19 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

Corretor Gramatical no OpenOffice (CoGrOO)


Por Igor Miguel

Um dica importante para aqueles que estão migrando ou já migraram para o mundo open de um sistema operacional livre como o Ubuntu (GNU/Linux). Pois é, na migração ou os que estão interessados em abandonar o Window$, sempre surgem aquelas perguntas inevitáveis, naturais de mentes escravizadas pelo universo Micro$oft (como a minha era outrora): Tem word, powerpoint e excel no Linux? He he he! Na verdade, não! Você têm um editor de texto melhor que o word, um editor de planilhas eletrônicas e um gerenciador de apresentações. Esse conjunto que no universo Micro$oft estão associados ao pacote Office, aqui em Zion, chamamos de OpenOffice. Bem, eu poderia falar das várias vantagens de usar esse pacote livre e gratuito, mas isso mereceria um outro post.

Mas, vamos direto ao assunto. Muitas pessoas ao compararem o Micro$oft Office e o OpenOffice fazem a seguinte objeção: - O editor de texto OpenOffice não tem corretor gramatical como o word. Neste ponto temos que deixar uma coisa clara: qual é a diferença entre corretor ortográfico e corretor gramatical?

O corretor ortográfico verifica palavras escritas corretamente ou não. Indica isso como um sublinhado ondulado vermelho (no OpenOffice é a mesma coisa).

O corretor gramatical é a função do editor de texto que indica problemas gramaticas em determinadas frases e construções textuais. Por exemplo, erros de concordância. No pacote micro$oft há um sublinhado ondulado verde, para indicar tais problemas.

No openoffice não há um corretor gramatical nativo, ou seja, que já venha com a distribuição. Mas, como quase tudo no universo livre tem solução e compartilhamos isso uns com os outros, eis uma benção!

Me refiro ao corretor gramatical CoGrOO perfeitamente acoplável ao OpenOffice e que conforme o próprio site da extensão, detecta os seguintes parâmetros gramaticais:
  • colocação pronominal
  • concordância nominal
  • concordância entre sujeito e verbo
  • concordância verbal
  • uso de crase
  • regência nominal
  • regência verbal
  • erros comuns da língua portuguesa escrita
Assim, gente como nós, que gostamos de escrever alguma coisa, artigos, monografias, posts, dissertações e livros: eis uma excelente ferramenta!

Quer aprender como colocar o bichinho lá no editor de texto OpenOffice? Siga o seguinte procedimento:

Passo-a-Passo (Para usuários de OpenOffice 3.0.1)

1. Abra o editor de texto OpenOffice vá à ferramentas >> opções e no menu "OpenOffice.org" clique na sub-opção "Java". Depois de um pequeno tempo, será listada a versão Java que está rodando. No meu caso aparece "Sun Microsystems Inc. 1.6.0_14". Se estiver desativado, ative marcando o botão ao lado esquerdo da listagem.

2. Só dê prosseguimento a este tutorial, se sua versão Java for 1.5 ou superior. Do contrário, atualize-0 ou instale-o (se não aparecer nada no passo anterior). Se está usando Ubuntu informe-se a respeito da instalação do Java aqui.

3. Depois de verificada a versão Java e tudo deu certinho. Chegamos na parte fácil, vamos baixar a última versão (3.0.5) do CoGrOO, para isto, basta clicar aqui. Copie o arquivo *.oxt para uma pasta acessível, por exemplo, o Desktop (Área de Trabalho).

4. Feito isso, agora é só instalar ou acoplar a extensão. Abra o editor de texto OpenOffice novamente (se ainda não estiver aberto) e vá para >> Ferramentas >> Gerenciador de Extensão >> Adicionar [localize o arquivo CoGrOO-AddOn-3.0.5-bin.oxt no diretório que você o salvou] selecione o arquivo baixado e clique em "abrir". Aguarde a instalação.

5. Se a instalação foi feita bem sucedida, o CoGrOO irá aparecer na lista do Gerenciador de Extensão, no meu caso aparece a corujinha (ícone), escrito ao seu lado "CoGrOO Corretor Gramatical 3.0.5

6. Agora é só reiniciar o editor de texto OpenOffice e pronto. Faça um teste, escreva uma frase com concordância errada, por exemplo: "Os meninos é legais.", automaticamente, deverá aparecer um sublinhado ondulado azul abaixo do trecho problemático, basta clicar com o botão direito do mouse sobre a palavra indicada e haverá uma observação gramatical sobre a frase.

7. Se por acaso o sublinhado não aparecer de primeira, basta forçar a verificação. Vá à ferramentas >> corretor gramatical CoGrOO >> verificar texto. Ao abrir a janela, saia dela logo em seguida. Isso fará com que automaticamente o texto seja corrigido daí em diante em todos os documentos com textos em português (pt-br).

Façam bom uso!
15 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

João Calvino e os Judeus

Em memória do grande reformador francês João Calvino e pela comemoração de seus 500 anos, achei por bem traduzir um trecho de um post do blog: Right Turns intitulado "John Calvin and the Jews", façam bom uso!
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Uma das melhores explicações do que está por trás do filosemitismo de Calvino pode ser encontrado em Azure em um tocante artigo por Armand Laferre, um Huguenote francês, intitulado "The Huguenots, the Jews, and Me":
Esta pequena nação [os judeus], ele [João Calvino] explica, foi escolhido por Deus para manifestar seu amor, não porque os judeus eram menos pecaminosos que os outros povos, mas porque esta foi a eterna, imerecida e inqüestionável decisão de Deus: 'Deus tem atestado isto [predestinação] não apenas em pessoas individuais', ele escreveu, 'mas nos deu um exemplo disto em toda descendência de Abraão...'. Ele também sustentava que: '[aqueles que dizem que a bondade de Deus se estende a todas as criaturas], deixe-os responder porque Deus vinculou-se a um povo, para ser seu pai..'.
Finalmente, enquanto católicos e luteranos argumentavam que a Lei de Moisés era mas um símbolos de uma aliança espiritual de Deus e o homem em Cristo, Calvino insistiu que a lei, que foi dada apenas para os judeus, deveria ser vista como um sinal do amor particular de Deus por Israel.
Texto original. Tradução: Igor Miguel.


14 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

Uma frase sobre homem...

"O homem é a única criatura que Deus fez cujo ser não está em si mesmo, e que por si mesmo não é nada. A 'canicidade' do cão está no cão, mas a 'humanidade' do homem não está no homem. Está na sua relação com Deus. O homem é homem porque reflete Deus, e somente quando ele assim o faz [tradução]".

Daniel Thambyrajah Niles - Studies in Genesis - 1958

13 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

O Mal-dito pelo Bem-dito

Por Igor Miguel

Perder a ingenuidade é sacrificante. Perder a inocência de ouvir as coisas e deixá-las passar como se fossem apenas palavras é dolorido. O não-dito diz muito coisa. O mal-dito é mais fácil de processar do que o bem-dito. Atos falhos, opiniões caóticas, falas-egocêntricas e gestos inesperados, têm muito a dizer. Sinceramente, isso me assombra.

Depois de perder a ingenuidade, adquire-se certa sensibilidade para ouvir a alma, para detectar o que está borbulhando lá para trás do véu dos tabus. Lá na distante memória, no lugar que os cacos de imagens, símbolos, fobias e terror, que não passam batido, estão armazenados.

Dói! Dói, ouvir o que está por trás da fala. Dói, entender as palavras para além da aparente superficialidade. Não é fácil lidar com o simbólico, com o rito e os gritos por trás do rotineiro.

Quando se perde a ingenuidade, sofre-se, sabe-se quando mentem, odeiam, omitem e amam. Fingir que o dito não foi dito, que o dito as vezes não é maldito é de um esforço artificial, plástico, insuportável.

Por isso, retomo Martin Buber: quando o eu encontra o tu, quando o verdadeiro encontro acontece, as palavras acabam e a totalidade do outro é absorvida, é pura relação, pura alteridade.

Mas, é proibido apelar! Apelou perdeu playboy! Por isso, ele cria um castelo, um enredo teatral para sustentar sua questionável estabilidade. Sustenta-se a firmeza, quando o que se tem é um monte de farelo e pó. Mas, até quando continuarás sustentando a beleza deste quadro? Até quando suportarás? As palavras são como espinhos entre os teus dedos. Podes suportá-las?

Abre o teu coração! Reorganize o sentido de tua presença na história. Não pode ser o tempo passando, você também passa pelo tempo. Deixe lá tuas impressões! Como em pavimento recém cimentado, escreve teu nome com data, para que todos se lembrem, que um soldado anônimo lutou e venceu, ou pelo menos morreu tentando.

Teu gesto pode ser simples como de um jardineiro, que em gestos pacientes prepara o cenário, para que uma surpreendente flor brote em teu canteiro. Eis a alegria do que colhe, do que rega e do que vê.

Benedito, desabroches! Pois tua infância acabou, em breve darás frutos. Assim, aos ouvidos menos ingênuos deixarás palavras bem-ditas: "Bendito o que ouve estas minhas palavras ...".
9 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

Internet, Segurança e Sistema Operacional

Por Igor Miguel

Ontem o mundo testemunhou os efeitos de um ataque virtual bem articulado e simultâneo. Vários sites do governo americano e sul coreano saíram do ar . Como isso foi feito? Simples. Todo portal tem uma cota de acessos que quando excedida é bloqueado pelo servidor automaticamente, salvo se os administradores aumentarem a cota. O problema é que os ataques que aconteceram, foram realizados dentro da seguinte lógica:

Um grupo de crackers[1] e não hackers, como veicula a mídia, implantaram pequenos programas em máquinas vulneráveis em diversos lugares do mundo. Assim, estes computadores tornam-se zumbis. Em um horário e data especificados efetuaram acessos simultâneos a sites pré-determinados pelos crackers, sem autorização dos usuários das máquinas usadas. Resultado? Milhares de máquinas acessando determinado site, por exemplo: www.state.gov. Com o excesso de acesso de diversos lugares do mundo, estoura-se a cota de acesso e pronto, sites de bolsas de valores, bancos, sites governamentais e outros saem do ar, provoca-se uma pane generalizada. Assim, até que os administradores tomem as providências, muito dinheiro e tempo é perdido, principalmente em um mundo cada vez mais dependente da Internet e dos computadores.

Importante lembrar que o mundo está caminhando para uma mudança de paradigma, o chamado clouding computing. Cada vez mais usa-se a internet e recursos disponíveis na web ao invés de programas instalados no computador local. A Google pensando nisso, já anunciou o lançamento de seu Sistema Operacional (Chrome OS), que seria um sistema que integra o computador com um usuário cada vez mais on-line que off-line.

Obviamente, com o aumento de máquinas vinculadas à internet, problemas de segurança e vulnerabilidade à invasões ou coisas do gênero aumentarão. Solução? O uso de sistemas operacionais mais seguros. O tempo Window$ já acabou, um sistema operacional de pouca versatilidade, pouco integrado com a internet e cheios de fúros foi o que possibilitou os computadores zumbis nesta última ação cracker. Meu computador, por exemplo, não estava na lista destes crackers, por uma questão simples. Uso um sistema operacional livre em plataforma GNU-Linux, que exige a assinatura do usuário para qualquer ação relevante. Detalhe, não uso qualquer anti-vírus em meu computador.

Outro detalhe, como os usuários de um sistema operacional linux ainda não são tantos, a proliferação acontecerá obviamente através de usuários Window$ ingênuos, que acham que seus computadores nunca serão invadidos.

Use um sistema operacional livre, gratuíto e seguro. Adote uma distribuição Linux. Há uma distribuição extremamente fácil, funcional e em português: Ubuntu.

Veja os vídeos abaixo (nota: A bobo-ponto-com não é o melhor provedor de conteúdo do mundo):


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[1] O termo hacker é uma referência aos especialistas em segurança de rede, que conhecem as vulnerabilidades de determinada rede e seus computadores integrados a ela. Cracker é uma referência a alguém que possui basicamente os mesmos conhecimentos de um hacker, porém faz uso destes conhecimentos com fins maliciosos, como invasão de redes, roubo de senhas, disseminação de vírus, trojans, worms, etc.
5 de jul. de 2009 | By: @igorpensar

Sergei Rachmaninoff

Domingo de tarde... liguei meu televisor e como sempre, ao passar os canais, parei pelo magnetismo das músicas do programa "Harmonia" da Rede Minas. Hoje, tive o privilégio de ouvir (sob interpretação do notável pianista brasileiro Artur Moreira Lima) uma composição de Sergei Rachmaninoff (1873-1943), pianista russo de estilo romântico, que ficou conhecido por sua habilidade em fazer notas complexas por causa de sua abertura de mão. Especula-se que ele era portador de Síndrome de Marfan, por isso sua mão era hiperatrofiada (grande), o que lhe permitia fazer combinações musicais inéditas, se compararmos com músicos possuidores de "mãos convencionais". O estilo romântico de Rachmaninoff me fez chorar e espero sinceramente que sintam a mesma emoção que eu senti, ouvindo o balanço e o desenvolvimento de sua criatividade musical. Há um cheiro de mata em sua música, há um calor e ao mesmo tempo uma doçura de arrepiar.

Espero que desfrutem da generosidade de Deus ao dar tamanha capacidade aos homens. Tirar dons de "síndromes" é o que mais me impressiona.

Quem interpreta é o pianista búlgaro Georgi Cherkin, boa música!

Abraços,
Igor

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Allegro Scherzando - Parte - I



Allegro Scherzando - Parte - II




29 de jun. de 2009 | By: @igorpensar

O Enigma da Árvore da Vida



Este é um texto de natureza teológica, filosófica e estética. Para os que procuram uma espiritualidade que compreenda a vida em sua totalidade. Acabou de sair do forno... façam bom uso!

[clique aqui para baixar - PDF]
28 de mai. de 2009 | By: @igorpensar

Natashenka

Por Igor Miguel

Uma notícia surpreendente me atingiu em cheio hoje quando lí o título de uma matéria do Jornal Zero Hora com o seguinte título: "Menina era criada junto com cachorros". Eu já tinha ouvido falar de casos similares. Crianças que viviam confinadas em casas, barracos ou outro espaço, cujo convívio social era restrito, as vezes conviviam com animais, completamente isoladas de outros seres humanos ou pouco contato com humanos e que quando tinham algum convívio social apresentavam um comportamento animalizado.

Isso foi o que aconteceu com Natashenka. Uma menina russa de 5 anos, residente na Sibéria que vivia em um apartamento confinada com cães e gatos e que apresentava um comportamento similar aos dos animais com quem convivia. Segundo a matéria, ela arranhava e emitia sons similares a gatos e cães.

Talvez o que chame mais a atenção neste artigo, seja o sentimento de revolta ou o desconforto ao vermos um pai que abandona sua filha neste estado, etc. Certamente, este é o objetivo da matéria: chocar.

Porém, a violência do tratamento que a menina Natashenka recebe não concentra-se no espetáculo de horror envolvido no abandono ou como foi encontrada, não é simplesmente o abandono. A pior agressão, foi sua privação de humanidade.

Diferente de outros seres existentes no mundo, o homem é um ser 'dependente' de educação. Ele precisa ser 'instruído'. O homem não nasce com instinto ou programado. Ele precisa ser instruído, carece migrar do estado de ser 'biológico' para o estado de ser-humano em toda sua integridade.

Misterioso pensar que o homem é este ser, que para ser, precisa do outro. Sem o outro, ele nunca é plenamente ele mesmo. Isso levanta um problema interessante. Se precisamos tanto do outro, se dependemos tanto de relacionamento, por que o mundo moderno enfatiza tanto a singularidade, a individualidade e a solidão?

Essa é a contradição! Natashenka é a evidência mais forte, é a expressão mais explícita desta privação do outro. Mas, quantos de nós não somos 'menos-humanos' em maior ou menor grau? Quantos de nós nos isolamos ou isolamos o outro e nos arranhamos em nossos guetos? Quando trocamos esse contato com o humano, pela mídia de massa, pela TV, pelas interações interfaceadas por objetos, não estamos tirando a alma ou abstraindo nossa humanidade?

Natashenka tinha tanta sede pelo outro, que se abriu ao que tinha (gatos e cães) e absorveu o que eles lhe apresentavam. Porém, quem é o nosso outro? Quem é ou quem são estes que matam nosso desejo de ser? Com quem seremos parecidos, quem nos fará a sua imagem e semelhança?

Dolorido pensar, que as vezes, no lugar de cães e gatos, temos nos domínios de nossas relações pessoas egoístas, impulsivas, manipuladoras ou arrogantes. As vezes, a antiga e não antiquada ética bíblica, dizia '... não se assente na roda dos escarnecedores...' (Salmo 1), era uma antiga advertência ao risco de que certas relações sociais não são adequadas.

Eu preciso do outro humano, do outro plenamente humano. Mas, se outro não estiver lá como homem, mas como coisa e que já assumiu a vida animalizada, impulsiva e imediatiazada, como redimí-lo? Como trazê-lo para a vida?

A pergunta é: Se o homem é um livro que está aí para ser escrito, o que pode ser escrito nele? Que palavras podem ser usadas? Que caligrafia usar? Quais caracteres? Que idioma? Que escritor ou escritores podem compor minha biografia?

Natashenka foi jogada aos cães e nós fomos jogados a quem? Natashenka está possuída pelos gatos que a mediaram e quem vai me mediar? Quem ou que permitirei que entre em minha consciência?

São várias perguntas, que desencadeiam uma série de possibilidades. Sinceramente, o que precisamos para continuar plenamente humanos é de sabedoria.

Estudando provérbios, deparo-me frequentemente com o termo 'sabedoria' (em hebraico 'chochmá'). Interessante pensar que 'sabedoria' para o hebreus, não tem a conotação que os gregos davam para 'sofia' (sabedoria em grego). Para os gregos, a sabedoria teórica determinava um comportamento virtuoso. Para os hebreus 'saber' e 'viver' são faces indissociáveis da mesma moeda. Sabedoria é o 'saber-viver', que realizar-se plenamente no mundo é a consciência de se estar presente na vida.

Sabedoria é transmitida de humano para humano, funda-se na tradição e na memória. A sabedoria vem de alguém, que recebeu de alguém e que foi passando pelas gerações. Sabedoria e tradição ligam-se, fundem-se. Animais não podem produzir tradição, pois são imediatos, estão ligados às necessidades imediatas de seu instinto. Nós homens, somos 'mediatizados' pelo outro, pelo símbolo, pela palavra e pela presença do 'mediador' cultural: o outro.

O pai dá significado, a mãe dá significado, mestres dão significados e nos ensinam a 'saber-viver', pois são mediadores entre a realidade bruta e a realidade pensada.

O mundo moderno derrubou a figura paterna, a idéia do sábio ancião, do "velho barbudo" cheio de experiências de vida e segredos do passado. A voz da vovó não pode ser ouvida, a faculdade não deixa, a ciência roubou o direito dos sábios. Nos perdemos, pois perdemos a memória, perdemos o desejo de ouvir o humano. Trocamos a sabedoria, pelos grunidos, ruídos, latidos e mios de um mundo cada vez menos humano, cada vez menos à imagem e semelhança de Deus.

O convite inevitável é: Sente-se aqui, quero te ouvir. O que pensas? O que podes me dizer? Fale-me alguma coisa! Precisamos ouvir, precisamos conversar mais. Precisamos discernir o que nos é posto como verdade. Julgar a realidade sem piedade, não aceitar qualquer som ou imagem que nos impõem. Discernir o tempo e o espaço, a música e a imagem, pedir ao vovô para me explicar o azul do céu, a imensidão do mar e pedir que minha mãe me explique a razão da vida.
27 de mai. de 2009 | By: @igorpensar

יש חיים מעבר לווינוס

בידי איגור מיגל

תרגום: אריק כואותו

כבר כתבתי כאן על היותנו כמפרשים של העולם, וכיצד בפעמים רבות אנו נתקלים עם קודים תרבותיים וערכים, וכיצד אנו נזהרים עם בעולם ובתופעות לסביבתנו לפי הערכים שכבר יש בתוכנו. באספקט זה, יכול לדבר שאותו הדבר שאנו חושבים אליו קובע ביחס ההתנהגות שלנו. השינון לא הוא שלילי, בפני עצמו, כי אין לנו ברירה כדי לעזוב ממנו. כל בני אדם מתנהגים לפי איתוס אחד (ἦθος ethos), שמתווך בינו ובין העולם.

אני נער אחד, שגדל בבית שונה. הוריי מעולם לא התחתנו באופן פורמלי. אבא שלי מעולם לא היה איש עם ערכים דתיים קבועים בכלל, ואמא שלי, להפך, תמיד היתה אישה עם איתיקה. גידולה היה פקדני והייסורים שהיא נתקלה בהם בחיים שלה הוראו אותה שהצורה הטובה ביותר מלנצל בעולם של שנות ה-70 היתה משרישה את חייה האישיים באותם הערכים ובעיצות הישנות של אמא שלה.

אני בגיל 29, ונולדתי בסוף שנות ה-70 ואני שריד מעידן ההפלות, כך כמו קרה למשה. אני שריד מהחתרנות התרבותית שהיתה בשנות ה-80 ומהתרוקנות המחשבות של המתבגרים בשנות ה-90. היו לי הרבה ידידים שנאבדו בדרך, וזה בגלל פקדנות דתי חשוף. הייתי עקור מן הקסם ומן חוסר התחושה המכמר שבשילוש: סקס, התמכרות ואלימות.

היום, אני לומד לחיות ולהינהות באותם הערכים הישנים שמעולם לא היו צריכים להיאבד לעולם. איזה טוב להיות נשוי, אצל אישה לידי, לשתות קפה טוב בבוקר, לעבוד, לחיות בצוותא עם אנשים נעימים, מצחיקים, אינטליגנטיים, והטוב ביותר בכל אלה הוא זה: לגלות שהחיים לא הם רק סקס וכספים.

הגירושין הם נתונים בסטטיסטיקה של הרוב, אבל יש לי הזכות של אי-שייכות לסטטיסטיקה זו. זה שקורה לרוב האנשים לא צריך לקרות לי בהכרח. אני לא חושב שסקס וכספים הם יסודות למציאות שלי. הם היקפיים. יש לי "שדים פרטיים" ואני לוחם בהם מדי יום, אבל אני חופשי! אני בחרתי בנישואין קלסיים ומתכנן לגדל בנים. אני לא לומד להנדסה גם לא לרפואה, ואני לא רוצה להיות עורך-דין, בכל זאת לא מזלזל את מי שלומד למדעים האלה.

בחרתי לחיות חיים של ערכים מוסריים-דתיים ואני חושב שזו היא הברירה הטובה. אני לא שוקל את עצמי פונדמנטליסט, במשמעותו הפרטית, אעפ"י שיש לי אישיות רדיקלית, פחות או יותר, בכמה אספקטים של החיים. אבל, מה הבעייה? בדרכו, אגנוסטי אחד הוא כל-כך מאמין באי-אמונה שלו כמו פונדמנטליסט דתי. אתיאיסט אחד הוא כך בטוח באי-מציאות של אלהים כמו תיאיסט איזשהו שמאמין בו. האם יש בזאת רמז של רדיקליות?

אני לא מאמין בניטראליות אידיאולוגית, ומישהו שיש בו קצת חוש פילוסופי מאמין ויודע את זה. אני חושב על העולם על פי הערכים שלי, שאני לוקח בחשבון שהם משחררים, ולכן אני מגלים אותם פה, בתקווה שאחרים יכולים יהיו למצוא נוחיות כמו שמצאתי.

כשאנחנו צופים בטלביזיה, הכל מסתכם בכספים וסקס. אותו דבר קורה בשיחות חברתיים, במגזינים, בעתונים, באינטרנט ובזרמים חברתיים, וזה הדיבור: יציבות פיננסית ויציבות מינית. איפא (סליחה!) האם אין חיים מחוץ לווינוס? האם הם לבד הם האספקטים היחידים בחיים?

ווינוס – כוכב הלכת: היה ידוע מאז תקופת האימפריה הבבלית, והוכחה לזה היא תגלית ארכיאולוגית ישנה, ידועה בשם "לוח של ווינוס מן אמיסגודה" (מאה ה-7 לפה"ס). בתגלית זו, כוכב-הלכת ידוע בשם "עשתר". עשתר היתה אילה במיתטלוגיה אשורית-בבלית, מיוחסת לאהבה, פרייה וארותיות. למיתוס של עשתר יש שורשים באילה שומרית "איננה", ידועה גם בשם "מלכת שמים". בדרך אגב, האילה היוונית-רומית המיוחסת למיניות היא "ווינוס", גם ידועה בשמה היווני "אפרודטה". הפולחנים "אפרודיזיאקים", עם כהנות סקסואליות, היו הרבה ידועים באתונה ובקורינתוס.

ווינוס-אפרודיטה – הן האווירה התרבותית שבה האנשים היו שואפים את הסקס, מוצאים בו טקס, פולחן לכבוד הגוף ולהנאה. הפולחנים אל הפרייה היו פופולריים ללא ספק, ובאופן מיוחד, המיניות היא, באספקטים אחדים, קרובה בהרבה לדבקות רוחנית.

יש משהו דתי בחושניות ואכן בקלות מתהוות התופעה להאלהה של הארותיות, כצורת "עבודה אלילית לסקס". לצד שני, ניצב האתגר כיוון לגאולה של המיניות ושל ההנאה, שיש במגבלות החופש המוצעת בידי הערכים המוסריים, קודם נחשבים כמיושנים או מקוטעים מהדרך שהעולם צועד בה היום.

ההסבר הזו על הארותיות היא כלפי הקדושה שיש במגע כל-כך נאה, נבואי והרמוני שהוא הסקס. המפגש, החילופין, הנגיעה והפנימיות הם אלמנטים במסתורין של הסדר עמוק רוחני, של משמעות אסתטית מדהימה, שצריכה להיות נזקק להעיקרים שמתכננים אותם. הבאנאליות של הסקס, הבליטה שלה והראוותנות שלה שסובב לסביבת הנושא, הן מלֻווֹת אצל אלימות מטרידה, בפעולה של בורות שגונבת את הקדושה מפעולה כל-כך נפלאה כזו.

כל פעמים שהציביליזציה מחפשת להעדיף אספקטים מסוימים מהמציאות, היא מטעה ומתאבדת באופן תרבותי. להתרכז או לגרור את החיים לסתובב סביב מתן הבורא, הוא כמו להישאר שבוי בפנים המערה, בשעה שיש הרבה עושר ויופי בפעם תפילה, באמנות, במוזיקה, באכילה, בתרגיל ספורט וכד'. יש המון רגישות בצניעות ובטבע.

המושג של ההצלחה המינית המיוחס לקוונט של סקס הוא מיתוס מרכז ומפחית. צריך לחשוב בהצלחה מציאותית, כשהאסתטיקה, המדיניות, האמנות, הכלכלה, החינוך ומתנות אחרות שאלהים נתן לנו מציעות שירות גדול כדי שהאדם יהרהר על אודות מציאות יותר עמוקה ומשמעותית, קשורה לזהותו עצמה ולנוכחתו הקיימת בהיסטוריה.

מה היתה הכוונה אחור ההוראה המקראית על זוגות בני ישראל שהיו צריכים להישאר באופן סיקסואלי במרחק בזמן הנידה? זמן זה, כמו אמר רב מפורסם אחד, היה חשוב מאוד לאישה. באותו הזמן, היא היתה נעדרת ולא מטפלת בבנים, בבעל או במשפחה שלה, וחיה בזמן מסוים עצמאית. אחרי זמן זה, כמובן, יקרה המגע המיני בין בני-הזוג. אבל עכשיו, בפעם זה, המגע יהיה יותר אינטנסיבי וכל-כך עצום, נחשב אפילו לעיני בני-הזוג כמו "המפגש הראשון". ברצינות... יש חיים מעבר לסקס.

אחדים אומרים שבעבר רחוק, האנשים לא היו עושים יחסי מין עם נשיהם בירח מלא, כי זה היה הזמן שבו הלילה היה מואר ביותר ואז האנשים היו משתמשים בלילה מואר כדי לצייד ולהביא אוכל אל תוך הבית. באופן ביולוגי,היה לנשים, בזמן זה, התקופה של הווסת במחזור שבעת ימים (זמן מהירח המלא עד הסהר).

במשך הזמן של הציוד, האנשים היו מגלים את הטבע, יכולים לגשת לעולם החיצוני, לדעת על הסיכויים, ההרפתקה, הדבקות במוזר ובנורא. הם היו חופשיים, פתוחים לאפשרויות.הם היו מגלים סוף-סוף את האמנות של לחיות. הם היו יודעים שיכובדו בידי נשיהם ובניהם, אם יביאו להם מאכל הביתה. היו מכובדים כגיבורים, ראוי לאנושיותם.

האדם המודרני שכח את ההרפתקה, את החופש, את פשטות החיים ושהמטלה הם רק הבעה גדולה של אותו ישות שאנו חיים בה: אנחנו פשוט בני אדם!

הארותיות של העולם היא כנגד הדרך של הערכים האלה. העולם הוא יותר מסקס והסקס הוא יותר ויותר ממה שחושבים עליו. התשוקה מלהיות קשור אחד לשני מביעה את התשוקה מלהיות קשור לאלהים עצמו, מלחזור על הקשרים הנשברים. דבר-מה נשבר בהיסטוריה. דבר-מה התנתק ו"רליגרי" (religare – לקשור מחדש) היא התנועה הבסיסית בכיוון אל המשמעות המחודשת של החיים, כדי שבהם ישולם האדם.

הצניעות והחיים הפשוטים יכולים להוכיח שהקול של הרוח בין העלות בעץ היא עושר שאין בו ערך או מחיר, שלקום בבוקר ולראות את האישה שלך שוכבת כמלאך הוא כנגיעה בשלטונות אלהים. אנו לא צריכים משום דבר יותר אינטנסיבי מאשר האינטנסיביות שבדברים הפשוטים. בסופו דל דבר, יש חיים מעבר לווינוס, לסקס, לכספים ולכוח.

24 de mai. de 2009 | By: @igorpensar

Orgulho Nerd...

Dia 25 de Maio - Dia Internacional do Orgulho Nerd
Se você lê alguma coisa neste blog... você pode ser um deles.
Veja a matéria do Fantástico clicando aqui.


Amplie seus conhecimentos nerd visite o Portal Jovem Nerd
http://jovemnerd.ig.com.br
7 de mai. de 2009 | By: @igorpensar

Rirás: o drama da obediência

Por Igor Miguel

Meu nome é Rirás. Sentei-me aqui em uma pedra para narrar o que me aconteceu há pouco em um monte, um Lugar de ver Deus.

Tudo começou quando meu pai – Pai de Povos – acordou cedo e pegou seu jumentinho, selando-o para uma jornada relativamente longa. Para mim, meu pai sairia a procura de pastos para o rebanho ou iria em contato com alguns dos vilarejos da região, mas estranhamente ele veio até minha esteira, com a sandália de suas peregrinações e me chamou:
- Rirás! Rirás!
Chamou-me enfaticamente, meu pai e Pai de Povos. Levantei-me imediatamente. Pois, entre nosso povo, se o pai chama, logo levantamos e respondemos. Perguntei-lhe o que desejava e que estava à sua disposição. Apontando para um monte ao longe, meu pai referiu-se a uma região onde há muito tempo atrás ele teve um encontro com um tal Rei da Justiça, governante de Paz, sacerdote do Deus dos Lugares Altos, homem misterioso, sem história e sem genealogia.

Meu pai tomou uma faca, que costumeiramente usamos para abater ovelhas, pegou os mantimentos para a viagem e quando partíamos, ele chamou minha atenção para um feixe de lenha que estava amarrado em um canto. Tomei-o sem entender, também não perguntei, pois afinal, meu pai sabia certamente o que queria, sempre confiei em tudo que ele fazia. Aprendemos a não questionar nossos progenitores, por isso obedeci e fui com ele.

Na caminhada meu pai contava histórias sobre minha infância e sobre como meu nascimento foi especial. Que minha mãe riu-se de um mensageiro do Deus dos Lugares Altos que lhe dizia que em breve ela daria luz a um filho. Riu-se pois era velha, há muito não sabia o que eram os prazeres do Éden. Por rir-se, deu-me o nome de Rirás. Pois de fato, ela riu-se de alegria quando percebeu que estava à espera de um filho sendo já de muita idade. Meu pai sempre se emociona quando conta esta história, mas ele continuava caminhando, narrando contos antigos, como que para se consolar. Ele relutava em se manter obtuso, eu percebia que meu pai vivia um conflito entre firmeza e medo, mas não parava de caminhar.

Passamos por um altar, provavelmente levantado por sacerdotes locais, imediatamente ele se lembrou dos altares que levantou e lembrou-se de suas peregrinações, lembrou-se quando recebeu seu nome por promessa, pois recebera uma letra do nome do Deus dos Lugares Altos, confirmando seu nome Pai de Povos.

Estávamos no sopé da montanha e ele me disse que ela se chama Lugar de Ver Deus e respirando como que vendo algo, disse que um dia aquele lugar receberia povos de todos os lugares do mundo, que se tornaria uma Cidade de Paz.

Continuamos a marcha e meu pai, apresentava um cansaço que não lhe era peculiar, mas encontrou forças sabe-se lá onde, para continuar, tentava ajudá-lo, era idoso, mas perseverava em sua marcha. Finalmente, chegamos ao Lugar de Ver Deus e lá meu pai me pede para ajudá-lo a construir um altar de pedras do deserto.

Quando o altar finalmente estava pronto, meu pai e Pai de Povos, amarrou a lenha, colocou-a sobre as pedras e percebi que ele estava preparando um sacrifício. Perguntei-lhe onde estava o animal para o holocausto para que o pegasse, mas ele hesitou e com os olhos cheios de lágrima, me tomou nos braços e chamou-me e disse-me:
- Rirás! O Deus dos Lugares Altos, nos fez chegar a este Lugar de Ver Deus e Ele Certamente Verá. Deita-te no altar!
Dentro de mim, vieram vários questionamentos. O que meu querido pai estava pensando naquele momento?

Vi que naquele instante, meu nome não era compatível com o que estava acontecendo. Como rir em um momento tão difícil. Seja lá o que meu pai estava fazendo, eu sabia que tinha que obedecê-lo, meu pai me ensinou bem sobre obediência, que devemos ser obedientes se necessário até com a vida. Deitei-me sem demora, ele me amarrou como se amarra uma ovelha e lágrimas continuavam rolando em seu rosto, isto sim me preocupava.

Repentinamente distrai-me com uma pequena gota de lágrima que escorreu de sua barba e tocou a minha testa, distrai-me e lá estava ele – Pai de Povos e meu pai, erguendo a faca que abate ovelhas e quando já descia com ela, fechei meus olhos e ele também, até que um voz densa e de fazer tremer os ossos gritou, dizendo:
- Pai de Povos. Basta!
Meu pai, caiu de joelhos e em profundo respeito ouvi a voz que do céu vinha. Era a voz do Deus dos Lugares Altos, que lhe dizia que por sua obediência ele confirmaria seus descendentes e o faria crescer e se multiplicar. Enquanto meu pai ouvia eu permanecia no altar, sem saber exatamente o que acontecia, salvo as vozes e os ditos.

Ao terminar isso, meu pai levantou-se com o rosto pálido e aos poucos, o rubor voltou junto com sua consciência. Ele tirou apressadamente as cordas que me amarravam e vimos um animal para o sacrifício amarrado à alguns arbustos. Meu pai o tomou, o imolou e a fumaça subia até o Lugar Alto de Deus e finalmente vi uma alegria nunca vista no rosto do meu pai. Ele ria, ria muito, pegou-me nos braços, dançava e se alegrava e dizia:
- Ri filho! Ri! Pois Ele viu e nós o vimos. Podemos ser testados, mas no final, quando obedecemos rimos! Essa é tradição do nosso povo, certamente Rirás!
Foi assim, que meu pai tornou-se Pai de Povos. Ele mostrou que o homem quando responde àquele que o chama, pode aprender a arte da obediência e assim realizar-se, não no que possui, mas no quanto está disposto a se desprender por amor ao Deus das Alturas. Pois, realizar-se está em realizar Sua vontade, que é surpreendente, pois Ele Sempre Verá.
Enfim, meu pai me ensinou a alegria da possibilidade do ser, ao invés do sofrimento causado pela perda da posse.
___________________
Elenco:

Abraão: (hb. avraham) - Pai de Povos.
Isaque: (hb. Itschák) - Rirás.
Melquisedeque: (hb. malki-tsédek) - Rei da Justiça.
El Elion: (hb. El-Elion) - Altíssimo, Deus das Alturas.
Monte Moriá: (hb. Makon Ree Iá) - Lugar de ver YHVH.
Jerusalém: (hb. Yerushalaim) - Cidade da Paz.
O Senhor Proverá: (hb. YHVH Ireê) - Yhvh Verá.
29 de abr. de 2009 | By: @igorpensar

Por uma Espiritualidade na Cidade

Por Igor Miguel

* Leia este texto ao som da música Sometimes you can't make it on your own - U2

Quem inventou a cidade? Ninrode quando fundou Babel? Os egípcios quando construíram um complexo cultural às margens do Nilo? Os gregos quando inventaram as pólis gregas? A elite comercial que no final da idade média organizam os burgos ou os americanos quando inventaram Nova Iorque? Ao invés de responsabilizar alguém pela invenção da cidade, talvez seria mais interessante encará-la em um primeiro momento como algo que está aí, que foi universalizado, por isso está sujeita à crítica e mais do que isso, ela desafia sujeitos que procuram uma espiritualidade para além dos limites do concreto, do asfalto e do aglomerado de pessoas evidentes nos grandes centros.

A cidade foi inventada como centro de disseminação e distribuição dos bens da civilização. Que bens a cidade distribui? Ela distribui bens de consumo, bens culturais, bens religiosos e entretenimento. Porém, o que é civilização? Sigmund Freud em Mal Estar da Civilização dizia que "Civilização é a distância do homem de seu estado de natureza". Mas, por que o homem quer fugir deste estado? O que há de complicado no estado de natureza?

Por que foges homem? O que te espanta nas matas densas? O que te oprime nas cores da criação? Por que te escondes entre as folhas de figueira? Por que escapas da voz do teu Criador?

Ora, o que é a civilização se não um abrigo (ethos) artificialmente elaborado, um mundo paralelo, uma grande matrix tecnologicamente elaborada? A civilização é um mundo conveniente onde o anonimato e a artificialidade criaram uma falsa realidade. Um mundo entorpecente que impede o homem de ouvir a voz que lhe exige explicações.

O que é a cidade se não um grande câncer que devora o mundo (como na foto ao lado mostra os EUA à noite, os grandes centros são os mais iluminados), a força "civilizadora" se apropria do mundo criado sem qualquer pudor. Vai expandindo seus tentáculos babilônicos arrancando esperanças e neutralizando a sensibilidade. Neste aspecto, a cidade é uma grande meretriz!

Qual espiritualidade tem-se ante os tijolos da grande torre? Como permanecer sensível ante os grandes muros, as luzes de neon e as vitrines dos shopping centers? Como ser ouvido ou como ser gente quando gente é o que não falta?

Há como trazer shalom (paz) de volta, orando o trecho do "Pai Nosso": '... venha a nós o teu reino...'. Trazer a realidade, quebrar os pés de barro da civilização em um único golpe. Criar pequenos centros conspiratórios de paz, jardins de espiritualidade, implantá-las no meio das cidades. Imprimir nas paredes, escrever nos muros e contagiá-lo.

Para isso é necessário que oráculos se levantem, profetas quebradores de ídolos (iconoclástas) e propaladores do amor. Sujeitos subversivos que apontem o caminho de volta para a Cidade de Deus. Espiritualidade na pólis só é possível de forma ativa, os passivos serão engolidos, mas ação justa organizará a realidade, humanizará as relações. Trazer o reino é assumir pequenos gestos como colocar uma flor na mesa, sentir a beleza, cultivar jardins nos quintais, andar de bicicleta, ler bons livros, cantar boas músicas, comer uma boa refeição, tomar um bom café, amar sua esposa, dizer bom dia, olhar nos olhos, respeitar a faixa de pedestres e estender a mão ao pobre.

Pequenos gestos, pequenas ações que só os livres podem desfrutar. Liberdade que não é realizada pelos feitos, mas por um grande feito, gracioso e misterioso que a civilização não consegue perceber.

"A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada"(Apocalipse 21:23).