O Alienista e a Alienação
Educar: fracasso & esperança
Não poucas vezes, chego em uma sala de aula onde meus alunos estão subindo nas mesas, trocando socos uns com os outros, destilando aos berros um sofisticado repertório de palavrões e expressões de baixo calão. Claro, tudo com um tempero de completa indiferença em relação a presença do professor. Há aquelas reações clássicas, do tipo, o professor que se destempera, impõe de forma agressiva sua autoridade, e é fato, funciona pra caramba. O problema é o que se perde por meio desta forma de educar. Se perdem os vínculos, estes tão importantes no processo educacional.
As maiores experiências educacionais que já presenciei, emergiram de uma construção sutil e intencional de vínculos simbólicos e afetivos. Eu faço discípulos entre meus alunos, em algum sentido quero que eles criem um tipo de admiração pelo meu mundo, gosto de provocá-los, gosto que eles me vejam como alguém provocativamente estranho. Pois é para outro mundo que quero levá-los.
Há muita defesa em relação a cultura dos aglomerados, mas a verdade é que as vezes esta cultura se reduz a uma velha roda de samba, onde a maioria dos jovens não se envolve, ou a cultura comunitária de ajuda mutua, que é interessante. Fora isso, a cultura predominante é de um ciclo de violência atroz, que aliena, perverte, abate e rouba a dignidade. Ciclos de desespero e apatia.
Meus alunos chegam muitas vezes sem esperança, em sua maioria, o mundo lhes parece muito pequeno e apertado. Por isso, chego como um louco em sala de aula. Conto histórias de viagens que fiz, trago cantigas de quando fui escoteiro, cito histórias de poetas, mostro fotos de meu filho, falo sobre minha vida cristã, os amigos igualmente loucos com quem convivo, e faço algumas peripécias sonoplásticas , eles adoram! E comemoro quando um aluno meu consegue fazer algo que ele jamais imaginaria que poderia fazê-lo. Lhes dou o "troféu joinha" ou "trofeu nerdinho" (para os que me surpreendem de verdade). E assim, vamos criando vínculos, confiança e enfim...
E a bagunça? Bem, as vezes, meu coração e meu corpo são assaltados por uma profunda alegria. Gostaria que isso acontecesse com mais frequência. Mas, é como uma graça divina e pedagógica, que me farta de uma intencional paciência e de docilidade nas palavras. E isso tudo, diante da pura manifestação do mal. Sorrio, e digo: "Como você está hoje?" Dou um carinho, nas cabeças raspadas, em um gesto quase paterno, digo: "Calma, tenha paciência, vamos fazer um professor feliz hoje!" E geralmente, os ânimos vão se acalmando, até que se vejam capturados pelas atividades, em uma guerra silenciosa contra a alienação e a lonjura de Deus. Tem dias que saio da sala de aula, impotente, me sentindo um fracassado, mas tem dias, que saio como se o próprio Jesus tivesse estado entre eles, ensinando, educando e anunciando seu Reino.
Acho que educador cristão é assim mesmo. Povinho mais esperançoso! Pulam pra dentro de um mundo de indiferença, dispostos a morrer e adoecer por uma causa com poucas possibilidades aparentes de sucesso, e vão indo, derramando sua vida. Acho que tem um mistério nesta coisa de "aparente fracasso", a cruz nos ensina muito sobre isso. No final das contas, somos o povo da fé, da esperança e do amor. Aos trancos e barrancos com nossas fraquezas, mas confiantes, de que pela graça, Cristo estará sempre lá, abrindo janelas para um mundo completamente novo.
Dissertação de Mestrado
Título: Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão.
[Baixar em PDF]
Igor
Pedagogia e Olavo de Carvalho
“A partir dos anos 1980, a elite esquerdista tomou posse da educação pública, aí introduzindo o sistema de alfabetização “socioconstrutivista”, concebido por pedagogos esquerdistas como Emilia Ferrero, Lev Vigotsky e Paulo Freire para implantar na mente infantil as estruturas cognitivas aptas a preparar o desenvolvimento mais ou menos espontâneo de uma cosmovisão socialista, praticamente sem necessidade de “doutrinação” explícita.”
Aprovação no Mestrado da USP
Este post é só para agradecer aos amigos, irmãos e companheiros de jornada vocacional, que oraram e nos encorajaram até este dia de graça, que foi a conclusão de nosso mestrado em letras, em particular, na área de língua hebraica, literatura e cultura judaicas, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Fomos aprovados pelos três membros da banca.
Reservo todo louvor e glória ao Deus que, em Jesus Cristo, graciosamente nos fez chegar até este dia. Agradeço a Ele, pois só Ele sabe com precisão que sem os recursos que procedem de sua graça, seria impossível, por mim mesmo, concluir tal encargo.
Confesso que foi muito emocionante apresentar a relevância de uma pedagogia pré-moderna como "Provérbios de Salomão". Em mundo permeado por diversos paradigmas educacionais, defender que há uma voz pedagógica e bíblica antes mesmo das grandes civilizações ocidentais, foi uma tarefa difícil. Mas, parece que se tornou plausível.
Agradeço aos membros da banca, especialistas em Bíblia/língua hebraica e na área educacional, minha família (esposa, filho, mãe, sogra e cunhada) e o mano Wagner Pessoa por sua presença na defesa. Agradeço a Katarine por nos acompanhar no almoço após a defesa.
Obrigado aos amigos de comunidade de fé, meu pastor (Guilherme), amigos do peito (Aender, Tiago e Erike) por nos encorajar, agradeço muito mesmo. Muito obrigado por aqueles que passaram em nossa vida e contribuíram diretamente ou indiretamente com o sucesso deste trabalho. Muito obrigado pelos diversos e-mails, mensagens e twitters de encorajamento e as orações.
Agradeço aos membros da banca: Profa. Dra. Ana Szpiczkowski (orientadora), Prof. Dr. Reginaldo Gomes de Araújo (FFLCH/USP) e Profa. Dra. Mitsuko Aparecida Makino Antunes (PUC-SP).
A banca nos encorajou a publicar a investigação em forma de livro e partirmos para o doutorado, vamos orar e pensar um pouco a respeito. Mas se esta for a vontade Deus, o faremos.
Em breve, a investigação estará disponível para todos no "Banco de Dissertações e Teses" da Universidade de São Paulo, informarei por aqui. O título da investigação é: "Mischlei" e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão
Enfim, graças a Deus e obrigado a todos!
Soli Deo Gloria,
Igor
Defesa Dissertação do Mestrado
Tema:
Mischlei e Mediação Educacional: uma análise pedagógica de Provérbios de Salomão
Orientador:
Banca:
Abraços,
Igor Miguel
Escola Especial de Missões Urbanas
Educador Trinitário (AECEP)
Inteligência Cristã (AECEP)
Geração Y, Redes Sociais & Inteligência
Igor Miguel
Workshop de Educação Escolar Cristã
C.S. Lewis
A educação escolar é um instrumento chave para formar a visão de mundo ou cosmovisão do indivíduo. Muitos de nós, educadores cristãos, fomos formados numa cosmovisão humanista secular que apresenta não só uma única visão, mas também uma visão anticristã de mundo. O educador cristão precisa conhecer as características básicas das cosmovisões predominantes neste século e refletir sobre como isto tem influenciado sua vida e o currículo escolar. Nossa proposta neste evento é resgatar a essência do Cristianismo, que são os princípios fundantes da cosmovisão cristã, e apresentar outras cosmovisões que tem permeado o currículo escolar na atualidade e as consequentes implicações na nossa cultura. Abordaremos as várias concepções de currículo escolar e refletiremos sobre como apresentar uma abordagem cristã de currículo.
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
Haverá uma programação cultural que incluirão apresentações artísticas, visitas ao Museu da Língua Portuguesa, Pinacoteca do Estado de São Paulo (Museu de Arte) e Estação Ciência da USP (A Estação Ciência possui cinco grandes áreas: Física: Astronomia (planetário), Transformações de energia, Eletricidade, Mecânica, Eletromagnetismo, Óptica; Matemática: Matemateca, Matemática brasileira, MATHS 2000(Matemática francesa); Ciências da Terra: Geografia e Urbanismo, Geologia e Petróleo, Castelo Medieval, Bacia Hidrográfica; Biologia: Corpo Humano, Aquários e Biologia Marinha, Butantan; Estação Natureza: cinco grandes vagões, localizados sobre os trilhos na plataforma externa da Estação Ciência, que apresentam ao público os biomas e a diversidade da natureza brasileira, utilizando como ferramenta de sensibilização a interatividade e as sensações (aromas, temperaturas, sons e texturas) como complementação de temas que serão abordados em seções temáticas e workshops curriculares.
Para este evento a AECEP fez uma parceria com o L'abri Brasil* que apresentará as palestras gerais e outras seções temáticas resgatando conceitos fundamentais para uma cosmovisão cristã.
A comunidade L'Abri foi fundada na década de 50 por Francis e Edith Schaeffer na Suíça, existindo hoje em onze comunidades espalhadas pelo mundo. L'Abri significa "o abrigo" em francês, traduzindo bem a identidade essencial da nossa comunidade: a prática da hospitalidade. O L'Abri Brasil foi iniciado oficialmente em janeiro de 2008 como um centro de estudos que combina vida em comunidade, hospitalidade e reflexão cristã. Por meio do engajamento integral e pessoal, o L'Abri quer demonstrar a realidade de Deus, e promover a riqueza da nossa humanidade, por meio de Jesus Cristo. É essencialmente um refúgio: um lugar para recobrar as forças, curar-se, repensar a vida e recomeçá-la.
Mais informações: http://www.labribrasil.org/
PRELETORES CONVIDADOS :
Guilherme de Carvalho é casado com Alessandra de Carvalho e tem duas filhas. Formado em teologia pela EST da Universidade Mackenzie, fez mestrados em Teologia (FTBSP) e Ciências da Religião (UMESP), realizou estudos de Religião e Ciência no Faraday Institute da Universidade de Cambridge, e trabalhou como professor no ensino médio (sociologia) e superior (teologia). É fundador da Associação Kuyper (aket), pastor da Igreja Esperança em Belo Horizonte e diretor de L'Abri Brasil.
Rodolfo Amorim Carlos é graduado em Relações Internacionais (PUC-MG), com uma especialização em Gestão do Terceiro Setor (PUC-MG) e Mestre em Sociologia das Organizações (UFMG). Membro fundador da Associação Kuyper (aket), dirigiu o Centro Betel de Transformação Integral (2003-2007), e trabalhou como professor no ensino médio e no ensino superior. É presbítero da Igreja Presbiteriana do Buritis (IPB), um dos coordenadores do "Arte em Foco" e obreiro de L'Abri desde 2008.
Igor Miguel é casado com Juliana Miguel, cristão reformado, teólogo, pedagogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas (USP). Trabalha em tempo integral com Educação Cognitiva e Intervenção Pedagógica na OMCV (Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado) em BH-MG. Faz parte da Associação Kuyper (aket), do Conselho da Igreja Esperança em Belo Horizonte e é voluntário na Escola de Teologia e Vida Cristã do L'Abri.
PALESTRAS GERAIS:
PALESTRA GERAL 1 - A Visão Cristã de Deus e a Identidade Cristã do Educador - Guilherme de Carvalho
- O coração da fé cristã é o próprio Deus Trino, tal qual se revelou na história da salvação e nas Escrituras. E a identidade do Cristão é moldada e definida por esse conhecimento de Deus. Na primeira plenária vamos examinar qual é a visão Cristã de Deus, como ela constitui a identidade e a cosmovisão cristã, e como a busca por uma Educação geuninamente cristã é inseparável do conhecimento de Deus.
PALESTRA GERAL 2: - A Identidade Cristã do Educador e o Currículo - Igor Miguel
- Na segunda plenária examinaremos de perto a relação entre a pessoa do educador e o currículo, tanto no nível explícito (do conteúdo e de sua estruturação) como no nível implícito (da identidade do educador). A chave para essa reflexão será o estudo da idéia Bíblica de "Sabedoria" como chave para a compreensão da tarefa pedagógica cristã.
PALESTRA GERAL 3: - O Senhorio de Cristo e a Missão de Educar - Guilherme de Carvalho
- A terceira plenária tem como tema central o Senhorio de Cristo sobre todos os aspectos da vida, e como isso altera todas as relações de poder - na política, na família, na igreja, no trabalho e principalmente na escola. Partindo de um estudo da Cosmovisão Bíblica na Carta de Paulo aos Colossenses, vamos buscar uma compreensão profunda e prática sobre como o próprio ambiente Escolar carrega um currículo oculto, e como esse currículo oculto pode ser iluminado e transformado pelo Senhorio de Cristo.
PALESTRA GERAL 4: - O Escopo Integral da Espiritualidade Cristã e a Tarefa Educacional
- O foco da plenária inicial é o impacto da visão Cristã de Deus na pessoa do educador; na plenária final o foco será a relação do educador com os diversos aspectos de sua vida no mundo. Nossa tese central será de que a espiritualidade cristã tem um escopo integral, tocando todas as áreas da vida. Após apresentar a tensão existente entre modelos de espiritualidade fragmentados e a prática educacional contemporânea, será apresentado o modelo bíblico abrangente de espiritualidade e seus desdobramentos para uma prática educacional integrada e integradora da vida humana na criação.
INSCRIÇÕES E MAIORES INFORMAÇÕES CLIQUE AQUI
Apoio:
SBB – Sociedade Bíblica do Brasil
Patrocínio
PrincipalPedagogo: o profissional
*
Existe uma confusão nas datas. Alguns dizem que dia 18, outros 20 e outros 22. Então, vou postar hoje dia 21 para agradar gregos e troianos. De qualquer forma, não posso deixar de homenagear estes profissionais que pensam processos educacionais e que estão nas várias instâncias da sociedade, engajados na educação.
Eles não estão só na escola. Estão também na empresa, nas ONGs, instituições filantrópicas, entidades religiosas, faculdades, forças armadas, hospitais e onde você puder imaginar, lá terá um pedagogo.
Tornou-se sem dúvida a profissão com o maior número de profissionais na atualidade. O que pode parecer um desprestígio, na minha interpretação, não é. Afinal, quem faz o bom pedagogo é o próprio pedagogo.
Um bom pedagogo está conectado com o mundo do conhecimento, sabe se articular nos vários universos formacionais. O pedagogo é o cara que não educa somente, ele pensa no processo educacional propriamente dito. Já dizia que a diferença entre a educação espontânea e a educação pedagogicamente orientada, é que a última é INTENCIONAL. Ou seja, o pedagogo é alguém que ensina sem "ingenuidade".
Assim, um pedagogo, preocupa-se com os meios, com o processo, entre o sujeito que aprende e seu objeto de aprendizagem. Um mediador por excelência. O pedagogo, não se concentra no conteúdo, concentra-se em como traduzir o conteúdo em termos que seus aprendizes possam compreender.
Para isto, vale-se de recursos teóricos. Procura compreender a cognição, o afeto e a complexidade social da realidade de seus alunos. Um bom pedagogo é com certeza um pesquisador. Não consegue olhar para a realidade desprovido de um repertório sofisticado para interpretá-la.
Quando se ouve um bom pedagogo, não se sabe se ele é filósofo, antropólogo, sociólogo, ou psicólogo ou historiador, pois vale-se de ferramentas das diversas ciências da educação para integrá-las em favor de seu campo de atuação.
Um pedagogo, pode-se dizer, é um cientista da interdisciplinaridade. Talvez, pela complexidade de seu campo de atuação, talvez seja por isso injustamente tratado como um "generalista" ou a própria pedagogia como uma "ciência" sem "epistemologia". Não obstante, prefiro considerá-lo como um articulador dos vários saberes.
Mas lá, na pedagogia, o debate é intenso, pois eles(as) (os(as) pedagogos(as)) são bons(boas) no debate. Lembro-me de calorosos embates sobre a emblemática dicotomia "teoria" e "prática", pois de fato, não dá para ser um pedagogo sem uma boa base teórica, bem como sem uma boa atuação prática.
O pedagogo não quer ser um "ativista" da educação, e tão pouco, alguém que se dedica às elucubrações teóricas que não atingem a realidade de sua atuação. Ele é o sujeito da práxis. Ele deseja uma boa atuação, teoricamente bem orientada.
Enfim, neste dia, gostaria de homenagear, todos os profissionais da educação, que como eu, amam sua profissão e querem se engajar para tornar esta belíssima área em objeto de respeito e reconhecimento, pela realidade que é a profissão PEDAGOGO!
Pedagogia da Sabedoria: aprender a viver
A educação concentra-se na inteligência lógica, no desempenho cognitivo, na habilidade técnica, por uma questão óbvia, atender uma demanda mercadológica. Os ídolos da modernidade são o mercado e a produtividade, naturalmente, a pedagogia e a atuação educacional se concentrará neste sentido: fornecer o máximo de estímulo tendo em vista a formação técnico-cognitiva.
A pedagogia tornou-se reducionista, tanto como a sociedade atual reduziu-se ao mercado e ao capital. Assim, como a esfera capitalista devora os outros aspectos da complexidade humana, inevitavelmente a educação deixou-se devorar por esta lógica. Como instituição pública, a escola, uma dimensão cada vez mais sujeita ao mercado, mensura seu desempenho a partir do mesmo paradigma.
A grande contradição é que há um falso discurso de que tudo na vida é sucesso financeiro e desempenho profissional. Por outro lado, os homens procuram estabilidade emocional, afetiva e social, uma realização subjetiva, que o mundo objetivo não consegue preencher.
Como lidar com esta contradição? Eis um terreno que a educação está distante. A pedagogia moderna não ensina os jovens a lidar com a complexidade da vida humana, não introduz seus aprendizes aos desafios e contradições da vida espiritual, da vida social e dos dilemas de um mundo cada vez mais truculento. O que se vê são jovens cada vez mais apegados a um reino de conforto e de "realizações digitais", do que sujeitos treinados para lidar com a vida social e com o mundo do convívio.
Não há uma educação orientada para o "homem", para os dilemas internos da vida humana, não há uma educação concentrada no plano vital, na responsabilidade social. É claro que não se pode generalizar. De fato há iniciativas aqui e acolá, que procuram desenvolver a solidariedade e convivência, mas a realidade em escolas públicas de periferia é nua e crua. Há um abismo monstruoso entre o que a escola promete e a realidade de se viver em comunidades excluídas.
A sabedoria hebraica pode ser inspiradora neste sentido. As "instituições comunitárias" (família, a comunidade religiosa, escolas, etc) são as grandes responsáveis por introduzir seus jovens à vida. Um pedagogia pela sabedoria, orientaria os jovens ao princípios do "saber viver", não somente a viver uma experiência lógico-matemática, mas à compreender os dilemas de sua vida afetiva, dando sentido aos próprios sentimentos, procurando meios para o desenvolvimento da convivência com o outro no mundo, considerando as relações humanas um universo de possibilidades desafiadoras.
Neste sentido, o elemento ético presta um serviço importante. Lidar com dilemas éticos pode ser muito elucidativo. De alguma forma, o que se vê são pais criando seus filhos privando-os de experiências desconfortáveis, são jovens entorpecidos pelo conforto, que não sabem sofrer e lidar com adversidades. Os efeitos de uma educação analgésica, pode trazer efeitos desastrosos a jovens que mais tarde estarão diante da vida em toda sua brutalidade, sem ferramentas adequadas para lidar com tais desafios.
Conteudismo x Densidade intelectual
Ele fez um contra-ponto ao discurso pós-moderno de crítica à educação enciclopédia da "educação tradicional", asseverando que esta contradição transformou-se em uma desqualificação da profissão docente, enquanto um profissional possuidor de boa densidade cultural/intelectual.
Eis uma crítica que compartilho. Não sou favorável a ideia corrente de que a sofisticação intelectual do educador pode ser uma reprodução do "discurso burguês". Infelizmente galgados nessa ideologia, muitos educadores tornaram-se insípidos culturalmente e intelectualmente. A consequência inevitável foi o declínio e a desvalorização da profissão docente.
Não acho que o problema da docência e da baixa qualidade educativa tenha respostas simples, mas qualquer visita à sala de aula de uma escola pública ou mesmo privada, o que se verá são excelentes docentes, mas também péssimos docentes. O problema não é o salário, como se pode imaginar, ao contrário, há docentes mal pagos, mas que são simultaneamente excelentes profissionais.
Sem dúvida, um dos fatores é a falta de reconhecimento social e público da profissão docente. O próprio professor não se valoriza, devido ao fato de que a sociedade não o reconhece, não o reconhece pois há um esvaziamento intelectual, o professor deixou de ser mestre.
Já sei, sei que pode haver algum tipo de reação aqui, uma proposta de retorno ao tradicionalismo pedagógico ou coisa do gênero. Já deixo claro que não! Não concordo com a linearidade pedagógica, com modelos de docência diretiva, com o conteudismo, a marginalização do aluno no processo e a homogeneização institucional. Ao contrário, porém, em processos revolucionários e em reformas culturais, sempre ocorrem perdas e renúncias de conquistas.
Não se pode chamar de “conteudista” um processo educativo fecundo culturalmente, ou que prima pela democratização da informação e o acesso à determinados conteúdos aos alunos. O mundo é permeado de códigos culturais, de valores e a mídia está aí. O grande volume de informação disforme, aos olhos dos jovens expectadores precisa ser criticado, articulado e retro-alimentado. Mas, como fazer isso, se muitas vezes os professores chegam como técnicos da educação, como reprodutores de livros didáticos, se muitos chegam sem articulação e sem consciência de sua autonomia docente.
Sim! O professor necessita se articular, se sofisticar e se tornar um agente criativo e fomentador de ambientes propícios à atividade intelectual, cultural, emocional e ética. Na dimensão intelectual, abordar com critério a realidade; na dimensão cultural propiciar a fecundidade criativa e uma postura interpretativa; na dimensão emocional explorando os potenciais afetivos e na esfera ética a responsabilidade dialógica. Sem sofisticação intelectual, sem emoção e sem diálogo, esvaziar-se-á a atividade docente e dar-se-á a última “pá de cal” o atual status docente.
Finalmente Graduado
Apresentação de Monografia - Convite
Pedagogia eclética. Que trem é esse?
Mas, voltando a resposta da pedagoga eclética. Sinceramente, o que ela desejava dizer com isso?
O termo "eclético" vem do grego εκκλητικος (ekklétikos), o Dicionário Aurélio o define como: "Posição intelectual ou moral caracterizada pela escolha, entre diversas formas de conduta ou opinião, das que parecem melhores, sem observância duma linha rígida de pensamento" (Dicionário Aurélio - Versão Eletrônica). Interessante pois filologicamente falando, o termo grego em sua conotação primeva, é uma junção de de duas expressões gregas.
Se neutralidade científica é um mito, ecletismo pedagógico é uma desculpa esfarrapada para a inconsciência profissional. Ecletismo pedagógico é sinônimo de ingenuidade pedagógica.
Tenho esperança, o fatalismo não faz meu estilo, minha formação ético-religiosa me ensinou a crítica, mas também me ensinou a esperança, o sonho e a possibilidade de mudança. Acredito que nossas ações tem efeitos redentores. Baseado nessa ética, podemos mudar a situação, a coruja*** pode voar mais alto e sair da caverna da obscuridade. Há certa conotação revolucionária nessa fala, um "q" de revolução cultural. O desafio seria um retorno aos clássicos, ler bons teóricos, fazer boas leituras, não esses livros de fórmulas educacionais prontas, de discursos milagrosos, mas boas referências.
Insisto, que a pedagogia é ciência da educação, essa é minha utopia, e sonho com grandes debates epistemológicos, com mais congressos, simpósios e pesquisas que tenham isso como tema.
* Um bom exemplo do uso da preposição "ex" (latim) é a expressão ex-nihilo que pode ser traduzido como "do nada".
** Bancário, no sentido que Paulo Freire dá ao termo, quando se refere à eduacão conteudista.
*** A coruja é símbolo da pedagogia.
Diálogo e Massificação
O diálogo é certamente o confronto saudável e criterioso, porém com uma ética óbvia, um interesse comum: a produção mútua de saberes. Isto significa muitas vezes abrir-se ao conflito, vivenciar “tempestades de idéias”, rever dogmas ou mesmo abrir mão deles. Esta é a singularidade do diálogo como método, não se dialoga com o inanimado, neste caso o sujeito é fenômeno. O homem é humano, a cultura é humanizada, não há saberes estáticos. Há neste processo, naturalmente, uma sensação de extremo relativismo, mas aí reside o conhecer, quando a “crise” angustia. Na crise, na problematização, nas interrogações e no terreno móvel do saber, surgem paradigmas sujeitos à crítica, se sobreviverem se tornarão “paradigmas”, referenciais teóricos.
Este caráter enigmático do problema é a grande energia que move o conhecer (Mathew Lipman). Nunca em um mundo onde pseudo-saberes são impostos, houve tanta necessidade de diálogo, de submeter as diversas informações ao critério do diálogo.
Uma possível solução? Transformar os espaços públicos em arenas para o pensar, reatar vínculos intelectuais, permutas de saberes “humanos” e não estes “saberes enlatados”. Cruel mundo contemporâneo, rompeu os vínculos, corroeu o diálogo, quebrou-se a crítica e pôs fim à democracia. Democracia do diálogo, pela ditadura unilateral de um mundo midiatico. Deixa-se o desafio, de se retomar a boa conversa, não pelo simples falar, mas como método científico, produção de saber humanizado. Não uma ciência excludente, pelo contrário interativa.
A educação precisa vivenciar o diálogo, dar o último golpe na primazia do saber docente. A religião precisa de diálogo, para refletir sobre si e os outros, pensar-se. A política precisa se abrir ao diálogo, não manipular a opinião pública, antes ser democrática em si, não esta democracia representantiva (representante-ativo), mas participativa (participante-ativo). Esta participação só será possível pelo diálogo, pela abertura de fóruns e pela reformulação de uma ética coletiva, uma ética social e pelo acesso aos que detêm poder. Somente assim, teremos uma rede de debates abertos, de uma coletividade preocupada com o conhecer e não em reproduzir discursos e slogans de um mundo plástico, vendido pelo silêncio da maioria.
