11 de dez. de 2012 | By: @igorpensar

OMCV: capacitação & inclusão


Há muito tempo que gostaria de dedicar um post neste blog para falar sobre a ONG que trabalho, já caminhando para o terceiro ano.  Me refiro a Organização Multidisciplinar de Capacitação e Voluntariado (OMCV).  A OMCV nasceu por iniciativa e idealização da teóloga Gracie Pires, que além de longa experiência na área administrativa, teve a grande ideia de organizar uma ONG que trabalhasse com crianças e adolescentes em situação de risco, porém valendo-se de uma abordagem integral e multidisciplinar, integrando vários profissionais para este fim.  

A ideia é relativamente simples: crianças e adolescentes devem ser tratados como seres integrais, logo, tudo que os priva de tal integralidade é excludente e desumanizador.  A OMCV reconhece que educar é, em algum sentido, buscar uma formação humana integral em que os alunos devem ser tratados sob múltiplos olhares.  Assim, ao educar crianças e adolescentes deve-se considerar as dimensões: emocional, cognitiva, física, cultural, social e espiritual.  Que são aspectos integrantes da complexa condição humana.

Basicamente, o que a OMCV faz é oferecer uma série de programas que apreciem cada uma destas dimensões. Cada programa é composto por profissionais-especialistas (pedagogos, psicólogos, arte-educadores, teólogos-capelães, educadores físicos, professores de informática e assistentes sociais) que se engajam na promoção e o desenvolvimento destas áreas em seus alunos.  Obviamente, a articulação destes profissionais acontece a partir de uma abordagem multidisciplinar, o que significa boa comunicação entre os programas, de modo que os alunos recebam sempre um tratamento integral em suas diversas dificuldades.


Pessoalmente, sou responsável pelos Programa Aprender a Aprender, que lida com a educação da dimensão cognitiva dos alunos; e também, pelas Oficinas de Qualificação Pedagógica, cujo foco é a qualificação e treinamento pedagógico de sócio-educadores.  Além disso, assumi recentemente a coordenação pedagógica da OMCV.


Minha vida nestes dois anos tem sido circular por diversas comunidades da periferia da grande Belo Horizonte, trabalhando nos diversos projetos sociais que estão conveniados a OMCV.  Em específico, atuo nos seguintes projetos:
  • Projeto Compaixão no aglomerado da Serra em BH;
  • Projeto Alethéia no Bairro Tropical em Contagem;
  • Centro Cristão Evangélico de Educação que atende a Vila São José em BH;
  • Projeto Reconstruir que fica na Vila Antena em BH.



No Aprender a Aprender tenho aplicado nestes dois anos o Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) que foi desenvolvido pelo educador israelense Reuven Feuerstein, cujo objetivo é potencializar a capacidade de aprendizagem.  Temos obtidos resultados incríveis!  Crianças que antes eram apáticas, impulsivas, desmotivadas e apresentavam dificuldades visíveis de aprendizagem, hoje estão motivadas, mais criativas, autônomas, e o mais legal, professores e pais relatam melhoras visíveis na vida escolar.


Lembro que muitas destas crianças vivem em comunidades socialmente vulneráveis por causa da proximidade com a violência, o tráfico de drogas e alta evasão escolar.  O impacto dos programas oferecidos pela OMCV nestes dois anos, mostra o potencial transformador desta iniciativa pelos anos que virão.  Realmente é muito encorajador fazer parte de uma equipe tão engajada.



Prezado leitor, te encorajo a dar uma passada no site da OMCV e conhecer mais sobre a atuação desta organização séria em BH e na Grande BH, na promoção da inclusão e transformação integral destas crianças e adolescentes, que hoje, têm ampliada as chances de saírem desta "zona de vulnerabilidade e risco".  Visite www.omcv.org.br, também nos siga nas redes sociais e sinta-se à vontade em contribuir com esta iniciativa.
3 de dez. de 2012 | By: @igorpensar

Confissão Belga e Trindade

Gosto de relembrar que nossa fé protestante, principalmente aquela de tradição reformada, vem produzindo alinhamentos doutrinários importantes ao longo da história.  Entendo que a confessionalidade, ou seja, comunidades cristãs que se alinham com confissões protestantes clássicas, tem sido um grande recurso para tratar as ameaças da pós-modernidade e a terrível mania que temos de "inventar" ou "reinventar" a fé cristã.  Acho muito interessante como a Confissão Belga, elaborada em 1567, e adotada principalmente pela Igreja Reformada Holandesa, afirma e explica a Trindade.  Achei por bem compartilhar o trecho em questão.  Para acessar a versão completa clique aqui.

ARTIGO 8
A TRINDADE: UM SÓ DEUS, TRÊS PESSOAS
(grifo nosso)

Conforme esta verdade e esta palavra de Deus, cremos em um só Deus [1], que é um único ser, em que há três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo [2]. Estas são, realmente e desde a eternidade, distintas conforme os atributos próprios de cada Pessoa.

O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis [3]. O Filho é o Verbo, a sabedoria e a imagem do Pai [4]. O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é a eterna força e o poder [5].

Esta distinção não significa que Deus está dividido em três. Pois a Sagrada Escritura nos ensina que cada um destes três, o Pai e o Filho e o Espírito Santo, tem sua própria existência, distinta por seus atributos, de tal maneira, porém, que estas três pessoas são um só Deus. É claro, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; que, também, o Espírito Santo não é o Pai ou o Filho.

Entretanto, estas Pessoas, assim distintas, não são divididas nem confundidas entre si. Porque somente o Filho se tornou homem, não o Pai ou o Espírito Santo. O Pai jamais existiu sem seu Filho [6] e sem seu Espírito Santo, pois todos os três têm igual eternidade, no mesmo ser. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um só em verdade, em poder, em bondade e em misericórdia.

1 1Co 8:4-6. 2 Mc 3:16,17; Mt 28:19. 3 Ef 3:14,15. 4 Pv 8:22-31; Jo 1:14; Jo 5:17-26; 1Co 1:24; Cl 1:15-20; Hb 1:3; Ap 19:13. 5 Jo 15:26. 6 Mq 5:1; Jo 1:1,2.
30 de nov. de 2012 | By: @igorpensar
16 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Matéria Revista Veracidade: quem é Deus?

A "Revista Veracidade", uma revista gaúcha, publicou um artigo baseado em uma entrevista que demos a revista e a preciosa contribuição do teólogo e pastor Guilherme de Carvalho, onde trata a pergunta: "Quem é Deus?".  Segue abaixo um trecho da entrevista, vale a pena lê-la na íntegra aqui.   No artigo há menção de minha experiência de 10 anos no restauracionismo neo-judaizante, e os motivos que me fizeram abandonar tal movimento.



Para o pedagogo, teólogo e mestrando em língua hebraica, literatura e cultura judaicas pela Universidade de São Paulo (USP), Igor Miguel, que também é autor do site www.teologo.org, o problema está ligado a uma crise de identidade generalizada da Igreja Evangélica, em toda a América Latina. “Após o impacto negativo do neo-pentecostalismo, a comunidade evangélica passou a pautar muito de sua fé em um tipo de ‘sentimentalismo’, ou seja, uma busca por ‘experiências emocionais’ com pouca memória e pouca solidez em educação bíblica e histórica”. E acrescenta: “Poucos cristãos conhecem o longo patrimônio doutrinário e espiritual acumulado pelo Cristianismo. Pensam que Deus só agiu na era dos apóstolos, ou em casos mais generosos, após a Reforma Protestante, no século 16. Esquecem-se que Deus nunca perdeu o sentido da história e que o Cristianismo, entre a era apostólica e a Reforma, também é nosso Cristianismo”.

Igor fala com propriedade, pois ele mesmo, tendo dado os primeiros passos da vida cristã numa igreja pentecostal, viu-se envolvido e fascinado pela proposta de um grupo neo-judaizante, que se afirma empossado da “restauração das raízes judaicas da fé cristã” no Brasil, onde permaneceu ativamente por dez anos, motivado por um desejo restauracionista de viver o que a Igreja primitiva vivia. “Ao longo deste período, escrevi vários artigos questionando muitos dos ensinamentos clássicos da fé protestante e cristã, como a Trindade, por exemplo”. Ele afirma que o ponto mais problemático destes movimentos é a falta de centralidade de Cristo e do evangelho: “A maioria destas pessoas insiste em procurar algum tipo de ensinamento ‘novo’ ou ‘redescoberto’ que resolva os dilemas críticos com que a fé cristã se depara. Aproveitam-se da fragilidade da Igreja de Cristo, para disseminarem seus ensinos e esquecem que foi exatamente o abandono de uma fé cristocêntrica que sempre comprometeu o que é cristianismo de verdade”.

O retorno de Igor Miguel a essa centralidade de Cristo e da fé cristã autêntica deu-se por meio de estudo de textos apologéticos (de defesa da fé) e de renomados teólogos cristãos, e, acima de tudo por passar a conhecer a vida e os escritos de homens de Deus que, ao longo da história da Igreja, foram fieis ao Senhor e à Palavra, criticando rumos errados e ensinando a Igreja em suas épocas, sem nunca pretender abandoná-la. Ele cita “Tertuliano, Atanásio, Irineu de Lion, Agostinho de Hipona, João Calvino, Martinho Lutero, Abraham Kuyper, Francis Schaeffer, C.S. Lewis, Herman Bavink, John Stott, Louis Berkhoff, que me levaram a um cristianismo robusto, cristocêntrico e criativo”, explica. Hoje, após essa (re)descoberta do verdadeiro cristianismo e de redigir uma declaração pública de arrependimento pelo que creu e pregou naqueles dez anos (que pode ser encontrada no seu site), tornou-se um defensor do Cristianismo e das doutrinas bíblicas, dando ênfase em manter-se uma fé conectada à história da Igreja e à tradição cristã.

Para ler o texto completo, clique aqui
8 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Sou um Fracasso

Prezados leitores,

Todos nós temos trajetórias espirituais diferentes.  Deus providencia rumos específicos para cada um de nós de modo que sejamos moldados a seus planos e desígnios.  Sei que somos doutrinados e bombardeados com uma ideologia mundana e perversa, que tenta nos seduzir a medirmos nossa vocação e ministério, a partir dos critérios que o mundo da competição e da auto-celebração nos impõe.

Não tenho dúvida, que muitos de nós que somos chamados para algum ministério, fomos acometidos em algum momento de nossas vidas pela tentação de nos tornar "grandes" pregadores, ou trabalhar em "grandes" ministérios, alcançar "multidões" e termos nosso nome, de algum modo, respeitado perante os homens.    Esta tentação tem sua origem no pecado e naquele que se rebelou contra Deus.  E por mais que nos é imposta esta sedução da popularidade, devemos nos dispor a Deus, de modo que cumpramos sua vontade, o que na maioria esmagadora das vezes envolve um serviço anônimo, modesto e despretensioso.  A propósito, muitos ministérios ditos de "sucesso" são na verdade internamente fracassados, tomados pelas pretensões de um coração corrompido pelo poder e o fascínio por si mesmo.

Se somos cristãos de verdade, e especificamente, se fomos chamados a algum serviço ou ministério para a glória de Deus em Jesus Cristo, devemos tomar escolhas sérias e sóbrias a respeito do que isto significa.  Vejo que falta muita coragem, falta honradez e ombridade, para que determinadas escolhas sejam tomadas.  Sei que as pessoas entregues a determinados ministérios se vêem escravizadas pelo fascínio dos aplausos ou um "bom" salário, ou ainda, tentadas a apresentarem o tempo inteiro uma imagem de "ministros de sucesso".  Mas, reafirmo, este é um grande engano e um ídolo.

Agora, se você quer viver Cristo e entregar-se em serviço a Ele.  Não meça esforços e não se preocupe com que vão pensar de você, apenas lance-se em uma trajetória feliz e honrosa, perante Deus.  Claro, honra e alegria, que sem dúvida, não significam necessariamente os aplausos dos homens ou a celebração dos poderosos, as vezes, significa o anonimato, a discrição e mudanças radicais em sua vida.  As vezes, significa a dureza de viver com um orçamento no limite, contado com milagres todos os dias, viver sob o risco, que todos os grandes "fracassados" profetas da Bíblia também experimentaram.  Mas, tenha certeza, que a graça e a fé não te faltarão.

Fui profundamente afetado pelo documentário abaixo, ele sintetiza as mais profundas intensões do meu coração e do coração de vários amigos e irmãos que convivo.  Tenho certeza, prezado leitor, que você pode ser mais um a se colocar de pé e descobrir que seu ministério, pode ser um ministério "fracassado", como o meu.  E finalmente, abrir mão deste fardo mundano, que colocaram sobres seus ombros, a ilusão de que o caminho de Cristo é o caminho da "popularidade" e do "poder".  Não!  O caminho de Cristo é um caminho de dor, sofrimento, adversidade e renúncia.  Entretanto, uma vida sob a plena e renovada fé que Jesus Cristo já venceu o mundo.

Por favor, assista este vídeo até o fim, sem interrupções, e se deixe ministrar pelos testemunhos e comentários aí presentes.

Eu agradeço a Deus por este documentário, disponibilizado pelo site Voltemos ao Evangelho e ao irmão Yago Martins, este jovem, que nos identificamos, por sua paixão e amor pelo Evangelho puro e simples.  Junte-se a este exército de homens quebrados, fracassados e vulneráveis, que carecem da graça generosa que nos foi disposta em Cristo Jesus.


5 de nov. de 2012 | By: @igorpensar

Escola Especial de Missões Urbanas

Eu, Cida Mattar e Ariovaldo Ramos estaremos ensinando na Escola Especial de Missões Urbanas e falaremos sobre o tema:  "Educação Cristã para o Desenvolvimento Social", que este ano acontecerá na 8ª Igreja Presbiteriana em Belo Horizonte - MG durante os dias 5 a 29 de novembro.




31 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Reformando-se

Ecclesia reformata et semper reformanda est.

A famosa expressão acima foi criada pelo teólogo reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676) durante o Sínodo de Dort. Ela pode ser traduzida da seguinte forma "Igreja reformada está sempre se reformando".  Diferente de algumas interpretações, o sentido não é que a Igreja reformada deveria ser "plástica" ou "relativista", mas que deveria sempre se esforçar para renovar seus fundamentos ou princípios.

Os 5 solas, como são conhecidos, eram os fundamentos do cristianismo bíblico e histórico, que quando esquecidos, sempre dirigem o cristianismo e a Igreja a renovarem seu comprometimento com a fé apostólica.  Quando os reformadores viram o rumo que o cristianismo medieval estava tomando, se articularam para afirmar estes princípios, e assim, corrigir os rumos da fé cristã.

Em tempos em que Cristo é instrumentalizado, mas não afirmado e reconhecido como Senhor, buscamos um cristianismo enraizado nas Escrituras, fiel ao que Deus nos legou pelos profetas e apóstolos, mas igualmente, um cristianismo que se situa na história, com herança, por isso, portadora de uma grande nuvem de mestres e leitores das Escrituras.   De fato, se tivermos algum avanço ou se temos alguma vantagem em relação aos que nos antecederam, deve-se ao fato de estarmos sobre colunas.  Talvez seja esta nossa grande vantagem, o fato de estarmos "sobre ombros de gigantes".

O que gosto nos reformados é que assumem sem reservas que o arbítrio não é dos homens, mas de Deus.  A vontade humana é relativa à soberana vontade de Deus.  Assumem de forma explícita e deliciosamente escandalosa, que o arbítrio entregue pelo humanismo e o iluminismo francês aos indivíduos, é uma repetição ardilosa da tentação no jardim do Éden.   

O que aprecio no cristão reformado é que afirma honestamente que a queda foi radical a ponto de afetar total e profundamente a capacidade do ser humano se chegar a Deus por si só.  A queda colocou o homem em estado de exílio e inimizade contra Deus, e a conclusão apostólica é, reafirmam cristãos reformados, que se Deus não se voltar para os homens, os homens de modo algum se voltarão para Ele.

Gosto da teologia reformada porque ela retoma os fundamentos da doutrina apostólica, que se constituem na centralidade de Cristo e seu senhorio.  Afirmam a grandeza de Deus e como no senhorio de Cristo estende o evangelho a todos os aspectos do mundo criado.

Ser reformado não é apenas ter uma confissão de fé denominacional, é ter um estilo de vida que orbita sobre os 5 princípios da reforma: graça, fé, Cristo, as Escrituras e a Glória de Deus

Os 5 princípios (5 solas) da reforma são caros para um cristão reformado.  Mais do que afirmações dogmáticas ou doutrinárias, eles são afirmações de referências fundantes de um estilo de vida cristão, que infelizmente, são esporadicamente esquecidos ou enfraquecidos pela prática da Igreja.  Retomá-los de forma plena, seria reaver a reforma, a fé apostólica original e ver a comunidade de Jesus florescendo novamente em gratidão, boas obras e testemunho público para a glória de Deus.

Na graça o reformado entende que tudo é dádiva, que a existência é fruto de um presente, cada minuto de vida é fruto de decretos graciosos e amorosos de Deus.  Reconhece que todo ato bem feito e toda boa obra só podem proceder de Deus, do Pai das luzes (Tg 1:17).   Reconhece que a salvação, justificação, santificação, regeneração e fé são resultados de uma série de ações soberanas, por isso, graciosas, não condicionadas em nada no homem.   Não são frutos de um desempenho autônomo, mas de uma atuação constante do amor de Deus, conduzindo e capacitando seus filhos a fazerem a vontade de Deus em gratidão.  É Deus quem opera suas ações no ser humano por graça, é Deus quem implanta no homem o "querer e o efetuar" a salvação (Fp 2:13).  Na graça a pretensão humana é encerrada, e a glória de Deus é evidenciada (Ef 2:9).

Pela  um cristão vincula-se com Jesus.  Pela fé entra-se em união mística, em unidade de amor com o Filho de Deus, em confiança e fidelidade inabaláveis na provisão do amor do Pai em seu Filho.  Sabedores e conscientes de sua condição deplorável como pecadores, cristãos reformados, sabem que só é possível para ser aceito por Deus, se estiverem unidos com Jesus pela fé.  Somente com a confissão dos lábios e a confiança de coração, podem escapar da justa ira de Deus.  Desta forma, fora de Cristo só resta viver sob o teto da "ira de Deus" (Rm 1:18) que já se revela dos céus contra o pecado da humanidade.  A própria degeneração moral das humanidade é por si uma evidência de que sem Cristo só resta a indignação divina.   

Pautados na mesma fé, temos uma grande comunidade (Hb 11) de homens e mulheres que viveram por meio e na fé em Deus confiantes de que sua existência era uma jornada pautada nos planos divinos.  Por isso não esmoreceram, continuaram crendo até verem concretizados os desígnios de Deus em suas vidas.  Então pela fé em Cristo, o cristão une-se com o Filho de Deus, é adotado (tornando-se igualmente filho) e assim tem acesso a uma graça especial que o educa e o dirige de forma operosa até sua glorificação com Jesus.

Um cristão reformado sabe que somente Cristo pode revelar o Pai (Jo 1:18), que Ele é o Ungido, o Messias, Rei, Servo e Cordeiro de Deus e o Verbo de Deus.  Aquele por quem e para quem todas as coisas foram criadas (Jo 1:3; Cl 1:16).  Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, amado desde a Eternidade pelo Pai, revelou-se aos homens por meio de sua encarnação, íntegro de sua divindade e  humanidade, para trazer os homens para o Pai.   Em sua humilhação, morte e ressurreição Jesus Cristo inaugura uma nova criação nele.  Por isso, todos que se unem com Ele são "recriados" (Ef 2:10) e por isso em Jesus um nova humanidade emerge, para a Glória de Deus.  Jesus Cristo é a pedra angular de onde emerge uma comunidade renovada, eleita e preciosa, chamada "Igreja" (Ef 2:20 e I Pe 2: 6 e seg.).  Na Igreja, Cristo se revela e é comunicado.  A Igreja é esta comunidade dinâmica, que em sua discrição e invisibilidade, se visibiliza através do testemunho de verdadeiros cristãos regenerados.  Também se visibiliza na Igreja local, que se reúne ao redor da Palavra de Deus e da mesa da ceia, ordenança de Jesus para os santos.  Lá na Igreja local e visível, cristãos celebram sua páscoa, seu êxodo e retorno do exílio.

Um cristão reformado sabe que as Escrituras são suficientes enquanto recurso de orientação existencial para sua jornada no presente século.  Ele sabe que encontra nela "palavras de vida eterna", plenitude existencial e compreensão de Deus e de sua vontade.   Reconhecem que junto com todos os grandes mestres do cristianismo, debruçam-se sobre esta verdade, buscando em sua complexidade e simplicidade, orientação para viverem para a glória de Deus.  As Escrituras são fontes de sabedoria para um viver habilidoso e que elas compõem a visão de mundo de um cristão, iluminando sua relação com Deus, o próximo e a criação.  A afirmação sola scriptura (somente as Escrituras) da reforma protestante não significava uma rejeição de tudo que a Igreja havia acumulado durante os séculos de interpretação bíblica e doutrinária, mas que a tradição teológica do cristianismo, deveria permanecer sempre sob supervisão e crítica das Escrituras.

Organicamente a graça, a fé, Cristo e as Escrituras, se articulam de forma a projetar a vida do cristão para uma tarefa na criação onde Deus seja sempre glorificado.  O cristão reformado sabe que sua vida e tudo que nela acontece, bem como na sua santa Igreja, envolvem um único propósito final e definitivo: a glória de Deus.   A alegria de um cristão está em tornar Deus conhecido e reconhecido em seus feitos, tarefa e missão.   Não há ato cultural ou laboral de um discípulo de Cristo que não aponte para Deus e se torne uma interface onde Deus é reconhecido e proclamado.

O cristianismo reformado não é aquele que apenas deseja a reforma da Igreja, mas também da cultura, da sociedade, ciência, filosofia, educação e assim por diante.  Um cristão reformado sabe, que as leis de Deus são princípios balizadores para que o salvo possa viver neste mundo de forma submissa e tendo Deus como referência.  Por isso, cristãos reformados resistem a heresia de Marcião que tendia distinguir o Deus criador do Antigo Testamento e o salvador do Novo Testamento.  Ao contrário, eles afirmam a ortodoxia confessional e bíblica em que o mesmo Deus que criou é o que salvou e salva, e vice-versa.

Ser um cristão reformado não é ser um religioso altivo, arrogante, faccioso, reducionista ou denominalista, como se supõe, mas significa ser um cristão unido com Cristo pela fé, na graça, conforme as Escrituras e que viva para a glória de Deus.

Concluímos, que em tempos de arrefecimento da fé, de embustes teológicos, falsos mestres,  falsos profetas, deificação do homem, instrumentalização de Cristo, fragmentação denominacional, escândalos e triunfalismos, mais do que nunca, a Igreja Evangélica no Brasil precisa de uma reforma de dentro para fora.  De comunidades com ortodoxia (doutrina correta), ortopraxia (prática correta) e ortopatia (sentimento correto) alinhadas com a vontade de Deus.  Que seja uma reforma da Igreja local, mas também da criação, da cultura e do comportamento pessoal do cristão.  Todas as grandes reformas e avivamentos da Igreja aconteceram em momentos de crise como a que nos deparamos, a Igreja sempre recebeu saúde e frescor toda as vezes que reafirmou os 5 princípios mencionados.  Que Deus neste dia 31 de outubro, dia da reforma protestante, possa nos convocar para uma vida cristã que sempre se reforma e se renova em Jesus Cristo.
"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras." (Ap 2:5)
30 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Mortem vicit

Por Igor Miguel


Depois que Jesus ressuscitou, a história tornou-se serva da eternidade.  Alguém venceu a morte, alguém não encontrou na morte um fim.  A morte é esta contradição tenebrosa, esta ruptura radical que angustia e que faz a alma ficar aflita, ansiosa.

Olhar pra cruz é ver a morte afligindo a alma mais pura, o ser mais indigno de seus açoites e seus medos.  A morte não podia ter acometido o Verbo, caiu em uma grande armadilha divina, foi fisgada pela vida.   O triunfo de Cristo a capturou, Jesus agora tem a chave da morte e do Hades.

A ressurreição é o retorno do segundo Adão dos lugares mais sombrios, dos calafrios e arrepios mórbidos.  Jesus como Adão, confundido com o jardineiro, assume o cuidado que foi comissionado ao primeiro homem.  O segundo Adão é cheio de plenitude, o homem perfeito, dele procedem vitalidade e graça.  Impossível ser verdadeiramente humano fora da humanidade de Cristo.  Impossível ser totalmente redimido fora de sua divindade.

Ele tinha que ser Deus, pois homem não salva homem.  Mas o Deus que se fez homem poderia fazê-lo. E o fez eficazmente.   Cristo é a exibição pública da face de Deus.  Quando se olha para Cristo, o Espírito da vida é derramado no coração. Antes temeroso pela morte, agora vive pelo sorriso e o consolo, sente um aroma de eternidade e prova o sabor da árvore da vida.

Fora de Cristo só resta morte, pavores, temores e cheiro de enterro.  Em Cristo encontra-se vitalidade, flores que desabrocham, cânticos harmônicos e a ardente esperança.  A esperança é que se alguém morre na semelhança da morte de Cristo, também revive na semelhança de sua ressurreição.

Depois que Cristo venceu a morte e a ameaça do tempo, a história curvou-se diante da eternidade.

"A morte foi tragada pela vitória."  (Apóstolo Paulo)

Soli Deo Gloria!
27 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Protestante e Católico (Universal)

"Se o protesto da reforma significa alguma coisa, então, certamente há uma dicotomia, ou no mínimo, uma diferença entre ser reformado e ser uma católico romano. Sobre isto, eu concordo plenamente. Porém, eu não acho que Roma é detentora da catolicidade. Nossa fé "católica" é a fé histórica da Igreja, enraizada nas Escrituras, recebida dos apóstolos, elucidada e articulada em credos e concílios ecumênicos, reformada em nossas confissões, com a convicção que o Espírito de Deus tem guiado a Igreja através da história. A reforma protestante não é uma "mudança de paradigma", a "emergência" de uma "nova fé". Ao invés, deveríamos ver a reforma protestante como um movimento de renovação agostiniana na Igreja Católica."* (James K.A. Smith**)

Quando Smith se refere ao termo "católico", não faz referência ao "catolicismo romano", mas ao sentido literal do termo grego katolikós (universal). A catolicidade se constitui naqueles princípios comuns que unem e definem os cristãos universalmente. O que obviamente, transcende o catolicismo romano.


A tese de Smith é que a fé protestante reformada não é um movimento "novo", mas um esforço para retomar o que há de mais universal na fé cristã clássica e histórica. A menção a Agostinho de Hipona no texto, refere-se ao esforço deste grande teólogo da Igreja, em afirmar a suficiência da graça em Cristo para salvar o pecador e sua oposição à heresia pelagiana, que insistia em uma "capacidade inata" nos homens para obedecer a Deus, e assim, serem aceitos por Ele. Tal heresia comprometia a doutrina apostólica e paulina que concebe o homem como "morto em seus delitos e pecados" (Ef 2), incapaz de se voltar para Deus, o que explicita o fato de que a salvação dependeria de uma ação soberana, procedente graciosa e exclusivamente de Deus. 

A ênfase em Cristo e na graça foi retomada por Agostinho e renovada pelo movimento protestante (lembrando que Lutero foi um monge agostiniano). Neste sentido, a catolicidade é o solus Christus (somente Cristo) e sola gratia (só a graça), como revelado nas Escrituras (sola scriptura). Exatamente, os princípios afirmados pela fé protestante. Estes seriam os elementos "católicos" da Igreja.  Desta forma, a fé reformada é católica em seu sentido mais profundo.

* Citação do texto John Calvin’s Catholic Faith.
**James K.A. Smith é uma filósofo americano, atualmente é professor de filosofia no Calvin College. Escritor profícuo, escreve sobre ortodoxia radical, cristianismo e pós-modernidade, liturgia e adoração e ética.
23 de out. de 2012 | By: @igorpensar

Qual é o seu Nome?

"Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o SENHOR Deus: Não é por vossa causa que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu santo nome, que profanastes entre as nações para onde fostes." (Ez 36:22).
Nome: resumo ou narrativa?

Em termo bíblicos, o "nome" não é apenas uma palavra que serve para identificar uma pessoa ou um objeto.  Ele é "substantivado", há "substância" associada ao nome.  Também não é substância em sentido químico, mas  biográfico.  Como assim?  Explico.

Lembro-me da trilogia "Senhor dos Anéis" de J.R. Tolkien, em particular quando o personagem Barbárvore (Treebeard), um ent, pergunta a um dos "hobbits" como ele nomeava "aquilo", enquanto apontava para uma colina.  A resposta do hobbit: "colina!".  Barbárvore, surpreendido, replica: "- mas este é um nome muito curto para uma coisa que está tanto tempo ali!".  Esta é uma das frases que mais me impressionaram na trilogia.  Na língua dos "ents", as palavras não são "compactas", os nomes não são um atalho fonético que agrega sentidos atribuídos a uma pessoa ou coisa.  Ao contrário, na língua dos ents os nomes são histórias, narrativas e biografias.  Curiosamente, vi uma associação entre o sentido bíblico de "nome" com a forma como os ents nomeiam as coisas no mito de Tolkien.

A Bíblia nos mostra diversos personagens cujos nomes apontavam para uma história mesmo antes de sua conclusão.  Poderíamos citar alguns exemplos, como: Abraão, cujo nome significa em hebraico "Pai de Povos", uma referência a sua biografia como patriarca da fé, cuja promessa, abençoaria as famílias da Terra (Gn 12 e 22).  O nome de Jacó, que foi mudado para Israel, que significa "lutastes com Deus", faz referência ao encontro de Jacó com o Anjo do Senhor.  Da mesma forma, Davi é o "amado"; Josué significa "o Senhor que Salva"; Adão vem de uma raiz hebraica que significa "terra", "solo" ou "avermelhado", uma referência ao fato do homem ter sido feito do pó da terra.

Mantendo a tendência do Antigo Testamento, Noé (hb. נח - noâch), cujo nome significa "consolo" ou "conforto", o recebeu como por uma profecia, como está escrito: "pôs-lhe o nome de Noé, dizendo: Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos, nesta terra que o SENHOR amaldiçoou."  (Gn 5:29). Este mesmo Noé, no evento de seu filho Cam tê-lo visto nu,  profere ditos oraculares sobre seus descendentes, em específico sobre Canaã (filho de Cam), Jafé e Sem (Gn 9:18-27).  Ao filho, cujo nome era "Sem", ele diz: "Bendito seja o Senhor Deus de Sem."  (Gn 9:26).  O interessante é que "Sem" em hebraico "Shem" [שם] significa literalmente "Nome".  Não é acidente que de "Sem" vieram os "semitas", agrupamento étnico donde descende os hebreus (descendentes de Héber) e o próprio Abraão (ver genealogia de Gn 11).

A descendência do "nome"

A ideia é que Deus escolheu os israelitas, ligados a descendência de Sem, para testemunhar seu "nome" entre as nações.  Mais para frente, na narrativa bíblica, Moisés (cujo nome significa tirado das águas - não só do Nilo, mas também do Mar Vermelho) em um encontro com o SENHOR no Monte Horebe, ante a sarça que ardia e não se consumia, realiza o seguinte diálogo:
Disse Moisés a Deus: Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi?  Disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros.  Disse Deus ainda mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros; este é o meu nome eternamente, e assim serei lembrado de geração em geração. (Ex 3:13-15)
Observe que Moisés pergunta o "nome" de Deus.  A resposta é surpreendente, pois Deus não se identifica com um nome "fechado", como o nome dos ídolos do Egito.  As divindades pagãs possuíam nomes que especificavam sua "atuação" mítica.  Deuses da fertilidade, da guerra,  colheita, sabedoria ou saúde, possuíam nomes associados às suas respectivas "áreas de atuação".  O Deus que se revela a Moisés, por sua vez, se identifica primeiro como o "Eu Sou o que Sou" e depois como "Deus de Abraão, Isaque e Jacó".   

A expressão "Eu sou o que Sou" [hb. ehiê asher ehiê - אהיה אשר אהיה], adotada na versão Almeida Revista e Atualizada, encontra-se no original hebraico estruturada pelo verbo "ser" ou "tornar" usado no perfeito, na voz ativa do grau simples (QAL).  Isto significa que este verbo poderia ser traduzido no futuro (uma ação não concluída ou em processo de conclusão), assim, a expressão poderia ficar como: "Eu serei o que serei" ou "Me tornarei o que me tornarei", como bem traduziu Lutero em sua Bíblia para o alemão "Ich werde sein".  A ideia é esta mesmo: Deus se "revelaria" e se "tornaria" ao longo do tempo, ou seja, uma revelação progressiva de seu "nome", um Deus que se revela na história e nas relações.

O "nome" assume o sentido de "narrativa" ou "revelação", uma história.  Mas, ainda há um detalhe: por que Deus adicionou o sentido de seu nome como "Deus de Abraão, Isaque e Jacó" afirmando que este é "seu nome eternamente"?  Ora, se Deus é portador de uma "história" e de um nome que se revela no tempo e nas relações, logo, Ele é um Deus que é conhecido na biografia das pessoas com quem se relaciona.  A biografia de seus servos, torna-se a biografia dele mesmo, afinal Ele é um Deus se revela relacionalmente.  Talvez, foi neste sentido, que o filósofo e matemático Blaise Pascal (1623-1662) tenha dito: "Deus é o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, não o Deus dos filósofos".

Acho que já temos material suficiente para entender que o "nome" é muito mais do que "identificação fonética".  O "nome" em termos bíblicos faz referência a uma "história".  No caso, de Deus, uma referência à história de sua relação com seus servos ao longo das gerações.  Quando é dito no livro do profeta Ezequiel que os israelitas profanavam o "nome de Deus" entre as nações, o que está envolvido é a profanação de um "história", da "revelação" de Deus em relação a seu povo.  Por isso, a Bíblia é um livro que trata a respeito do Deus que se revela.  A Bíblia é a exposição pública de Deus, o que ela chama de "glória".  

O Nome que Está Sobre Todo Nome

Agora, façamos uma conexão com a revelação de Cristo, e vejamos algo interessante:

Deus quando firmara uma aliança com o Rei Davi, prometera a ele um descendente cujo trono nunca teria fim e que este descendente edificaria para Deus uma casa para seu nome (II Sm 7:13).  Este texto é digno de uma leitura messiânica, no sentido que se refere ao Messias, e não ao descendente imediato de Davi, Salomão.  Salomão não teve um trono "eterno".  Logo, a promessa se refere a um descendente de Davi, cujo trono seria eterno, e que faria uma casa para o "nome" de Deus, bem no sentido que já exploramos até aqui.

Nós cristãos entendemos que Jesus é o descendente de Davi, que cumpriu todas as expectativas bíblicas e proféticas a respeito de sua messianidade.  Jesus, certa vez, fez menção enigmática a respeito de seu corpo como um Templo:
Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei.  Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás?  Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. (Jo 2:19-21)
Jesus é o Templo onde o "nome" ou a "história" de Deus se torna mais evidente:  "As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito."  (Jo 10:25).  Agora, veja que interessante o que encontramos em um certo dito de João: 
"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou."  (Jo 1:18)
A palavra utilizada no original, que foi traduzida aí por "revelou", é verbo no passado (aoristo) eksêgêsato [εξηγησατο] que poderia ser perfeitamente traduzido como "expôs", "relatou" ou "narrou" como utilizado em Lc 24:35.  O sentido deste texto é que Jesus "conta" ou "narra" Deus o Pai para os homens.

Trindade: o nome de Deus se revela

Então, qual é o nome de Deus na Nova Aliança?  Como Ele se revelou?  Como podemos "narrá-lo?".   Se fossemos ents, que nome daríamos a este Deus, sem sermos sintéticos de mais?  Onde encontramos seu nome?  A resposta deveria ser: no batismo.  Como preservado em Mateus: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." (Mt 28:19). 

A grandeza de nosso batismo, não está em um fonema.  A questão não é se chamamos Deus de Jeová, Javé, Yavé, Elohim ou Yeshua.  A questão é: qual é a história de nosso Deus?  Nosso Deus é uma história, a história da salvação.  A salvação é um drama de amor em que Deus se volta para homens pecadores.  E, para salvá-los, envolveu toda sua pessoa (Pai, Filho e Espírito Santo), desde a fundação do mundo, passando pelos patriarcas, os reis de Israel, os profetas, e agora, ele fala conosco pelo Filho, como foi dito:
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,  nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.  Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,  tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. (Hb 1:1-4).
Últimas palavras

Baseado em tudo que foi dito, fica claro o motivo de cristãos prezarem tanto pelo nome de Jesus.  Afinal, foi na história de Jesus, como registrada nos quatro evangelhos, que Deus foi revelado (narrado).  A glória de Deus se concentra na história/vida/nome de Jesus.  Por isto, foi dito:
Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.  12 E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. (At 4:11-12)
Não é em vão, que por ocasião de uma das viagens de Paulo à cidade de Éfeso (At 19), exorcistas profissionais, como os filhos do sumo sacerdote Ceva, tentaram esconjurar demônios 'em nome de Cristo, a quem Paulo pregava', e os demônios gracejaram afirmando conhecerem "Paulo" e "Cristo", mas os tais exorcistas lhes eram desconhecidos, o que foi seguido pela agressão do endemoniado àqueles.  Os demônios conhecem Cristo, Paulo e todos os eleitos do Senhor, por causa de uma história: a história de Cristo, e a história de todos que estão ligados a Ele.  Estar fora de Cristo é viver em anonimato, é não ter uma biografia.

Todo Antigo Testamento narra a história dos atos salvadores de Deus.  O clímax e cumprimento de tudo aquilo que a Bíblia Hebraica narra é Jesus Cristo.  O Verbo se faz carne e se torna em "texto", uma "narrativa", uma história sobremodo exaltada, o nome que está sobre todo nome.  Fomos salvos por Jesus, por uma história, um conto de salvação, um drama trinitário.  Os demônios tremiam e proezas eram feitas neste nome, não por um poder mágico, mas por causa de uma história com início e fim, com Alfa e Ômega, história que culmina na cruz e alcança sua plenitude na redenção de todas as coisas.  O nome é a história, nosso nome se constitui no nome de Cristo.
"Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe." (Ap 2:17)

Santificação para a Vida Ordinária por James K.A. Smith


O amigo Daniel Vieira e eu traduzimos um artigo excelente de James K.A. Smith, autor cujos escritos apreciamos.  Li seus livros "Desiring the Kingdom" (Desejando o Reino) e "Who is afraid of post-modernism" (Quem tem medo da pós-modernidade).   Smith escreveu um excelente artigo sobre o tema "Santificação para a Vida Ordinária", como o apreciamos (eu e o Dan), vimos a importância de tê-lo em português.  O artigo foi publicado pelo portal iPródigo e pode ser acessado na íntegra aqui.

James K. A. Smith é professor de filosofia no Calvin College em Grand Rapids, Michigan, onde ensina no departamento de estudos congregacionais e ministeriais.