22 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Como ser um falso pastor


Desculpe-me pela acidez! Mas, é necessário fazer distinção entre pastores e mercenários.

10 passos para ser um "falso pastor" e queimar no inferno pela eternidade:

1) Fale somente o que as pessoas querem ouvir;

2) Crie uma imagem pública de homem ungido, cheio de "poder" e "unção", para isto, basta falar com uma voz impostada e gritar um pouco;

3) Traje roupas que deixem claro que você é um "escolhido" e "próspero", inspire as pessoas a serem como você;

4) Aja como um "profeta" alguém "escolhido", se conseguir uma ordenação "apostólica", ótimo, aí não haverá limites;

5) Não se preocupe em explicar detalhes, não seja muito profundo, apenas fale que é o "tempo profético", que você teve uma visão do ano da colheita, que este é o ano do avivamento (todo ano repita isto);

6) Use o "assim diz o Senhor" e pronto, toda crítica contra você será suspensa, afinal é o "Senhor" falando;

7) Nunca fale da cruz, do sofrimento, da perseguição, da luta contra o pecado, fale sobre a vitória, a benção total, palavras positivas;

8) Se alguém lhe questionar, declare publicamente, que estes são "rebeldes", "joios infiltrados", etc.

9) Se alguém tem "dinheiro" para sustentar seu ministério, dá-lhe uma posição de destaque em seu ministério;

10) O tempo inteiro demonstre que a obra está prosperando, que você e seu ministério estão conhecidos no mundo inteiro, diga que suas pregações estão sendo ouvidas por todo mundo, que milhões de pessoas estão sendo abençoadas por seu trabalho.

Pronto! Agora você está pronto para desfrutar do paraíso terrestre da picanha gorda, do carro bacana importado, caneta Mont Blanc, do sapato de couro de Jacaré, do relógio Rolex e vai imergir no ardente fogo do inferno pela eternidade.

Por motivos óbvios, nem precisa me convidar para ir a sua Igreja falar alguma coisa.
21 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Cristo, espiritualidade e cultura

Três palestras que cobrem os seguintes temas:

- A Relação do Cristão com a Cultura
- Vocação e Espiritualidade Criativa
- A Centralidade do Evangelho de Cristo

Os temas foram desenvolvidos em uma série de reflexões que ministramos na Igreja Metodista de Uberlândia - MG nos dias 16 e 17 de junho de 2012.

11 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Pondé: O Politicamente Incorreto

Por Igor Miguel


Me pediram uma opinião sobre o filósofo em ascensão Luiz Felipe Pondé, ao menos, minha impressão a respeito de seu já não tão recente livro "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia"

Pois bem, não me julgo alguém com condições filosóficas de criticá-lo ou analisá-lo.  Tenho amigos que são filósofos profissionais, na formação, vocação e ofício, mas, de fato, esta não é minha formação principal.  Sou um teólogo-educador das periferias e ouso me aventurar na filosofia por causa das exigências do duplo ofício.

Por não querer ser ingênuo no que faço, preciso de parâmetros epistemológicos e pressupostos para que minha tarefa tenha sentido.  Uma pergunta que sempre me sacode relaciona-se ao tipo de sujeito que quero formar, e sem dúvida, não quero promover uma educação que aprisione meus alunos à monótona e alienante falação revolucionária.

Claro, minha pedagogia é ocidental, judaico-cristã, não-progressista e anti-revolucionária, exatamente o tipo de pedagogia que não se adéqua aos paradigmas impostos pelas tendências pós-modernas e materialistas históricas.

Na verdade, como todo educador que passa por uma faculdade de educação neste país, recebi todo "corpus" materialista histórico e pitadas de pós-estruturalismo, de modo que não percebesse outra concepção educacional fora do currículo esquerdista.

Por este motivo, Pondé me chama a atenção, pois apesar da (de)formação nos porões da FFLCH/USP, conseguiu erguer-se do previsível discurso predominantemente naquele ambiente.  O que já é uma virtude.   Me interessa, sua concepção de filosofia "pessimista", que é basicamente uma filosofia do "politicamente incorreto".  Ou como ele diz, entre Rousseau e Hobbes, claro, Hobbes.   

Li o Guia Politicamente Incorreto de Filosofia, teria muita coisa pra dizer, mas direi o que basicamente achei de positivo, e o que seria a "falta" que sinto em sua obra.

O livro é basicamente uma série de ensaios, bem no estilo da coluna que mantém da Folha de São Paulo, porém, com uma tendência um tanto "panfletária".  Não "partidário", mas aquele tino literário com intensão de comunicar ideias para além do olimpo acadêmico.

O foco é acabar com o "politicamente correto".  De fato, nossos hábitos sofreram profunda alteração por causa deste discurso.  Todo mundo tem que ser simpático, ser agradável a todos, manter uma boa impressão pública, mulher tem que trabalhar e ser independente, o negócio é gênero não sexo, tudo é uma construção social, o problema é o burguês e outras "frases prontas", que reproduzimos como se fossem a mais absoluta verdade.  Puro discurso de classe média em ascensão! 

Sua crítica é sempre em tom irônico, e um tanto cínico (apesar de dizer que não o é, coisa de cínico mesmo), uma arma interessante para mostrar que o indivíduo não é um ser tão virtuoso por natureza.  Golpeia repetidamente a auto-ajuda rosseauniana e o otimismo generalizado nas "potencialidades" humanas.  

Dirige-se de forma implacável à pretensão messiânica atribuída aos seres humanos e às instituições sócio-politicamente elaboradas.  De fato, o núcleo da filosofia pessimista de Pondé é a concepção cristã de "depravação total" ou "pecaminosidade humana".  A denúncia do filósofo pernambucano é simples: o homem é fundamentalmente depravado.

Eis o ponto que me agradou.  Enquanto a voz uníssona é de filosofias que afirmam a autonomia humana, a virtude essencial ou as potencialidades individuais, acho que Pondé acertou ao levantar a saia e mostrar nossas vergonhas.  Mas... em parte.

A meu ver, Pondé foi corajoso ao afirmar parte da antropologia (concepção de homem) cristã pré-moderna de "depravação", acho que teve a coragem que poucos cristãos teriam.  Por outro lado, sinto falta da narrativa cristã completa, aquela que afirma a tríade "criação-queda-redenção".  Para Pondé, parece, só há "queda".  Não há qualquer, ou pouca, dignidade primeva em sua filosofia, pois parece não afirmar em nenhum momento que, a deformidade humana não é humana, a depravação é uma trinca, uma perversidade derivada e transmitida pelas gerações.  O humano é naturalmente inclinado a não-ser-humano, desde seu nascimento.  Mas, para o cristão, isto é uma distorção provocada por algum problema primitivo.  Como sei que gosta de G.K. Chesterton, valeria afirmá-lo: o navio naufragou em algum lugar.  Sim, naufragou, só temos os cacos do navio, mas... de um navio, não de uma canoa.

Por outro lado, o discurso cristão não é absolutamente pessimista, nem absolutamente utópico-otimista-romântico, mas esperançoso.  O cristão tem dificuldades com a pretensão humana de instauração autônoma do paraíso na terra, como ambicionou Nimrode, na cidade de Babel.  Por outro lado, age por uma cidade prestes a vir, providenciada por Deus.  O cristão opera pela ressurreição, pela recriação de uma nova humanidade inaugurada em Cristo. Mas, restringe tal missão a Cristo, opera nele, mas evita apropriar-se de tal tarefa.

Senti uma "gap" um hiato na filosofia de Pondé.  Se por uma lado me diverti com a denúncia, em algum sentido bem feita à condição real do homem, faltou preterismo e futurismo, faltou memória e escatologia, há apenas presentismo.  

De qualquer forma, penso que Luiz Felipe Pondé é útil, seu discurso abre as janelas de uma casa abafada e tomada pelo mofo.  Nem que seja para ver a sujeira interna, coisa que ninguém conseguia ver mais.  Após Pondé, sinto coragem, espaço para outras falas, pedagogias e filosofias.  Rompe-se limites impostos pelo "politicamente correto", e finalmente, pode-se pensar em algo para além deste mundo de uma cor só.

Seria muito interessante se Pondé se arriscasse a conhecer calvinistas que são mais do que "puritanos fanáticos" (quase uma reprodução da alegação de "deterministas" de Chesterton).  Calvinistas oferecem uma narrativa mais rica que o pessimismo, e mais enobrecedora do que o romantismo ingênuo.

Fica aí minha impressão sobre o politicamente incorreto (de) Pondé.
10 de jun. de 2012 | By: @igorpensar

Educador Trinitário (AECEP)

Apresentação da oficina "O Educador Trinitário" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O evento aconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Inteligência Cristã (AECEP)

Apresentação da palestra "Por uma inteligência cristã" que ministramos no workshop de Educação Cristã 2012 organizado pela AECEP (Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios).  O eventoaconteceu no auditório Ruy Barbosa da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

26 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Olhe e dê graças!


Por Igor Miguel

Dar graças.  Uma das coisas mais incríveis que recorrentemente me acontece. De fato, as vezes sou acometido por um olhar sobre os objetos, relações, pessoas e seres da natureza, como se eles se exibissem, como se sorrissem pra mim.  Para muita gente seria algo próximo de uma barato narcótico, mas a coisa é suave, sutil e um tanto real.

De fato, as coisas parecem assumir um sentido diferente quando olho para cada uma delas sob o ângulo certo.  Não estou dizendo que “relativistas” estão certo, que há varias formas de olhar sobre as coisas e que “cada um tem seu ponto de vista”.  Não!  O que digo é exatamente o oposto.  O que tenho percebido é que existem olhares e “olhares”.  

Na verdade, existe um ângulo que evoca sentido intraduzível.  Cheiro, movimento e cores se harmonizam em um quadro denso, a imagem é tão carregada de sentido, que não pode ser simplesmente traduzida em termos científicos ou filosóficos.  Não há campo de saber humano a que tudo isto possa ser reduzido.

De repente, alguma coisa fica clara, que as contradições, maldades e sofrimentos, não são um fim em si mesmo.  Que a tensão entre otimismo e pessimismo é inevitável, e a única saída, é a esperança.  Se estas coisas ainda acontecem, se anjos sorriem, se Deus ainda fala, se os céus gracejam, sim, pode existir alguma coisa além.  Além de mim mesmo e além de toda esta escuridão.

Fico pensando com meus botões, e nestas horas são excelentes companheiros de conversa, que aquela coisa simples, como a oração solitária, ler um salmo, comer com o coração cheio de gratidão e claro, amar através da vida que foi dada como dádiva, tornam-se altares.  E lá, nestes altares, meu culto também acontece.

Sinto-me impotente diante de minhas reclamações.  Me arrependo dos momentos infelizes quando  supus um Deus distante.  Sim, Ele sempre esteve presente.  Eu, que persisto em lidar com Ele como se Ele fosse intransponível.  Eu estive completamente alheio.  Eu sim, deixei-me seduzir pela alienação de achar que Ele, meu Deus, estava longe.

Até que olhei pra cruz.  Pra exposição pública de minha vergonha, sobre aquele que é o mais inocente, o mais perfeito, ele levou sobre si minhas enfermidades, doenças, neuroses e obsessões.  Ele levou meu velho homem, cravando-o na cruz.  Por isto, quando olho pra vida em um ângulo cruciforme, a graça farta meu coração.

Nestas horas, os salões empoeirados de minha alma fartam-se de esperança.  Quando vejo danças, cores, sons e cheiros.  O sorriso sutil de minha esposa, meu filho saltando em sua barriga, isto sim é encontrar-se cheio do Espírito Santo.   Cheio da graça de poder mais uma vez dizer “graças!”.  Afinal, não existe nada real fora da realidade que Deus constituiu para sua glória. 

Soli Deo Gloria
23 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Série Trindade - Parte IV

Nosso amigo, Eduardo Barnabé, um exímio estudioso da Bíblia e da teologia cristã, e claro, promissor teólogo e historiador, baseado em diversos estudos, inclusive em nossa série Trindade disponível aqui no Blog Pensar..., nos presenteia com uma palestra bem objetiva, rica e clara, sobre a Doutrina da Trindade.  A palestra foi realizada na UNB (Brasília -DF).   Ela está sendo inserida na série Trindade, como conteúdo convidado para esclarecer e fundamentar ainda mais este magnífico tesouro de nossa fé cristã.

22 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Gratidão: Ian e Larissa

O mais surpreendente do evangelho não é seu poder de fazer um doente ser curado, mas o poder de fazer o doente fazer coisas mais surpreendentes do que os sãos. Soli Deo Gloria.

19 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Qual tradução da Bíblia? Nicodemus fala.

Muito bom! 

O Rev. Augustus Nicodemus trata de forma muito clara o problema das traduções.  E qual seria a tradução da Bíblia a ser lida.


17 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Judaísmo o que?


Prezados leitores,

Como minha ida ao evento na Congregação Shear Yaakov em São Paulo, como anunciado no site Yeshua Chai anda repercutindo entre os líderes do Ministério Ensinando de Sião e simpatizantes, vou deixar claro aqui no meu blog os seguinte termos:

Em nenhum lugar neste site vocês encontrarão que me oponho ao judaísmo-messiânico como espaço culturalmente apropriado para judeus autênticos expressarem sua fé no Messias Jesus.  Ao contrário, minha luta é contra o falso judaísmo-messiânico ou a distorção travestida de judaísmo messiânico que assumiu uma forma híbrida em território brasileiro.  Me refiro ao restauracionismo, que é uma outra coisa, que pretende indiretamente descredibilizar o cristianismo, suas raízes históricas, produzindo uma sensação de desenraizamento entre cristãos.  Para isto basta ler texto já publicados aqui e aqui.

Gentios cristãos quando em crise com sua fé, em termos históricos e espirituais, e quando desconhecem sua própria história e o evangelho mesmo, tornam-se suscetíveis e tentados a se tornarem judeus, entrando em uma busca frenética por "genealogia", "ancestralidade" ou coisas do gênero.  Quando não conseguem encontrar nenhuma ancestralidade ou não inventam traços de judaicidade, entram de cabeça em propostas teológicas que asseveram que um não-judeu ao "guardar a Torá" ou "observar práticas judaicas" será abençoado etc.

Meu conhecimento do movimento, inclusive entre seus pioneiros, me leva a ver outra coisa: o judaísmo-messiânico jamais pretendeu trazer algum tipo de complicação ao cristianismo.  Como vejo alguns intelectuais do movimento asseverando.  O que querem estes reais e raros judeus-messiânicos, repito, é apenas um espaço no Corpo de Cristo para viverem sua fé e cultura (ponto).  Agora, engajar-se em uma agenda de "restauração da Igreja do I século", como se "restaurar raízes judaicas da fé cristã" fosse um grande objetivo do movimento é uma contradição, inclusive ao "statements" das grandes uniões (UMJC) e similares.

A grande verdade é que ser judeu é:  ser filho de mãe judia.  Em alguns casos, tolera-se o filho de pai judeu.  Ou seja, a memória transmitida e a legitimidade comunitária é o que determina identidade judaica.  Mas, poucos judeus crentes em Jesus no Brasil gozam desta ancestralidade.  Logo, o desconforto e a tensão, inclusive experimentada por aqueles que encabeçam o restauracionismo no Brasil, quando não arrumam um teologia para fundamentar suas escolhas (como fazem os chamados "nazarenos" ou os da teologia "efraimita"), valem-se do fenômeno "marrano" ou do "criptojudaísmo", para sustentarem uma judaicidade simplesmente questionável, alegando um suposto apoio ou interesse de Israel a respeito do marranismo.

Ora, qualquer pessoa que acompanha o fenômeno, sabe, que não há meios de se comprovar judaicidade destes marranos, pelo simples motivo de terem, se tiverem mesmo, uma precária memória oral, sem qualquer testemunho documental.  Logo, o único "tira dúvidas" nestes casos, seria a conversão formal ao judaísmo, como tem sido o tratamento até o momento por parte de algumas iniciativas judaico-ortodoxas.  E se uma pessoa que diz ter Jesus Cristo como seu Senhor, entende a doutrina paulina da adoção, entende a obra magnífica de Deus ter introduzido pecadores na santidade de Deus por meio do sacerdócio de Jesus, ainda dedica tempo, energia, esforço e entra e uma busca frenética ad infinitum por legitimidade até estes termos, sinto muito, está devotando-se a um ídolo.  Enquanto, nós cristãos simplesmente dedicamos energia, para comunicar Cristo nas periferias, em países não alcançados, em nossa vida profissional, para testemunhar e viver Jesus, estes vivem dia-a-dia, só pensando em serem autenticamente judeus perante a comunidade judaica, que ainda simplesmente os vê como não-judeus e ponto.

Outro ponto importante, insistem em afirmar que eu disse que é necessário crer em Calvino, Lutero e/ou os pais da Igreja para que alguém seja salvo.  Qualquer leitor do meu blog, sabe que jamais diria algo tão ridículo.  O que tenho asseverado é que a fé protestante clássica assevera a Escritura como única regra de fé e prática, e isto concordamos todos, entretanto, o cristão precisa considerar seriamente o que nossos irmãos do passado já leram sobre ela. A isto chamamos "tradição".  Interessante, que judeus-messiânicos como David Rudolph, um expressivo teólogo do movimento, esteja envolvido com esta redescoberta da herança teológica cristã junto com outros cristãos nos EUA, que diferença!

A tradição cristã por sua vez não tem autoridade final, e sim as Escrituras, mesmo ela está submetida aos critérios das Escrituras.  Como bem observa Alister McGrath em um excerto que coloquei aqui há alguns dias.  Engraçado que, estes citam rabinos judeus não-crentes com toda tranquilidade, Maimônides, Hilel, Elizer Ben Yehuda, Rabi Akiva etc, e ninguém se incomoda. Alegam que cristão guardam tradições de homens, mas praticam uma liturgia, em muitos pontos, igualmente não relatada nas Escrituras, ostentam símbolos rabínicos como kipá, luzes de shabbat etc etc, sem nenhum desconforto.   Veja bem, todas estas tradições são legítimas dentro de uma comunidade autenticamente judaica.  Mas, o que me incomoda, é a alegação de aquelas práticas tradicionais, realizadas por cristãos sejam pagãs, indiscriminadamente.  Ora, para mim é uma clara afirmação de superioridade cultural, e isto é uma distorção típica de movimentos restauracionistas, desde seus primórdios.

Pelo que me consta, não há nada entre homens como Joseph Rabinowitz, Moshe Ben Meir, Yechiel Tsvi Lichtshtein e outros pioneiros do passado, que o judaísmo messiânico tenha como missão "restaurar o cristianismo" ou levar cristãos a restaurarem suas "raízes judaicas da fé" como algo central para a Igreja Cristã.  A fé cristã e apostólica se sustenta unica e exclusivamente em Cristo em no evangelho, como exaustivamente defendo.

Logo, minha objeção teológica e crítica é ao restauracionismo que concentra energia em assuntos completamente estranhos ao judaísmo-messiânico, como o conheço em suas origens e em breve história, quando comparada com a tradição protestante.

Então, digo claramente, não se deve confundir "restauracionismo judaizante" com "judaísmo-messiânico".  Mesmo que as grandes instituições do movimento apoiem comunidades ou ministérios que praticam "restauracionismo judaizante", o fazem por seus motivos, que a meu ver são igualmente sujeitos a críticas, os quais dispensam comentários.

De qualquer forma, práticas restauracionistas devem ser duramente criticadas, principalmente em dias em que a fé cristã em território brasileiro caminha para um crescente interesse pela centralidade de Cristo e do evangelho.  Que Deus nos ajude a repelir tamanho engano que procura descredibilizar a fé cristã e ofuscar a verdadeira proposta do judaísmo-messiânico.

Por favor, até hoje não vi nenhum tratamento apropriado sobre as coisas que tenho dito e escrito.  Vejo, uma apelação espiritualista e sentimentalista, sem nenhum tratamento dos pontos aqui defendidos.   Vejamos agora algumas coisas que foram escritas a meu respeito no mural do facebook de Joseph Shulam.  A propósito, a conversa foi completamente removida do mural dele, depois que este texto foi publicado, o arquivo em PDF com a conversa na íntegra pode ser acessado aqui.  Abaixo seguem algumas sentenças e minhas réplicas:
"Sr. Igor tem publicamente denunciado todo movimento messiânico, tem falado contra a liderança do movimento messiânico, e pediu às pessoas que não orassem por mim quando estava no hospital em Nova Iorque." (Joseph Shulam)
Não me posicionei contra o movimento messiânico, mas contra o restauracionismo judaizante, que infelizmente se traveste de judaísmo-messiânico.  Quanto ao período em que o Shulam esteve no hospital, eu não disse para não orarem por ele, nunca disse isto, ao contrário, eu mesmo orei pela melhora dele, minha esposa é testemunha.  Pois Cristo me ensinou a orar por todos indistintamente, meu desconforto com todos deste movimento é apenas de natureza teológica.
"Ele experimentou a Torá de Deus e voltou ao velho vômito, como as Escrituras dizem." (Joseph Shulam)
Vejam bem, observem o que é o evangelho para o sr. Shulam: a Torá.  Isto é insustentável, o evangelho é Jesus Cristo, não a Torá. A Torá (lei) mesmo é o "aio" ou "pedagogo" que nos conduziria a Cristo, diz Paulo.  Então, o que estes restauracionistas afirmam é que minha atual experiência e vivência com Cristo em uma comunidade cristã, engajada no amor a Deus, junto com toda comunidade cristã, é "vômito", e depois afirmam em seus púlpitos que não se julgam melhores do que ninguém.  Eu sempre disse que este discurso era para mascarar as intensões reais deste movimento.
"O que acontece aqui é que alguns querem destruir o trabalho e visão do judaísmo-messiânico e o direito dos judeus para expressar sua fé sem qualquer qualquer rei [coisa] da moderna inquisição protestante."  (Matheus Zandona Guimarães)
Como assim destruir?  Ao contrário, quero que os judeus crentes vivam legitimamente sua identidade, tanto que vou a uma comunidade judaico-messiânica este final de semana para comungar com aqueles que são legitimamente judeus em Jesus, para asseverar o direito deles viverem como tais, e para desencorajar gentios cristãos a não caírem na tentação de quererem se tornar  judeus.  Nada que bons judeus messiânicos concordariam.  Mas, claro, restauracionistas vão se sentir desconfortados com isto.
"Vocês não podem ignorar esses fatos. Não deveriam jamais colocar em vosso púlpito uma pessoa que fez uma declaração endereçada à 'Igreja' pedindo perdão por fazer parte do Judaísmo Messiânico, e atestando que a aceitação de dogmas como a 'Trindade' e a inflabilidade de líderes protestantes como Calvino e Lutero, são obrigatórios à salvação do discípulo. Não pode colocar em vosso púlpito uma pessoa que se colocou como inimigo da Restauração dos Anussim, um assunto que atualmente ocupa os principais debates acadêmicos e religiosos de ISRAEL e Portugal. É exatamente sobre isso que ele irá palestrar. Sei que há pseudo-judeus por aí e que complicam a vida de todos nós. Também somos contra esses grupos. Porém, colocar esses grupos juntamente com um mover do Eterno como a restauração dos Anussim, é muita insensatez!"  (Matheus Zandona Guimarães)
No documento me retrato (junto com meus irmãos) de ter ido contra a Trindade, por motivos óbvios, quem questiona a plena divindade do Pai, Filho e Espírito Santo, sim deveriam ser vedados de subirem aos púlpitos e não o contrário.   Nunca em nenhum lugar alego a "infalibilidade dos reformadores ou dos pais da Igreja", ao contrário eles estão sob o crivo das Escrituras, mas, assim como vocês respeitam o sr. Shulam como alguém de importância para vosso movimento, nós preferimos honrar nossos mestres cristãos do passado, o que não significa irrestrita submissão ou uma leitura acrítica.  Esta é uma acusação ridícula e indigna de maiores esclarecimentos.

Não pedi perdão por fazer parte do judaísmo-messiânico, mas por fazer parte de um movimento restauracionista judaizante.   Ao contrário, o que alegamos no documento é:

Apesar de tudo que foi mencionado acima, a nossa retratação não se refere nem pretende atingir a legitimidade do judaísmo-messiânico como movimento apropriado para o acolhimento de judeus que reconhecem a Jesus como Messias, Salvador e Senhor, pleno de sua divindade. O judaísmo messiânico em suas principais representações internacionais, como o UMJC (União de Congregações Judaico-Messiânicas - EUA), é ortodoxo em sua confissão, não ferindo os pilares da fé em Cristo. Esse mesmo movimento deixa claro sua discordância com aqueles grupos que pretendem aplicar uniformemente a Torá (lei) a todos, sem compreender as vocações específicas.
Agora, vejam a docilidade e o tom diretamente doutrinário e teológico  que nossa posição é tratada:
"Saibam porque líderes de comunidades cirstãs sérias em Brasília, São Paulo, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, dentre outros estados, cortaram definitivamente o relacionamento com ele e sua gangue. "  (Matheus Zandona Guimarães)
Curiosamente, com todos os problemas e discordâncias teológicas que tenho com a proposta doutrinária do Ensinando de Sião, jamais ousaria me dirigir a estas pessoas nestes termos. Mesmo, vendo que estão doutrinariamente afastados da centralidade e suficiência do Evangelho, jamais os chamaria de "gangue".  Desculpe-me Matheus, mas, eu te perdoo por esta acusação grave.  Uma pena que você não consiga tratar as questões aqui da forma apropriada, e faça apelações nestes termos.  Mas, não se preocupe, eu o perdoo por isto, Jesus me ensinou isto.  Mas, reafirmo, que continuarei não concordando com vários dos pontos ainda sustentados por vocês, vossa ênfase é errada.  Hoje, todos nós, que desfrutamos da alegria de um evangelho simples, centrado em Cristo, sabemos como é destrutiva uma teologia que coloca outras coisas como centro, excluindo o evangelho da graça pregado pelos santos apóstolos.

A propósito, se Deus quiser, estaremos na Shear Yaakov, compartilhando nossa trajetória de fé em Cristo.  Sinto muito que isto tudo tenha causado tanto transtorno a vocês.

Na graça de Cristo,
Igor

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*Estes trechos foram retirados do mural do facebook do sr. Joseph Shulam.  Para acessar a conversa na íntegra (PDF)  clique aqui na íntegra.
16 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

O Sacerdócio de Cristo [áudio]


Esta é um trecho da aula que dei sobre Panorama do Novo Testamento em Limeira - SP, neste caso, estou tratando do tema "O Sacerdócio de Cristo".







14 de mai. de 2012 | By: @igorpensar

Palestra: O Novo Supersessionismo


No próximo dia 20 de maio de 2012, o professor Igor Miguel estará presente em São Paulo, na Sinagoga Shear Yaakov. O evento será das 14h30 às 19h00.



Muitos já conhecem o “supersessionismo“, também conhecido como “teologia da substituição”, aquela distorção teológica que afirma ter sido anulada a aliança de Deus com Israel por causa da entrada de não-judeus na Nova Aliança no Messias Jesus.


Entretanto, outro fenômeno ameaça a legitimidade e a autenticidade de judeus crentes, a multiplicação de movimentos que promovem a “fabricação” de “novos” e “falsos” judeus. Milhares de pessoas no Brasil alegam ter uma ancestralidade judaica por se sentirem assim “mais parte do povo de Deus”, e com isto, acabam deslegitimando aqueles autenticamente judeus que creem ser Jesus o Messias. O que no final, não passa de uma teologia da substituição às avessas.

Mas qual é a causa deste fenômeno? Seria um coincidência o fato de que a maioria destes gentios, obcecados com a possibilidade de serem judeus, terem origem cristã-evangélica? Que crise na fé destes cristãos acarretou ou levou os mesmos a tal fascínio desequilibrado? Quem sofre com isto? Os poucos judeus, comprovadamente judeus, que tentam se organizar em suas modestas comunidades na defesa de Jesus como Messias de Israel, e ainda tem que lidar com o problema de cristãos em crise com sua fé e tradição cristã. Estas perguntas e outras afins serão tratadas neste encontro.

Venha e participe!

Currículo:

Igor Miguel é cristão-reformado, teólogo, pedagogo, blogueiro, professor de hebraico e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaica pela USP. Estuda as relações entre cristianismo e judaísmo. Membro da Igreja Esperança em Belo Horizonte-MG.


Maiores informações podem ser conseguidas no site da Sinagoga Shear Yaakov (www.sheashearyaakovryaakov.org)