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12 de mai. de 2014 | By: @igorpensar

O Alienista e a Alienação

Por Igor Miguel


Foi veiculado pela impressa televisiva e eletrônica, o recente projeto de elaboração de uma versão mais "fácil" da obra "O Alienista" de Machado de Assis. O projeto aprovado será financiado com fundos públicos de incentivo à cultura. A proposta é tornar acessível obras clássicas da literatura brasileira. A começar, por esta obra deliciosa de Machado.

A polêmica se polariza entre progressistas que são favoráveis à adaptação e conservadores que são favoráveis ao formato clássico da obra.  Bem, minha opinião vai mais pro espectro conservador. E digo os motivos educacionais de meu favorecimento a este posicionamento mais do que àquele.

As objeções de pedagogias mais progressistas irão no sentido de que a postura conservadora inclina-se a um tipo de elitismo excludente. Mas prefiro um posicionamento mais cirúrgico: o que é excludente neste país é uma pedagogia que não desafia, mas se simplifica baseado no argumento de inclusão de classes menos favorecidas. E isto acontece necessariamente porque ao invés de "puxarmos" os que estão em níveis de aprendizagem menos favoráveis, reduzimos a qualidade do ensino, alegando fins sociais inclusivos.

Nesse ponto, recorro ao psicólogo da educação Reuven Feuerstein que defende a tese de que inclusão não é necessariamente a que aceita ou se conforma com a estrutura cognitiva do educando. Mas, que em um tom de inconformismo, propõe desafios cognitivos que criam instabilidades, uma desarranjo estrutural, pois aprendizagem só acontece em tais situações (retomo a tese de Piaget de acomodação e assimilação). Logo, em algum sentido, não aceitamos nossos alunos como estão, queremos que cresçam, que se desenvolvam e tenham seu repertório simbólico enriquecido. Claro que existe aí um princípio da psicologia mediacional que sou favorável: o processo formativo de um aluno não pode ser tão desafiador a ponto de frustrar o aluno e nem tão fácil a ponto de enrijecê-lo. A ideia é criar uma liminaridade didática que o aluno consiga dar saltos viáveis em um processo de enriquecimento explorando a plasticidade de sua capacidade de aprendizagem. 

Baseado nesta postura de "aprendizagem baseada no desafio" que os educadores e a educação deveriam viabilizar o fornecimento de pré-requisitos simbólicos, ampliação do repertório linguístico e um bom programa de educação cognitiva (desenvolver a capacidade de pensar), e assim, possibilitar a leitura de obras da altura de Machado de Assis, em seu texto original.

Neste ponto, chegamos a uma falácia pedagógica muito recorrente em nossas escolas públicas, aquela que sustenta a inclusão como mera facilitação ou infantilização das interfaces pedagógicas. Ao contrário, uma educação inclusiva é aquela que amplia o universo do estudante, promove competências intelectuais e fornece ferramentas cognitivas, e neste caso, interpretativas, para que ele possa ter acesso ao que já existe. E não, adaptar a cultura às limitações que aí estão por falta de educação básica de qualidade.

Não vou nem chegar nas perdas inerentes a uma adaptação literária. Que qualquer um que lida com traduções ou versões reconhece.

Então fica aí o desafio: o que precisamos não é o empobrecimento de nosso patrimônio cultural, mas o enriquecimento da capacidade intelectual de nossos alunos. Mas, sabe como é, isto demandaria alta qualificação docente e da própria dinâmica escolar. Isto implicaria em uma radical reforma educacional. Fica aí o desafio.
27 de mar. de 2014 | By: @igorpensar

Educar: fracasso & esperança

 Por Igor Miguel

 Crianças e adolescentes são relativamente previsíveis, em contextos de vulnerabilidade, as coisas tendem a ser mais tensas, mas nem por isso, são menos crianças e adolescentes.  Um educador pode perder a cabeça facilmente ante demonstrações tão explícitas de rebeldia e anomia.

Não poucas vezes, chego em uma sala de aula onde meus alunos estão subindo nas mesas, trocando socos uns com os outros, destilando aos berros um sofisticado repertório de palavrões e expressões de baixo calão. Claro, tudo com um tempero de completa indiferença em relação a presença do professor. Há aquelas reações clássicas, do tipo, o professor que se destempera, impõe de forma agressiva sua autoridade, e é fato, funciona pra caramba. O problema é o que se perde por meio desta forma de educar. Se perdem os vínculos, estes tão importantes no processo educacional.

As maiores experiências educacionais que já presenciei, emergiram de uma construção sutil e intencional de vínculos simbólicos e afetivos. Eu faço discípulos entre meus alunos, em algum sentido quero que eles criem um tipo de admiração pelo meu mundo, gosto de provocá-los, gosto que eles me vejam como alguém provocativamente estranho. Pois é para outro mundo que quero levá-los.

Há muita defesa em relação a cultura dos aglomerados, mas a verdade é que as vezes esta cultura se reduz a uma velha roda de samba, onde a maioria dos jovens não se envolve, ou a cultura comunitária de ajuda mutua, que é interessante.  Fora isso, a cultura predominante é de um ciclo de violência atroz, que aliena, perverte, abate e rouba a dignidade.  Ciclos de desespero e apatia.

Meus alunos chegam muitas vezes sem esperança, em sua maioria, o mundo lhes parece muito pequeno e apertado.   Por isso, chego como um louco em sala de aula.  Conto histórias de viagens que fiz, trago cantigas de quando fui escoteiro, cito histórias de poetas, mostro fotos de meu filho, falo sobre minha vida cristã, os amigos igualmente loucos com quem convivo, e faço algumas peripécias sonoplásticas , eles adoram!  E comemoro quando um aluno meu consegue fazer algo que ele jamais imaginaria que poderia fazê-lo.  Lhes dou o "troféu joinha" ou "trofeu nerdinho" (para os que me surpreendem de verdade).  E assim, vamos criando vínculos, confiança e enfim...

E a bagunça? Bem, as vezes, meu coração e meu corpo são assaltados por uma profunda alegria.  Gostaria que isso acontecesse com mais frequência.  Mas, é como uma graça divina e pedagógica, que me farta de uma intencional paciência e de docilidade nas palavras. E isso tudo, diante da pura manifestação do mal.  Sorrio, e digo: "Como você está hoje?"  Dou um carinho, nas cabeças raspadas, em um gesto quase paterno, digo: "Calma, tenha paciência, vamos fazer um professor feliz hoje!"  E geralmente, os ânimos vão se acalmando, até que se vejam capturados pelas atividades, em uma guerra silenciosa contra a alienação e a lonjura de Deus.  Tem dias que saio da sala de aula, impotente, me sentindo um fracassado, mas tem dias, que saio como se o próprio Jesus tivesse estado entre eles, ensinando, educando e anunciando seu Reino.

Acho que educador cristão é assim mesmo. Povinho mais esperançoso!  Pulam pra dentro de um mundo de indiferença, dispostos a morrer e adoecer por uma causa com poucas possibilidades aparentes de sucesso, e vão indo, derramando sua vida.  Acho que tem um mistério nesta coisa de "aparente fracasso", a cruz nos ensina muito sobre isso.  No final das contas, somos o povo da fé, da esperança e do amor.  Aos trancos e barrancos com nossas fraquezas, mas confiantes, de que pela graça, Cristo estará sempre lá, abrindo janelas para um mundo completamente novo.
4 de fev. de 2014 | By: @igorpensar

Dissertação de Mestrado

Prezados leitores,

Disponibilizo minha dissertação de mestrado aos interessados.

Título: Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão.

[Baixar em PDF]

Nota.: Citações podem ser feitas livremente e sem prévia autorização, desde que citada a fonte e a autoria.  Respeite o direito à propriedade intelectual.

Abraços,
Igor
3 de dez. de 2013 | By: @igorpensar

Pedagogia e Olavo de Carvalho

Por Igor Miguel

“A partir dos anos 1980, a elite esquerdista tomou posse da educação pública, aí introduzindo o sistema de alfabetização “socioconstrutivista”, concebido por pedagogos esquerdistas como Emilia Ferrero, Lev Vigotsky e Paulo Freire para implantar na mente infantil as estruturas cognitivas aptas a preparar o desenvolvimento mais ou menos espontâneo de uma cosmovisão socialista, praticamente sem necessidade de “doutrinação” explícita.”
Não é a primeira vez que encontro afirmações dessa natureza nos escritos e ditos de Olavo de Carvalho, e já adianto, já encontrei coisas muito válidas em seus dizeres.  Porém, como alguém certa vez disse a respeito de Freud: como filósofo ele foi um excelente psiquiatra.  De fato, Olavo falha muitas vezes em questões de natureza educacional, e este é o ponto que tenho que compartilhar, pois Olavo tem se tornado referência para muitos educadores que se alinham com uma tradição mais conservadora como forma de reação a uma pedagogia mais à esquerda.

O referido trecho foi publicado no Diário do Comercio em 30 de outubro de 2012, e encontra-se em um dos capítulos do recente livro do Olavo intitulado: “O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota”.   Há alguns problemas em termos de teoria educacional no excerto.  Pra começar, misturou-se teoria psicológica do desenvolvimento com método (que ele chamou de sistema) de alfabetização.  De fato, há um método de alfabetização, e não um sistema, sob influência do estruturalismo piagetino que é denominado de método construtivista, que tem sido associado corretamente com a educadora argentina Emília Ferrero.  Paulo Freire, por sua vez, não tem qualquer relação, em termos teóricos, nem com Vygotsky e tão pouco com Piaget, ele se relaciona muito mais com movimentos libertários na pedagogia e na filosofia, do que com teorias da psicologia do desenvolvimento como a epistemologia genética de Piaget ou a teoria sócio-cultural ou sócio-interacionista de Vygotsky¹.  Ainda, Olavo falha ao afirmar um sistema de alfabetização “concebido” por Vygotsky, Emilia Ferrero e Paulo Freire.  

Então, vamos lá: Vygotsky nunca “concebeu” um método de alfabetização, Emilia é proponente de um método, o construtivista; e tem-se falado de um método “Paulo Freire” de alfabetização, que é em algum sentido, o método silábico, porém ideologizado.  Mas, se existe um método Paulo Freire, ele tem pouca ou nenhuma relação com o estruturalismo de Piaget ou a abordagem sócio-cultural de Vygotsky.

Não tenho dúvida de intenções na arena educacional na tentativa de uma hegemonia teórica, principalmente oriunda daqueles mais à esquerda, e isto tem anos.  Por outro lado, de fato, a teoria vygotskiana e a piagetina, lembro-vos, teorias do desenvolvimento cognitivo, não teorias pedagógicas necessariamente, são elucidativas em diversos aspectos para explicar o fenômeno da aprendizagem. 

O problema do texto é que ele é um tanto sofismático no argumento.  Não entendi a conexão entre “estruturas cognitivas aptas” com “doutrinação”.  Repito, acho que há doutrinação sim, mas em termos teóricos, não há qualquer argumento plausível que sustente a tese de que as abordagens teóricas, tanto de Vygotsky como de Piaget, favoreçam uma abertura “cognitiva” para a doutrinação marxista.  Se ao menos isto fosse dito a respeito de Paulo Freire, mas não foi o caso.  Houve aí uma mistura de teóricos, uma falta de distinção entre método, teoria e filosofia educacionais.  Não defendendo uma neutralidade ideológica nas perspectivas desenvolvimentistas aí apresentadas, ao contrário, tenho críticas e reservas tanto a Piaget como a Vygotsky. Mas, o salto “quântico” que associa uma teoria da psicologia e intenções doutrinárias nos termos que acontecem nas escolas no Brasil, alegando um “sistema” baseado diretamente nas teorias mencionadas, em particular Vygotsky e Piaget, seria um erro crasso e grosseiro.

Ironicamente, há pouco vi um vídeo em que Olavo de Carvalho criticava a filosofia paulofreiriana², e defendia, em contrapartida, a “pedagogia” do cientista israelense Reuven Feuerstein.  Fiquei feliz dele ter feito tal menção, tenho defendido a relevância da Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM) de Feuerstein há algum tempo, eu mesmo estive com ele pessoalmente há alguns anos em Jerusalém.  Porém, ironicamente, o próprio Feuerstein é explicitamente influenciado por Vygotsky e Piaget.  O próprio conceito de mediação é vygotskiano em certa medida, e a ideia de modificabilidade estrutural em sua teoria é oriunda do estruturalismo piagetiano.  Então veja bem, Olavo de Carvalho encontrou alguma plausibilidade na teoria de Reuven Feuerstein, mas ignorou,  em grande medida, como o cerne de sua teoria está radicado tanto no estruturalismo de Piaget, como na abordagem sócio-cultural de Vygotsky.  Para compreender a relação entre estes dois teóricos e Reuven Feuerstein, vale a pena dar uma lida no livro de Alex Kozulin: “Psychological Tools: social cultural approach in education.” 

Enfim, o que temo nisto tudo é que nesta gana de combater a imposição hegemônica do materialismo histórico dialético nas escolas, tanto em termos teóricos como metodológicos, Olavo de Carvalho, e muitos educadores conservadores, caiam em argumentos falaciosos desqualificando uma crítica apropriada ao esforço doutrinário em questão.  Repito, não se pode colocar todos os teóricos em uma única sacola, e simplesmente repudiá-los por serem soviéticos ou por terem sido cooptados por uma ala proselitista de esquerda.   O mesmo vale para cristãos que simplesmente ignoram determinados saberes teóricos produzidos por cientistas da educação ou da psicologia, por serem eles meramente não-cristãos.  Neste caso, recorro ao reformador francês, João Calvino, que assevera: “Se reputarmos ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade, a própria verdade, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus.” (As Institutas da Religião Cristã, Livro II, Capítulo 2).

_________________
¹Sem mencionar uma influência relevante que considero não-desprezível do filósofo existencialista judeu Martin Buber.  Que é precisamente o que ainda me faz ler Paulo Freire, não obstante, a maioria dos pedagogos não fazer qualquer menção a respeito desta relação.

² Lembrando que Paulo Freire não desenvolveu nenhuma teoria psicológica ou do desenvolvimento, mas uma filosofia ou visão política educacional.
6 de jun. de 2013 | By: @igorpensar

Aprovação no Mestrado da USP

Prezados leitores,

Este post é só para agradecer aos amigos, irmãos e companheiros de jornada vocacional, que oraram e nos encorajaram até este dia de graça, que foi a conclusão de nosso mestrado em letras, em particular, na área de língua hebraica, literatura e cultura judaicas, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.  Fomos aprovados pelos três membros da banca.

Reservo todo louvor e glória ao Deus que, em Jesus Cristo, graciosamente nos fez chegar até este dia.  Agradeço a Ele, pois só Ele sabe com precisão que sem os recursos que procedem de sua graça, seria impossível,  por mim mesmo, concluir tal encargo.

Confesso que foi muito emocionante apresentar a relevância de uma pedagogia pré-moderna como "Provérbios de Salomão".  Em mundo permeado por diversos paradigmas educacionais, defender que há uma voz pedagógica e bíblica antes mesmo das grandes civilizações ocidentais, foi uma tarefa difícil.  Mas, parece que se tornou plausível.

Agradeço aos membros da banca, especialistas em Bíblia/língua hebraica e na área educacional, minha família (esposa, filho, mãe, sogra e cunhada) e o mano Wagner Pessoa por sua presença na defesa.   Agradeço a Katarine por nos acompanhar no almoço após a defesa.

Obrigado aos amigos de comunidade de fé, meu pastor (Guilherme), amigos do peito (Aender, Tiago e Erike) por nos encorajar, agradeço muito mesmo. Muito obrigado por aqueles que passaram em nossa vida e contribuíram diretamente ou indiretamente com o sucesso deste trabalho.  Muito obrigado pelos diversos e-mails, mensagens e twitters de encorajamento e as orações.

Agradeço aos membros da banca: Profa. Dra. Ana Szpiczkowski (orientadora), Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Araújo (FFLCH/USP) e Profa. Dra. Mitsuko Aparecida Makino Antunes (PUC-SP).

A banca nos encorajou a publicar a investigação em forma de livro e partirmos para o doutorado, vamos orar e pensar um pouco a respeito.  Mas se esta for a vontade Deus, o faremos.

Em breve, a investigação estará disponível para todos no "Banco de Dissertações e Teses" da Universidade de São Paulo, informarei por aqui.  O título da investigação é: "Mischlei" e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão

Enfim, graças a Deus e obrigado a todos!

Soli Deo Gloria,

Igor


26 de abr. de 2013 | By: @igorpensar

Defesa Dissertação do Mestrado

Prezados leitores,

Este é um convite aberto a todos que queiram comparecer à defesa de minha dissertação de mestrado, que acontecerá no dia 5/6 no prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP).   Maiores informações sobre horário e local pode ser acessado aqui: http://www.pos.fflch.usp.br/node/38905

Tema:
Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão

Orientador:
Profa. Dra. Ana Szpiczkowski

Banca:
Profs. Drs. Reginaldo Gomes de Araújo (FFLCH - USP) e Mitsuko Aparecida Makino Antunes (PUC-SP).


Abraços,
Igor Miguel





5 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Escola Especial de Missões Urbanas

Eu, Cida Mattar e Ariovaldo Ramos estaremos ensinando na Escola Especial de Missões Urbanas e falaremos sobre o tema:  "Educação Cristã para o Desenvolvimento Social", que este ano acontecerá na 8ª Igreja Presbiteriana em Belo Horizonte - MG durante os dias 5 a 29 de novembro.




10 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Educador Trinitário (AECEP)

Apresentação da oficina "O Educador Trinitário" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O evento aconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Inteligência Cristã (AECEP)

Apresentação da palestra "Por uma inteligência cristã" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O eventoaconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

12 de ago. de 2011 | By: @igorpensar

Geração Y, Redes Sociais & Inteligência

Hoje ministramos uma palestra pra galera do ensino médio do Colégio Batista Getsêmani em BH, sobre o tema "Geração Y, Redes Sociais e Inteligência".  A ideia basicamente foi falar sobre como podemos fazer um uso criativo e inteligente desta tecnologia, ao invés de darmos um tratamento reducionista e emburrecedor, ou darmos um tratamento moralista. Se, nossos alunos estão "distraídos" com estas tecnologias e rendendo pouco em sala de aula, isto pode ser fruto de um distanciamento ou uma inadequação de nossa linguagem com esta web-geração.  

A Internet e as Redes Sociais podem ser um grande recurso para desenvolvimento de uma inteligência comunitária, participativa, e a elaboração de uma nova leitura, como já coloquei aqui no post intitulado "Inteligência Hipertextual".

Disponibilizo os slides... a fala, quem quiser, é só convidar a Humanitas, minha empresa de consultoria educacional, para dar uma palestra em sua escola ou instituição educacional.  Para isto, envie um e-mail contato@humanitas.com.br


Abraços,
Igor Miguel
30 de abr. de 2011 | By: @igorpensar

Workshop de Educação Escolar Cristã


Estarei ministrando junto com Guilherme de Carvalho e Rodolfo Amorim no 20º WORKSHOP DE EDUCAÇÃO ESCOLAR CRISTÃ organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios), instituição que tem filiada a seu quadro de associados as principais escolas cristãs confessionais no Brasil. O evento ocorrerá entre os dias 7-9 de julho de 2011 na Universidade Presbiteriana Mackenzie - São Paulo - SP.

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"Eu acredito no cristianismo como acredito no sol; não apenas porque o vejo, mas porque por meio dele vejo todo o resto"

C.S. Lewis

A educação escolar é um instrumento chave para formar a visão de mundo ou cosmovisão do indivíduo. Muitos de nós, educadores cristãos, fomos formados numa cosmovisão humanista secular que apresenta não só uma única visão, mas também uma visão anticristã de mundo. O educador cristão precisa conhecer as características básicas das cosmovisões predominantes neste século e refletir sobre como isto tem influenciado sua vida e o currículo escolar. Nossa proposta neste evento é resgatar a essência do Cristianismo, que são os princípios fundantes da cosmovisão cristã, e apresentar outras cosmovisões que tem permeado o currículo escolar na atualidade e as consequentes implicações na nossa cultura. Abordaremos as várias concepções de currículo escolar e refletiremos sobre como apresentar uma abordagem cristã de currículo.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
Haverá uma programação cultural que incluirão apresentações artísticas, visitas ao Museu da Língua Portuguesa, Pinacoteca do Estado de São Paulo (Museu de Arte) e Estação Ciência da USP (A Estação Ciência possui cinco grandes áreas: Física: Astronomia (planetário), Transformações de energia, Eletricidade, Mecânica, Eletromagnetismo, Óptica; Matemática: Matemateca, Matemática brasileira, MATHS 2000(Matemática francesa); Ciências da Terra: Geografia e Urbanismo, Geologia e Petróleo, Castelo Medieval, Bacia Hidrográfica; Biologia: Corpo Humano, Aquários e Biologia Marinha, Butantan; Estação Natureza: cinco grandes vagões, localizados sobre os trilhos na plataforma externa da Estação Ciência, que apresentam ao público os biomas e a diversidade da natureza brasileira, utilizando como ferramenta de sensibilização a interatividade e as sensações (aromas, temperaturas, sons e texturas) como complementação de temas que serão abordados em seções temáticas e workshops curriculares.

Para este evento a AECEP fez uma parceria com o L'abri Brasil* que apresentará as palestras gerais e outras seções temáticas resgatando conceitos fundamentais para uma cosmovisão cristã.


A comunidade L'Abri foi fundada na década de 50 por Francis e Edith Schaeffer na Suíça, existindo hoje em onze comunidades espalhadas pelo mundo. L'Abri significa "o abrigo" em francês, traduzindo bem a identidade essencial da nossa comunidade: a prática da hospitalidade. O L'Abri Brasil foi iniciado oficialmente em janeiro de 2008 como um centro de estudos que combina vida em comunidade, hospitalidade e reflexão cristã. Por meio do engajamento integral e pessoal, o L'Abri quer demonstrar a realidade de Deus, e promover a riqueza da nossa humanidade, por meio de Jesus Cristo. É essencialmente um refúgio: um lugar para recobrar as forças, curar-se, repensar a vida e recomeçá-la.
Mais informações: http://www.labribrasil.org/

PRELETORES CONVIDADOS :

Guilherme de Carvalho é casado com Alessandra de Carvalho e tem duas filhas. Formado em teologia pela EST da Universidade Mackenzie, fez mestrados em Teologia (FTBSP) e Ciências da Religião (UMESP), realizou estudos de Religião e Ciência no Faraday Institute da Universidade de Cambridge, e trabalhou como professor no ensino médio (sociologia) e superior (teologia). É fundador da Associação Kuyper (aket), pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte e diretor de L'Abri Brasil.

Rodolfo Amorim Carlos é graduado em Relações Internacionais (PUC-MG), com uma especialização em Gestão do Terceiro Setor (PUC-MG) e Mestre em Sociologia das Organizações (UFMG). Membro fundador da Associação Kuyper (aket), dirigiu o Centro Betel de Transformação Integral (2003-2007), e trabalhou como professor no ensino médio e no ensino superior. É presbítero da Igreja Presbiteriana do Buritis (IPB), um dos coordenadores do "Arte em Foco" e obreiro de L'Abri desde 2008.

Igor Miguel é casado com Juliana Miguel, cristão reformado, teólogo, pedagogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas (USP). Trabalha em tempo integral com Educação Cognitiva e Intervenção Pedagógica na OMCV (Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado) em BH-MG. Faz parte da Associação Kuyper (aket), do Conselho da Igreja Esperança em Belo Horizonte e é voluntário na Escola de Teologia e Vida Cristã do L'Abri.


PALESTRAS GERAIS:

PALESTRA GERAL 1 - A Visão Cristã de Deus e a Identidade Cristã do Educador - Guilherme de Carvalho
- O coração da fé cristã é o próprio Deus Trino, tal qual se revelou na história da salvação e nas Escrituras. E a identidade do Cristão é moldada e definida por esse conhecimento de Deus. Na primeira plenária vamos examinar qual é a visão Cristã de Deus, como ela constitui a identidade e a cosmovisão cristã, e como a busca por uma Educação geuninamente cristã é inseparável do conhecimento de Deus.

PALESTRA GERAL 2: - A Identidade Cristã do Educador e o Currículo - Igor Miguel
- Na segunda plenária examinaremos de perto a relação entre a pessoa do educador e o currículo, tanto no nível explícito (do conteúdo e de sua estruturação) como no nível implícito (da identidade do educador). A chave para essa reflexão será o estudo da idéia Bíblica de "Sabedoria" como chave para a compreensão da tarefa pedagógica cristã.

PALESTRA GERAL 3: - O Senhorio de Cristo e a Missão de Educar - Guilherme de Carvalho
- A terceira plenária tem como tema central o Senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da vida, e como isso altera todas as relações de poder - na política, na família, na igreja, no trabalho e principalmente na escola. Partindo de um estudo da Cosmovisão Bíblica na Carta de Paulo aos Colossenses, vamos buscar uma compreensão profunda e prática sobre como o próprio ambiente Escolar carrega um currículo oculto, e como esse currículo oculto pode ser iluminado e transformado pelo Senhorio de Cristo.

PALESTRA GERAL 4: - O Escopo Integral da Espiritualidade Cristã e a Tarefa Educacional
- O foco da plenária inicial é o impacto da visão Cristã de Deus na pessoa do educador; na plenária final o foco será a relação do educador com os diversos aspectos de sua vida no mundo. Nossa tese central será de que a espiritualidade cristã tem um escopo integral, tocando todas as áreas da vida. Após apresentar a tensão existente entre modelos de espiritualidade fragmentados e a prática educacional contemporânea, será apresentado o modelo bíblico abrangente de espiritualidade e seus desdobramentos para uma prática educacional integrada e integradora da vida humana na criação.

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Apoio:

SBB – Sociedade Bíblica do Brasil

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21 de mai. de 2010 | By: @igorpensar

Pedagogo: o profissional

Por Igor Miguel

*A imagem ao lado é uma estatueta em terracota que fora encontrada na Grécia. Uma representação do "escravo pedagogo" conduzindo seu aprendiz à escola.

Existe uma confusão nas datas. Alguns dizem que dia 18, outros 20 e outros 22. Então, vou postar hoje dia 21 para agradar gregos e troianos. De qualquer forma, não posso deixar de homenagear estes profissionais que pensam processos educacionais e que estão nas várias instâncias da sociedade, engajados na educação.

Eles não estão só na escola. Estão também na empresa, nas ONGs, instituições filantrópicas, entidades religiosas, faculdades, forças armadas, hospitais e onde você puder imaginar, lá terá um pedagogo.

Tornou-se sem dúvida a profissão com o maior número de profissionais na atualidade. O que pode parecer um desprestígio, na minha interpretação, não é. Afinal, quem faz o bom pedagogo é o próprio pedagogo.

Um bom pedagogo está conectado com o mundo do conhecimento, sabe se articular nos vários universos formacionais. O pedagogo é o cara que não educa somente, ele pensa no processo educacional propriamente dito. Já dizia que a diferença entre a educação espontânea e a educação pedagogicamente orientada, é que a última é INTENCIONAL. Ou seja, o pedagogo é alguém que ensina sem "ingenuidade".

Assim, um pedagogo, preocupa-se com os meios, com o processo, entre o sujeito que aprende e seu objeto de aprendizagem. Um mediador por excelência. O pedagogo, não se concentra no conteúdo, concentra-se em como traduzir o conteúdo em termos que seus aprendizes possam compreender.

Para isto, vale-se de recursos teóricos. Procura compreender a cognição, o afeto e a complexidade social da realidade de seus alunos. Um bom pedagogo é com certeza um pesquisador. Não consegue olhar para a realidade desprovido de um repertório sofisticado para interpretá-la.

Quando se ouve um bom pedagogo, não se sabe se ele é filósofo, antropólogo, sociólogo, ou psicólogo ou historiador, pois vale-se de ferramentas das diversas ciências da educação para integrá-las em favor de seu campo de atuação.

Um pedagogo, pode-se dizer, é um cientista da interdisciplinaridade. Talvez, pela complexidade de seu campo de atuação, talvez seja por isso injustamente tratado como um "generalista" ou a própria pedagogia como uma "ciência" sem "epistemologia". Não obstante, prefiro considerá-lo como um articulador dos vários saberes.

Mas lá, na pedagogia, o debate é intenso, pois eles(as) (os(as) pedagogos(as)) são bons(boas) no debate. Lembro-me de calorosos embates sobre a emblemática dicotomia "teoria" e "prática", pois de fato, não dá para ser um pedagogo sem uma boa base teórica, bem como sem uma boa atuação prática.

O pedagogo não quer ser um "ativista" da educação, e tão pouco, alguém que se dedica às elucubrações teóricas que não atingem a realidade de sua atuação. Ele é o sujeito da práxis. Ele deseja uma boa atuação, teoricamente bem orientada.

Enfim, neste dia, gostaria de homenagear, todos os profissionais da educação, que como eu, amam sua profissão e querem se engajar para tornar esta belíssima área em objeto de respeito e reconhecimento, pela realidade que é a profissão PEDAGOGO!
23 de nov. de 2009 | By: @igorpensar

Pedagogia da Sabedoria: aprender a viver

Por Igor Miguel

Um texto foi aqui postado sobre "A Sabedoria para Além do Racionalismo", de fato, há no conceito de sabedoria hebraico, um elemento muito rico que pode ser explorado pela educação em sentido amplo. Como ainda vivemos em uma sociedade técnico-capitalista, pedagogias enraizadas no pensamento cartesiano, uma educação concentrada no racionalismo e no desempenho cognitivo, ainda possuem muito peso. Por outro lado, a concentração demográfica nas grandes metrópoles contíguo ao individualismo tão perturbador, provoca em educadores uma inquietante pergunta: não está na hora de uma educação que considere outros fatores da complexidade humana?

A educação concentra-se na inteligência lógica, no desempenho cognitivo, na habilidade técnica, por uma questão óbvia, atender uma demanda mercadológica. Os ídolos da modernidade são o mercado e a produtividade, naturalmente, a pedagogia e a atuação educacional se concentrará neste sentido: fornecer o máximo de estímulo tendo em vista a formação técnico-cognitiva.

A pedagogia tornou-se reducionista, tanto como a sociedade atual reduziu-se ao mercado e ao capital. Assim, como a esfera capitalista devora os outros aspectos da complexidade humana, inevitavelmente a educação deixou-se devorar por esta lógica. Como instituição pública, a escola, uma dimensão cada vez mais sujeita ao mercado, mensura seu desempenho a partir do mesmo paradigma.

A grande contradição é que há um falso discurso de que tudo na vida é sucesso financeiro e desempenho profissional. Por outro lado, os homens procuram estabilidade emocional, afetiva e social, uma realização subjetiva, que o mundo objetivo não consegue preencher.

Como lidar com esta contradição? Eis um terreno que a educação está distante. A pedagogia moderna não ensina os jovens a lidar com a complexidade da vida humana, não introduz seus aprendizes aos desafios e contradições da vida espiritual, da vida social e dos dilemas de um mundo cada vez mais truculento. O que se vê são jovens cada vez mais apegados a um reino de conforto e de "realizações digitais", do que sujeitos treinados para lidar com a vida social e com o mundo do convívio.

Não há uma educação orientada para o "homem", para os dilemas internos da vida humana, não há uma educação concentrada no plano vital, na responsabilidade social. É claro que não se pode generalizar. De fato há iniciativas aqui e acolá, que procuram desenvolver a solidariedade e convivência, mas a realidade em escolas públicas de periferia é nua e crua. Há um abismo monstruoso entre o que a escola promete e a realidade de se viver em comunidades excluídas.

A sabedoria hebraica pode ser inspiradora neste sentido. As "instituições comunitárias" (família, a comunidade religiosa, escolas, etc) são as grandes responsáveis por introduzir seus jovens à vida. Um pedagogia pela sabedoria, orientaria os jovens ao princípios do "saber viver", não somente a viver uma experiência lógico-matemática, mas à compreender os dilemas de sua vida afetiva, dando sentido aos próprios sentimentos, procurando meios para o desenvolvimento da convivência com o outro no mundo, considerando as relações humanas um universo de possibilidades desafiadoras.

Neste sentido, o elemento ético presta um serviço importante. Lidar com dilemas éticos pode ser muito elucidativo. De alguma forma, o que se vê são pais criando seus filhos privando-os de experiências desconfortáveis, são jovens entorpecidos pelo conforto, que não sabem sofrer e lidar com adversidades. Os efeitos de uma educação analgésica, pode trazer efeitos desastrosos a jovens que mais tarde estarão diante da vida em toda sua brutalidade, sem ferramentas adequadas para lidar com tais desafios.
30 de out. de 2009 | By: @igorpensar

Conteudismo x Densidade intelectual

Por Igor Miguel

Há algumas semanas na FEUSP, tive o privilégio de ouvir uma aula interessantíssima com o Prof. Dr. Miquel Martinéz educador e ex-vice-reitor da Universidade de Barcelona, envolvido com educação de valores e qualificação de docentes. Tive a alegria de ouvir uma afirmação que me chamou muito a atenção.

Ele fez um contra-ponto ao discurso pós-moderno de crítica à educação enciclopédia da "educação tradicional", asseverando que esta contradição transformou-se em uma desqualificação da profissão docente, enquanto um profissional possuidor de boa densidade cultural/intelectual.

Eis uma crítica que compartilho. Não sou favorável a ideia corrente de que a sofisticação intelectual do educador pode ser uma reprodução do "discurso burguês". Infelizmente galgados nessa ideologia, muitos educadores tornaram-se insípidos culturalmente e intelectualmente. A consequência inevitável foi o declínio e a desvalorização da profissão docente.

Não acho que o problema da docência e da baixa qualidade educativa tenha respostas simples, mas qualquer visita à sala de aula de uma escola pública ou mesmo privada, o que se verá são excelentes docentes, mas também péssimos docentes. O problema não é o salário, como se pode imaginar, ao contrário, há docentes mal pagos, mas que são simultaneamente excelentes profissionais.

Sem dúvida, um dos fatores é a falta de reconhecimento social e público da profissão docente. O próprio professor não se valoriza, devido ao fato de que a sociedade não o reconhece, não o reconhece pois há um esvaziamento intelectual, o professor deixou de ser mestre.

Já sei, sei que pode haver algum tipo de reação aqui, uma proposta de retorno ao tradicionalismo pedagógico ou coisa do gênero. Já deixo claro que não! Não concordo com a linearidade pedagógica, com modelos de docência diretiva, com o conteudismo, a marginalização do aluno no processo e a homogeneização institucional. Ao contrário, porém, em processos revolucionários e em reformas culturais, sempre ocorrem perdas e renúncias de conquistas.

Não se pode chamar de “conteudista” um processo educativo fecundo culturalmente, ou que prima pela democratização da informação e o acesso à determinados conteúdos aos alunos. O mundo é permeado de códigos culturais, de valores e a mídia está aí. O grande volume de informação disforme, aos olhos dos jovens expectadores precisa ser criticado, articulado e retro-alimentado. Mas, como fazer isso, se muitas vezes os professores chegam como técnicos da educação, como reprodutores de livros didáticos, se muitos chegam sem articulação e sem consciência de sua autonomia docente.

Sim! O professor necessita se articular, se sofisticar e se tornar um agente criativo e fomentador de ambientes propícios à atividade intelectual, cultural, emocional e ética. Na dimensão intelectual, abordar com critério a realidade; na dimensão cultural propiciar a fecundidade criativa e uma postura interpretativa; na dimensão emocional explorando os potenciais afetivos e na esfera ética a responsabilidade dialógica. Sem sofisticação intelectual, sem emoção e sem diálogo, esvaziar-se-á a atividade docente e dar-se-á a última “pá de cal” o atual status docente.
21 de dez. de 2008 | By: @igorpensar

Finalmente Graduado

Finalmente, terminei minha graduação em pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais ontêm (dia 20/12) à noite.  A cerimônia de colação de grau foi incrível, foram momentos realmente de muita alegria.  Agradeço minha esposa, meus pais, minhas irmãs, meus sogros e meu sobrinho, pela torcida e consideração por este rito de passagem.

Abraços!
Igor
9 de dez. de 2008 | By: @igorpensar

Apresentação de Monografia - Convite

Caros amigos,

Este é um convite para a apresentação e defesa da minha monografia de conclusão de curso.  Segue abaixo maiores informações, será um prazer recebê-los.

Título: A Importância da Educação Cognitiva no Processo de Inclusão Escolar
Data: 10/12/2008
Orientador: Profa. Mestre Regina Leal
Local: No auditório da Faculdade de Educação da Universidade de Minas Gerais.
Endereço: Rua Paraíba , 29 Bairro Funcionários - Belo Horizonte/MG (Próximo ao Hospital João XXIII).
Horário: 9:30 hs 

RESUMO DA MONOGRAFIA:

A monografia aborda os paradigmas legais e teóricos que sustentam o conceito de inclusão social e suas implicações educacionais, bem como a possível importância da educação cognitiva para esse processo.  A investigação tem por objetivo geral abordar a importância da educação cognitiva e programas educacionais inerentes a essa perspectiva, que possam facilitar o desenvolvimento de sujeitos com dificuldades educacionais especiais.  Como objetivo específico, concentra-se em uma experiência realizada in loco no Instituto de Educação de Minas Gerais, uma escola pública da rede estadual que se encontra situada na região central de Belo Horizonte, caracterizada pela alta diversidade de seu público.  A referida experiência deu-se em sessões de mediação cognitiva com alunos da referida instituição, que apresentavam evidentes dificuldades de aprendizagem.  A pesquisa foi norteada por teorias do desenvolvimento como a epistemologia genética de Jean Piaget; a abordagem sócio-cultural[1] de Lev S. Vygotsky e principalmente as teorias da modificabilidade cognitiva estrutural e a experiência da aprendizagem mediada desenvolvidas por Reuven Feuerstein, que sintetizou as duas teorias anteriores.

Palavras-chave: Inclusão; aprendizagem; educação cognitiva; mediação; Reuven Feuerstein.



[1] Adotamos a terminologia usada por Alex Kozulin

10 de out. de 2008 | By: @igorpensar

Pedagogia eclética. Que trem é esse?

Por Igor Miguel

Há alguns anos, perguntei a uma pedagoga qual o método de alfabetização ou qual pressuposto teórico ela tinha simpatia, ou a partir de qual referencial ela pensava sua práxis pedagógica. Naturalmente, esperava que ela dissesse algo como, sou construtivista ou sócio-interacionista, dialética, materialista-histórica, crítica, libertária, behaviorista, tradicional-conteudista ou algo do gênero; mas não, ela disse: - Sou eclética!


Eclética? Até hoje estou digerindo essa resposta e não tenho coragem de dizer o que penso sobre o que ela disse e por favor, não me force a dizer isso pra ela. Torço para que ela leia este texto acidentalmente - tomara que isso aconteça - mas, não estou disposto a fazer isso, ainda não.

Mas, voltando a resposta da pedagoga eclética. Sinceramente, o que ela desejava dizer com isso?

O termo "eclético" vem do grego εκκλητικος (ekklétikos), o Dicionário Aurélio o define como: "Posição intelectual ou moral caracterizada pela escolha, entre diversas formas de conduta ou opinião, das que parecem melhores, sem observância duma linha rígida de pensamento" (Dicionário Aurélio - Versão Eletrônica). Interessante pois filologicamente falando, o termo grego em sua conotação primeva, é uma junção de de duas expressões gregas.

A primeira delas é "ek" que é uma preposição ablativa, cujo desdobramento latino é o ex*, que pode ser traduzida como "de" (de origem, como from em inglês).

A segunda parte da palavra vem da raiz "klêtós" que pode ser traduzida como "chamar", "convocar", "eleger", etc.

O termo ekletikos tem conotação política, Xenofontes usa a expressão referindo-se a um comitê de cidadãos escolhidos para uma função específica.

Baseado nessas informações poderíamos construir uma definição etimológica de "eclético" ou do que vem a ser "ecletismo".

Em português a idéia de "escolha" está presente no termo eclético, ao menos conforme o Aurélio, há uma conotação eletiva, como alguém que "elege" certas idéias como próprias e assim, evita a rigidez de apenas uma opinião.

Meu receio, é que minha amiga, ao dizer "eclética" não o fez nos termos do Aurélio, temo que ela associou seu "ecletismo" como justificativa para sua ingenuidade teórica, como uma resposta "evasiva" para o esvaziamento epistemológico de sua prática pedagógica.

Receio, que a pedagoga eclética, seja um pedagoga do pragmatismo pedagógico, do ativismo inconsciente e possivelmente uma profissional do senso comum.

Uma pergunta perturbadora seria: É possível ser um pedagogo eclético? Respeitando-se a conotação etimológica da palavra, acredito que sim. Se ser eclético significa se apropriar de algumas abordagens pedagógicas que são contíguas, que dialogam entre si, sim é possível ser eclético. O que não significa que isso seja algo simples, penso que nos termos acima seria quase insustentável o ecletismo. A exigência intelectual de combinar diversas referências teóricas e a partir delas construir uma referência metodológica para ensinar, não é tarefa fácil.

Sinceramente, os novos rumos da pedagogia no Brasil, não são muito animadores. O caminho que as faculdades de educação estão tomando, a partir dos novos paradigmas legais (novas diretrizes curriculares do curso de pedagogia), resulta em uma pedagogia pragmática. Isso significa que a pedagogia perde sua sofisticação e o pedagogo não é um cientista da educação. Deveria sê-lo, mas não é, já deram o último golpe nessa ciência que estava quase morrendo. Nas novas diretrizes do curso de pedagogia, a pesquisa está afixada no último lugar, em uma escala hierarquicamente organizada em docência, gestão e pesquisa, isso não deveria ser assim. Pergunto: quem está pensando pedagogia enquanto ciência?

Mas, os grandes responsáveis por esse fracasso epistemológico, foram os próprios pedagogos, pois ao gabarem-se de seu ecletismo, esvaziaram a pedagogia de sua profundidade teórica, dicotomizando teoria-prática, desmerecendo a tradição científica sobre a educação, debochando de homens como Piaget, Vygotsky, Makarenko, Freire, Dewey e outros. Existem, contradições entre essas abordagens, fazer recortes entre eles, e eleger o que parece interessante, é uma arte que eu pessoalmente não sei fazer, e tenho minhas dúvidas que alguém o consiga de forma competente. Não quero ser generalista, luto contra isso, tenho esperança, e me orgulho de minha profissão, luto para não ser associado com um animador de crianças, luto para mostrar que nossa profissão é algo além, e o faço com alguma leitura, com reflexão e me esforço para articular isso em minha prática pedagógica.

Não é de hoje, que insisto sobre a crise epistemológica da pedagogia, fiz um crítica sobre isso aqui neste blog em outro momento quando ainda estava no segundo período da faculdade. Já sentia essa angústia naquela época.

Me parece que o caminho para superar a crise seria criar uma nova tradição, estimular a pesquisa, fomentar filósofos da educação, provocar o surgimento de cientistas da educação e epistemólogos da pedagogia.

Uma pessoa que diz que é construtivista e sua prática é tradicionalista, ou a que diz que é libertadora e é conteudista, não é nada, é um auxiliar de distribuição de saberes bancários**.

Sinceramente, tenho minhas dificuldades de denominar isso de ecletismo pedagógico. Isso é um pandemônio pedagógico, um mutante hibrido, andrógeno, uma coisa indefinida. Uma contradição à natureza da pedagogia, enquanto ciência que educa deliberadamente, com intencionalidade.

Se neutralidade científica é um mito, ecletismo pedagógico é uma desculpa esfarrapada para a inconsciência profissional. Ecletismo pedagógico é sinônimo de ingenuidade pedagógica.

Tenho esperança, o fatalismo não faz meu estilo, minha formação ético-religiosa me ensinou a crítica, mas também me ensinou a esperança, o sonho e a possibilidade de mudança. Acredito que nossas ações tem efeitos redentores. Baseado nessa ética, podemos mudar a situação, a coruja*** pode voar mais alto e sair da caverna da obscuridade. Há certa conotação revolucionária nessa fala, um "q" de revolução cultural. O desafio seria um retorno aos clássicos, ler bons teóricos, fazer boas leituras, não esses livros de fórmulas educacionais prontas, de discursos milagrosos, mas boas referências.

Insisto, que a pedagogia é ciência da educação, essa é minha utopia, e sonho com grandes debates epistemológicos, com mais congressos, simpósios e pesquisas que tenham isso como tema.

___________
* Um bom exemplo do uso da preposição "ex" (latim) é a expressão ex-nihilo que pode ser traduzido como "do nada".
** Bancário, no sentido que Paulo Freire dá ao termo, quando se refere à eduacão conteudista.
*** A coruja é símbolo da pedagogia.
27 de out. de 2006 | By: @igorpensar

Diálogo e Massificação

Por Igor Miguel

Cultura massificada, mundo-mercado como retomar as abordagens clássicas da Teoria do Conhecimento, que se atêm à relação “sujeito”-“objeto”? Ao menos o que se propõe é abrir espaço para outra opção gnosiológica: o diálogo, a nova e clássica dialogicidade. Não mais a relação sujeito-objeto, mas sujeito-sujeito (Martin Buber). Não é nada novo, remonta aos tempos de Sócrates e dos antigos rabinos judeus. Quando se diz “diálogo”, não há vínculo com a percepção comum do termo, mas fala-se de método, de extensão científica e da apropriação do conhecimento em movimento intersubjetivo (Vygotsky).

O diálogo é certamente o confronto saudável e criterioso, porém com uma ética óbvia, um interesse comum: a produção mútua de saberes. Isto significa muitas vezes abrir-se ao conflito, vivenciar “tempestades de idéias”, rever dogmas ou mesmo abrir mão deles. Esta é a singularidade do diálogo como método, não se dialoga com o inanimado, neste caso o sujeito é fenômeno. O homem é humano, a cultura é humanizada, não há saberes estáticos. Há neste processo, naturalmente, uma sensação de extremo relativismo, mas aí reside o conhecer, quando a “crise” angustia. Na crise, na problematização, nas interrogações e no terreno móvel do saber, surgem paradigmas sujeitos à crítica, se sobreviverem se tornarão “paradigmas”, referenciais teóricos.
Este caráter enigmático do problema é a grande energia que move o conhecer (Mathew Lipman). Nunca em um mundo onde pseudo-saberes são impostos, houve tanta necessidade de diálogo, de submeter as diversas informações ao critério do diálogo.

Uma possível solução? Transformar os espaços públicos em arenas para o pensar, reatar vínculos intelectuais, permutas de saberes “humanos” e não estes “saberes enlatados”. Cruel mundo contemporâneo, rompeu os vínculos, corroeu o diálogo, quebrou-se a crítica e pôs fim à democracia. Democracia do diálogo, pela ditadura unilateral de um mundo midiatico. Deixa-se o desafio, de se retomar a boa conversa, não pelo simples falar, mas como método científico, produção de saber humanizado. Não uma ciência excludente, pelo contrário interativa.

A educação precisa vivenciar o diálogo, dar o último golpe na primazia do saber docente. A religião precisa de diálogo, para refletir sobre si e os outros, pensar-se. A política precisa se abrir ao diálogo, não manipular a opinião pública, antes ser democrática em si, não esta democracia representantiva (representante-ativo), mas participativa (participante-ativo). Esta participação só será possível pelo diálogo, pela abertura de fóruns e pela reformulação de uma ética coletiva, uma ética social e pelo acesso aos que detêm poder. Somente assim, teremos uma rede de debates abertos, de uma coletividade preocupada com o conhecer e não em reproduzir discursos e slogans de um mundo plástico, vendido pelo silêncio da maioria.