece o valor da Trindade e da Tradição Teológica do Cristianismo.

Quem quiser acessar a versão original clique aqui.

Alguns trechos importantes que traduzimos:

"Há apenas um Deus que se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Toda ação divina no mundo é alcançada pelo Pai, realizada através do Filho e no poder do Espírito. Este Deus se revelou na criação e na história de Israel como transmitido na Escritura." (Gn 1:1; I Co 8:6; Ef 4:4-6).
[...]
"A tradição judaica serve como ligação viva que nos conecta como judeus contemporâneos a nosso passado bíblico e prove recursos necessários para o desenvolvimento de um estilo de vida e pensamento judaico-messiânicos. Não obstante, a tradição teológica cristã oferece ricas percepções na revelação do Messias e sua vontade, e judeus-messiânicos precisam recorrer a esta riqueza (Ts 2:15; Rm 13:7; Jd 3)."
Em outras palavras, qualquer comunidade que se diga filiada ao UMJC no Brasil que não crê na Trindade nos termos aí descritos e ainda critica e rejeita a "tradição teológica cristã" simplesmente rebela-se contra aqueles a quem se dizem filiados.  A propósito, ao menos duas comunidades ligas ao UMJC no Brasil, não são trinitárias e tão pouco se posicionaram publicamente a respeito de qualquer favorecimento à tradição cristã.  O que tenho visto e vi por alguns anos, foi exatamente o contrário, como postei em artigo recente por aqui, onde destaco a alegação de alguns ligados ao movimento, que se colocam claramente contra a Trindade.  Logo, assevero, deve-se deixar claro que tais comunidades se aproximam muito mais de um formato restauracionista do que de um judaísmo-messiânico "kosher" que o UMJC se esforça em edificar.
10 de ago. de 2012 | By: @igorpensar

Psicologia Sectária

Por Igor Miguel 


A psicologia de uma seita é muito simples, mas se desvencilhar dela é muito complexo. Uma seita cria em você uma sensação de exclusividade, para isto, depende da depreciação de outros grupos. Precisa criar um discurso triunfalista, de que eles são a vanguarda, os pioneiros e que possuem uma "visão" superior, privilegiada e revolucionária.  Ao mesmo tempo, sempre possuem um discurso que depende da alegação de que "vêem coisas que ninguém mais vê", principalmente se possuírem um líder carismático, um modelo de super-santo, profeta ou apóstolo.

Geralmente, uma pessoa que vive neste tipo de ambiente não consegue se ver em nenhum outro tipo de comunidade, produz-se uma sensação de que não há vida para além dos muros de seu movimento. Pessoas que se frustram ou se decepcionam nestes lugares nunca mais se ligam a qualquer tipo de experiência comunitária. Sem contar, que serão tidos por rebeldes, traidores e desviados por aquelas pessoas com quem se relacionou por anos.  Grupos sectários precisam muito do "medo" como recurso para o funcionamento de seus interesses.

Outro detalhe importante:  é muito comum que as pessoas que chegam a ir para um grupo sectário, o tenham feito por causa de uma história de decepção com comunidades religiosas.  No Brasil, a maioria das pessoas que migram para grupos deste perfil, passaram por comunidades do tipo neo-pentecostal ou similares.  Geralmente, são pessoas com formação cristã muito rasa ou confusa.  Boa doutrinação resguarda muita gente destes erros. Boa doutrinação significa dar respostas eficientes e bíblicas para as dúvidas e  fazê-las a partir de uma boa tradição de mestres e teólogos que saibam lidar com elas.

O medo de criar novos vínculos é fatal e acaba em um ostracismo individualista, um tipo de cinismo religioso, se não se arriscarem a uma espiritualidade pautada na graça e na leveza do Evangelho. Se este é o tipo de experiência que você tem passado, um conselho: quanto mais se demora em um grupo sectário, mas difícil e dolorido é o processo de ruptura. Então, tome a decisão que precisa ser tomada e confie que o Espírito Santo te guiará a toda verdade, esta é uma promessa de Jesus.  Sim, João o apóstolo estava certo quando disse que o "amor lança fora o medo" (I Jo 4:18).
22 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Como ser um falso pastor


Desculpe-me pela acidez! Mas, é necessário fazer distinção entre pastores e mercenários.

10 passos para ser um "falso pastor" e queimar no inferno pela eternidade:

1) Fale somente o que as pessoas querem ouvir;

2) Crie uma imagem pública de homem ungido, cheio de "poder" e "unção", para isto, basta falar com uma voz impostada e gritar um pouco;

3) Traje roupas que deixem claro que você é um "escolhido" e "próspero", inspire as pessoas a serem como você;

4) Aja como um "profeta" alguém "escolhido", se conseguir uma ordenação "apostólica", ótimo, aí não haverá limites;

5) Não se preocupe em explicar detalhes, não seja muito profundo, apenas fale que é o "tempo profético", que você teve uma visão do ano da colheita, que este é o ano do avivamento (todo ano repita isto);

6) Use o "assim diz o Senhor" e pronto, toda crítica contra você será suspensa, afinal é o "Senhor" falando;

7) Nunca fale da cruz, do sofrimento, da perseguição, da luta contra o pecado, fale sobre a vitória, a benção total, palavras positivas;

8) Se alguém lhe questionar, declare publicamente, que estes são "rebeldes", "joios infiltrados", etc.

9) Se alguém tem "dinheiro" para sustentar seu ministério, dá-lhe uma posição de destaque em seu ministério;

10) O tempo inteiro demonstre que a obra está prosperando, que você e seu ministério estão conhecidos no mundo inteiro, diga que suas pregações estão sendo ouvidas por todo mundo, que milhões de pessoas estão sendo abençoadas por seu trabalho.

Pronto! Agora você está pronto para desfrutar do paraíso terrestre da picanha gorda, do carro bacana importado, caneta Mont Blanc, do sapato de couro de Jacaré, do relógio Rolex e vai imergir no ardente fogo do inferno pela eternidade.

Por motivos óbvios, nem precisa me convidar para ir a sua Igreja falar alguma coisa.
23 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Série Trindade - Parte IV

Nosso amigo, Eduardo Barnabé, um exímio estudioso da Bíblia e da teologia cristã, e claro, promissor teólogo e historiador, baseado em diversos estudos, inclusive em nossa série Trindade disponível aqui no Blog Pensar..., nos presenteia com uma palestra bem objetiva, rica e clara, sobre a Doutrina da Trindade.  A palestra foi realizada na UNB (Brasília -DF).   Ela está sendo inserida na série Trindade, como conteúdo convidado para esclarecer e fundamentar ainda mais este magnífico tesouro de nossa fé cristã.